segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Um simples corte de cabelo.

A Suíça é realmente um país desenvolvido. As pessoas para serem cabeleireiros estudam cerca de três anos. Nesse período aprendem as melhores técnicas possíveis para esculpirem os cabelos e para a utilização de diversos aparelhos elétricos. Como resultado, fica todo mundo com cabelo de pica-pau, com desenho de moita de praça de interior, ou de quem acabou de levar um choque elétrico. Como sou um bom moço do interior do sul do Brasil, prefiro o cabelo cortado à tesoura. Meu barbeiro no Rio tem 83 anos e demora uma meia hora para cortar os cabelos, fio por fio. O resultado é bem do meu gosto. Antigo, mas clássico. Todavia, mesmo alertado pelos brasileiros aqui residentes para que eu cortasse minhas madeixas em outro país (Itália ou França), corri o risco no sábado. Cheguei a um elegante “Coiffure” no centro de Lausanne e fiquei esperando pela minha vez. Enquanto esperava, observei um jovem ter seu lindo cabelo loiro e liso reduzido a uma penugem. O pobre diabo saiu com cara de pintinho recém nascido. Logo após, foi a vez de um bem vestido senhor ter seu cabelo raspado em cinco minutos. Saiu com cara de moribundo. Meu espanto foi tamanho que uma senhora percebeu que eu estava assustado. Para não causar constrangimentos, disse que eu estava atrasado e que precisava sair. Ela percebeu e quase riu. Busquei então um outro “Coiffure”. Fui atendido por uma bela Sérvia, em um luxuosíssimo salão “high tech”. Expliquei que queria cortar o cabelo, mas com tesoura. Que eu era dos anos 60 e que eu gosto mesmo são dos cabelos dos anos 70 “grandes e volumosos”. A pobre moça viu que estava diante de um neurótico e fez o melhor dentro de suas habilidades. Quando estava quase perfeito, resolveu dar uma desbastada. Não ficou exatamente feio porque eu, modéstia a parte, tenho um rosto que ajuda. Mesmo assim, me senti no colégio militar, como alguém que acabou de passar no vestibular. Da próxima vez, já sei o que fazer. Recortei de uma propaganda do Financial Times uma foto de um manequim da Ralph Lauren com o cabelo bem como eu gosto. Vou pagar o mico e mostrar a foto da vasta cabeleira. Pode ser que assim eles acertem.

8 comentários:

  1. Eu já faço isso com o meu estimado Alexandre, que cuida do meu cabelo como se dele fosse. Nada como uma foto para deixar bem claro que cabelo a gente quer.

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  2. Nossa! Esse mico é de família. Mas considerando que ainda por cima há a dificuldade de língua, vou apelar mesmo. Beijos.

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  3. Já dizia o Chacrinha: quem não se comunica, se trumbica!

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  4. Que saudades do Chacrinha. Velho guerreiro. Tenho que fazer uma postagem em sua homenagem e da querida Terezinha.

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  5. darling tu é tão lindo que seria um desafio diminuir tua beleza

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  6. Eu ainda vou ao barbeiro. Ultimamente tenho ido num uruguaio de pança gorda ali perto da esquina de casa. Ele fala pouco e isso é bom. Pergunto a ele sobre o Uruguai e ele sempre desvia. Acho que ele foi tupamaro. Ele gosta de tomar muitas cervejas de fim de tarde. Já o encontrei cambaleando. O importante é que ele corta direitinho.

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  7. Acho ir a uma barbearia, com cadeira antiga, cheiro de talco e navalha, muito mais charmoso do que entrar nesses salões decorados por arquitetos e totalmente impessoais. Se tiver um uruguaio ou um portuga, então isso é que é luxo.

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Encontrei seres