domingo, 25 de outubro de 2009

Reconhecimento


Comecei por um lugar frio, de água agitada e de terra escura. Observei pássaros rasantes gritando quero-quero, poderosos quadrúpedes em vacarias, replicantes enganados e alguns bípedes famintos. A vegetação, uma bípede ingênua e algumas criaturas pequenas era o que havia de interessante. Para não ser descoberto, adotei um nome terráqueo. No local de aterrissagem, os tons eram de azuis, verdes e amarelos, mas fazia muito frio. Para mim não era o suficiente. Que desconforto. Precisei partir. De cima de um morro, olhei para a estrada, era curva e convidativa. Decidi atravessar a ponte de água escura, ver aonde ía chegar. Foi minha primeira viagem por essa terra estrangeira. Sabia que depois disso, tudo seria possível. Cheguei a um porto alegre. Fiquei deslumbrado com as luzes, possibilidades e locais. Parecia enorme. No início não foi fácil identificar os replicantes e os bípedes. Depois de um tempo descobri que pelo toque e pelo olhar era possível identificar os verdadeiros terráqueos, que eles me ensinariam a ser um deles e a sobreviver. Contudo, havia o exterminador. O infame replicante que a todos controlava e que com seu exército de replicantes e seres de uma outra dimensão havia decidido esmagar os seres pequenos, verdadeiros terráqueos. Conheci outros bípedes, claros, morenos, altas, magras e gordas. Em razão da exposição prolongada a esses seres locais, senti um peso estranho no corpo, uma sensação terrena, mencionada em alguns relatórios de outros viajantes. Algo que consome o corpo, os pensamentos e os sonhos. Senti pela primeira vez o que era a dor da perda. Descobri também que os terráqueos são exterminados e acabam escondidos na terra dentro de sacos azuis. Decidi partir antes que fosse tarde, que me dessem o mesmo destino.

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Encontrei seres