quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

João e Maria

Pesquei no google esse trecho de uma entrevista que Chico deu para a rádio Eldorado em 1989, sobre como surgiu a inspiração para fazer a letra dessa valsa composta pelo Sivuca quando ele tinha 17 anos. A maioria das pessoas considera essa música um protesto contra a ditadura, mas ela é tão bonita e se enquadra tão bem nas fantasias e amores infantis, que eu prefiro acreditar que foi uma alusão às emoções da infância. Meu primeiro amor foi poderoso, começou quando eu era um menino e entrou mocidade adentro. Na minha fantasia ela era a rainha que um dia eu iria coroar. Isso não aconteceu e amor infantil virou um amor fraterno. Mas ela ainda é tão linda de se admirar e eu a vejo toda vez que volto aos pampas.

"Cada música tem uma história. Eu tenho uma parceria com o Sivuca que é engraçada. Ele fez a música, que ficou se chamando João e Maria. Ele mandou uma fita com uma música que ele compôs em 1944, por aí. Eu falei: "Mas isso foi quando eu nasci." A música tinha a minha idade. Quando eu fui fazer, a letra me remeteu obrigatoriamente pra um tem a infantil. A letra saiu com cara de música infantil porque, simplesmente, na fitinha ele dizia: "Fiz essa música em 47." Aí pensei: "Mas eu criança..." e me levou pra aquilo. Cada parceria é uma história. Cada parceiro é uma história."


6 comentários:

  1. gosto de pensar que existe uma lei que nos obriga a ser feliz...
    beijos, muitas saudades

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  2. Que essa lei seja aplicada.

    Beijos,

    Terráqueo

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  3. Sei que pode ser interpretada politicamente. Naquela epoca, tudo era. Quem não era, era taxado de Alienado. E a música lindíssima di Jobim foi vaiada no festival. Sou alienada assumida e por escolha. Volto á infância voluntariamente e me imagino a princesa e o heroi, no quintal da minha avó.
    Não troco isso por nada.

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  4. Eu também. Não troco as boas sensações da infância por nada. Quanto as más sensações gastei uma fortuna no psicanalista para superá-las. Alguns traumas, no entanto, já haviam deixado cicatrizes. Pai e mãe custam muito caro.

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  5. Bem, nem vamos falar disso.
    Terapia? Conheço todas.
    Se você passeou pelo meu blog sabe que tenho pedigree nesta história de pai e mãe.
    De pequena (bem pequena) costumava sonhar de olhos fechados mas acordada, que o que vivia é que era sonho (ou pesadelo). Que logo iria descobrir que tinha sido roubada da minha verdadeira família. Que tudo que vivia era um engano e que logo descobriria que tinha pais e mães mais que legais. Daí pensava na coitadinha da minha mãe e quase morria de culpa. Tentava arrumar a história para que ela fosse também vítima e não culpada. Ficava horas nesses imaginares.
    Mas sabe? Hoje em dia já quase penso que devo agradecer. Aos céus, ao destino, ao seja lá o que for. Conheço tanta gente com pai e mãe de ouro que são uns perdidos.
    Prefiro eu mesma com todos os defeitos. Tá que não sou lá essas coisas. Mas não me troco não.
    E depois, tinha o quintal da casa de minha avó. Onde "guardava o meu bodoque e ensaiava um rock para as matinês."
    Pela minha lei, não era obrigada a ser feliz. Não era obrigada a nada. Voava livre e longe trepada nas goiabeiras, abrindo sapos e lendo livros velhos e carcomidos que adoro até hoje.
    Beijo
    Marie

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  6. Marie, amo tudo o que você escreve. Entendo bem.

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Encontrei seres