domingo, 31 de janeiro de 2010

Histórias Surrealistas.

Falta de Sorte

Ela estava para fazer 70 anos e decidiu fazer uma festa na fazenda. Foi um churrasco de arromba, com cerca de duzentos convidados. As autoridades locais e até mesmo o bispo compareceram. Como eram todas pessoas muito educadas, ela ganhou vários presentes que foram sendo depositados em um dos salões da velha casa da estância. Foram vasos de porcelana pintados a mão, baixelas de aço inox, trilhos para mesa feitos do mais delicado crochê, rosas de prata, e até mesmo uma reprodução da Santa Ceia pintada pela irmã Cecília. Ela agradecia gentilmente a cada presente, mas logo depois mencionava sem se dar conta “Eu não tenho sorte pra ganhar presente”.

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O Roubo

De uma hora para outra, sem nenhum motivo aparente, ela havia brigado com a melhor amiga. Ninguém conseguia entender o distanciamento de duas pessoas tão próximas. Para os mais chegados, resolveu dar uma explicação. A amiga havia roubado seu gosto. Como assim perguntaram? Ela roubou meu gosto, repetiu. Logo depois tascou: “Comprei um casaco para meu marido, ela comprou um igual para o seu. Comprei uma pasta executiva para meu marido, ela comprou uma igual. Pintei uma parede da minha casa de vermelha, ela pintou uma parede de verde na sua. Ela roubou meu gosto.”. Para o espanto dos presentes, um dos amigos entendeu o motivo e concordou com ela. Para confortar-lhe disse: “Isso é realmente muito grave, pois como ela roubou seu gosto e você precisa dele para seu trabalho de arquiteta, você ficou em uma péssima situação. Como vai trabalhar se já não tem mais gosto?”. O mais engraçado é que tempos depois as amigas fizeram as pazes e continuam inseparáveis. Só que esse amigo não pode mais vê-las juntas sem ter vontade de rir.

6 comentários:

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  2. Gostei das duas histórias. Você leu Laços de Família da Clarice???
    Você tem a sagacidade que ronda a dela Epifania.
    Você é deliciosamente sutil.
    Muito bons.
    Marie

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  3. Marie,
    Tenho que te confessar que li pouquíssimo a Clarice. No que eu puder, vou comprar um livro e devorar.
    Muito obrigado,

    Terráqueo

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