sábado, 30 de janeiro de 2010

Memórias

Ela estava deitada. Seu rosto era pálido e doce. Seu olhar transmitia muito amor. Mesmo abatida, ainda era possível enxergar que um dia ela fora linda, jovem, vigorosa e muito amada. O desconforto era grande tanto para ela quanto para as pessoas que a viam nesse estado. Mesmo esquálida, sua barriga era imensa. Ela pegou na minha mão e me disse que somente havia estado assim quando os gêmeos estavam para nascer. Mas que o filho agora era outro. Era um bicho que a devorava por dentro. De repente, começou a cantar um trecho de Memory, e me disse que também havia sido bela e vivido momentos felizes. Que a realidade presente era seu pesadelo.

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Encontrei seres