segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Berlim IV

Fiquei impressionado com o desenvolvimento de Berlim. Em 2006, quando a visitei pela primeira vez, ela era um verdadeiro canteiro de obras e hoje se vê o resultado. A cidade está impecável. Como adoro conversar, bati papo com pessoas de Frankfurt e Munique cujo sucesso profissional e boa condição financeira eram evidentes. Ficaram no entanto constrangidas quando perguntei se o imperador Francisco Jose I havia sido também imperador da Alemanha. Engasgaram, ficaram roxas de vergonha. Não sabiam nada da história do país. Eram idiotas com dinheiro e roupas bonitas. Entendiam de vinhos e sabiam tudo sobre NY. Surpreendentemente, perguntei ao taxista que deveria ter uns 40 e poucos anos, e ele me deu uma aula da história, me explicou sobre o imperador (sim, o Império Austríaco se estendeu sobre aquela região na época chamada de Prússia), me explicou sobre a unificação da Alemanha, a guerra entre a Austria e a Prússia, porquê a Alemanha mudou de nome (segundo ele foi uma sugestão dos americanos pois a palavra Prússia evocava militarismo), comentou os museus, etc... Percebi que ele havia recebido uma educação excelente, e que não era um idiota. Teve apenas o azar de se inserir no mercado capitalista muito tarde. Como ele havia nascido na Berlim Oriental, perguntei se ele achava melhor agora ou antes, se preferia a influência americana ou russa. Ele não titubeou. Falou que se a queda do muro era para deixar os alemães do lado oriental nessa situação, preferia como antes. Falou que embora os dois lados tenham pontos positivos, a Rússia havia feito muito pelos alemães orientais e que eles viviam melhor naquela época. Que na atual Alemanha o único valor é o dinheiro, que nada mais importa, e que os alemães orientais ficaram em uma situação muito mais difícil. Como sou um burguês convicto e de direita, fiquei decepcionado com a resposta, mas pensei nisso durante todo o vôo de volta. Até que o processo de idiotização dos alemães orientais esteja concluído, eles sofrerão muito (roubei essa expressão de um texto publicado no Depósito do Maia).
Depois da temperatura ter caído para -20C no sábado a noite, domingo amanheceu mais quentinho (-15C). Mesmo assim deu para dar uma passeada. Fui ao Checkpoint Charlie e também ao Portão de Brandemburgo. Depois disso, fiz um tour de táxi pela Berlim Oriental, pois estava muito frio para caminhar. Vi bairros muito bonitos que por milagre não foram inteiramente bombardeados. Também tem é claro aqueles edifícios tipo pombal que a gente vê muito em Brasília e São Paulo.
Voltei para a Suíça com vontade de ir de novo. Embora não seja propriamente uma cidade bonita, essa é uma cidade tão interessante quanto Londres, Paris ou Nova Iorque.








Esse grupo estava meditando pela paz mundial. Em alguns cartazes estava escrito para que as pessoas se juntassem a eles.

4 comentários:

  1. Deve ter sido um final de semana espetacular, dos mais inusitados. Um dia hei de ter um igual.

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  2. O berlinense é o carioca, o novaiorquino da Alemanha.

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  3. É isso mesmo, ele é o cosmopolita.

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Encontrei seres