quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Sexo e Dinheiro

Há pouco tempo atrás, em uma noite fria com neve escrevi meu primeiro conto erótico o qual foi publicado nesse blog. Mas agora, com toda essa neve derretendo lá fora e espalhando lama pelas calçadas, falta-me criatividade para escrever sobre qualquer coisa. Como gosto de ter sempre uma postagem nova, e para chamar atenção, resolvi apelar para os dois temas mais delicados de se conversar na intimidade e que mais interessam em geral (sexo e dinheiro). Lembrei que ainda nessa semana li em um jornal Suíço que os homens pensam em sexo a cada 10 minutos. Me dei conta então que inspiração não deveria me faltar. Bastaria utilizar, como ponto de partida, minha última fantasia ou pensamento erótico, mas nada publicável brotou. Pensei também em algumas memórias ou histórias de amigos que pudessem ser usadas. Todas elas muito batidas. Não eram novas ou surpreendentes. Resolvi então procurar material mais profundo. Buscar nas minhas taras mais secretas alguma inspiração. Mas veio a censura e fez com que eu ficasse com vergonha de usá-las, ainda que camufladas em ficção. Preciso de mais psicanálise para isso. E olha que algumas eu já realizei, gostei e repeti. Parti então para a pesquisa. Fui para a Internet, para os sites que falam sobre sexo e relacionamento. Interessantes, algumas coisas valem uma postagem séria, sem gozação, pois abordam aspectos culturais, jurídicos e científicos. Mas eram muito chatos. O Papa criticando os casamentos gays, com todas as denúncias de pedofilia e homossexualismo dentro das escolas e igrejas católicas, até que seria um bom tema. Ainda escreverei sobre isso. Mas imagine se eu resolvesse escrever sobre os problemas da impotência ou frigidez. Isso afastaria para sempre os meus leitores. Rapidamente, mudei para os sites de sacanagem que são bem mais divertidos (quem quiser os endereços, me mande o e-mail que eu envio). Cheguei a anotar algumas coisas bem engraçadas mencionadas pelas pessoas que espiam os casais ou pessoas solitárias fazendo o que lhes vier na cabeça em frente a câmera. Além das frases óbvias (como os internautas são dos mais diversos e remotos cantos do planeta é interessante tentar descobrir o significado das mesmas nas mais diversas línguas), há uma grande profusão de sons escritos ao lado das telinhas que mostram as pessoas na rede. Anotei algumas mensagens que devem ter sido agradáveis para quem recebeu (wow, mmm, jjjj, aaaa, zz, wowow, yee) e outras totalmente desnecessárias e cruéis (fat, small, sad....). Imagine ser filmado nú enquanto lê que é “gorda” ou enquanto é apresentado a realidade de que você é um “tadinho”, que tem algo “tão pequeno, triste”. Isso acaba com o momento de glória de qualquer exibicionista e corta com qualquer tesão. Sem dizer que se as pessoas pudessem escolher seus corpos seriam todos lindos. Vi então que eu deveria deixar esse assunto de lado, ou escrever sobre isso com tempo. Uma coisa que vale uma reflexão é a diferença de postura das lésbicas, das mulheres, dos homens e dos casais nos sites de relacionamento e de sexo. Tinha uma italiana no site das lésbicas que se desmanchava em sorrisos quando lhe escreviam (chel bel sorriso, adoro la tua boca). Você só via seu bonito rosto. Já os sites de casais ou de homens, são uma baixaria só. Os homens avacalham mesmo, vão logo falando bandalheiras e se exibindo. Constatei também que as mulheres heterossexuais escancaram a genitália e são bem mais desinibidas que as lésbicas.

Pensei, então, em escrever sobre dinheiro ou economia. Sobre as perspectivas da recuperação do mercado norte-americano ou dos setores que podem ser lucrativos na bolsa, dois assuntos para lá de batidos e com farto material em revistas e na internet. Mas não era bem isso que eu queria. Dei uma espiada na Inteliggent Life (Life, Culture, Style da The Economist), na própria The Economist e na Bilan (revista sobre economia publicada na Suíça), mas mais uma vez não encontrei nada inspirador. Não sei se é vendia no Brasil, mas a Inteliggent Life é sensacional, e nesse fim de semana tenho certeza que me dará várias idéias. Voltando ao assunto, quando eu já havia decidido não escrever mais nada, olhei para o lado, e bem na capa do Le Nouvel Observateur dessa semana estava escrito “ Êtes-vous payés à votre juste valeur? Métier par métier . Quels sont les plus utiles .Comment ils sont rémunerés .Le jugement des Français." Esse é um assunto realmente interessante e muitas vezes delicado. Especialmente se você está reivindicando um aumento. Será que sabemos o nosso valor? Cobramos mais do que valemos? Ou, ao contrário, nossa baixa auto-estima faz com que sejamos explorados, mesmo diante de um mercado favorável? Interessante que a matéria analisa as profissões sob três óticas que acabam não tendo relação direta: prestígio, utilidade e salário real. Os pesquisadores, enfermeiros, professores e engenheiros gozam de maior prestígio e são considerados mais úteis que os advogados, por exemplo. Porém seus salários são em média bem inferiores. Já os magistrados tem prestígio e salários altos, mas são considerados de baixa utilidade. Tenho a mesma impressão dos juízes brasileiros. Os médicos sempre por cima da carne seca também na França gozam de mais prestígio, de salários mais altos e são considerados mais úteis. Os deputados foram considerados os profissionais menos úteis. Pelo jeito os deputados franceses são iguais aos brasileiros.

5 comentários:

  1. Teu primeiro conto erótico foi muito bom. Faça isso mesmo, vá coletando material. O frio europeu, o dia termina as 16 horas, é uma boa desculpa para ficar em casa e garimpar fatos interessantes. Em qualquer lugar do mundo, os advogados gozam de baixa reputação. Por que será? Prometem mais do que podem? Gostam de enrolar? Botam a mão na grana além da conta? Parece ser tudo isso. O mesmo acontece com os políticos e os Juízes. Afinal, para que serve mesmo um Juiz?

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  2. Maia, vou sair a procura de inspiracão. Um grande abraço,

    Marcelo

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  3. Marcelo querido

    Também concordo que devas seguir a trajetória dos contos eróticos. Sugiro o livro O Sexo e a Psique - a revelação de nossas fantasias secretas na maior pesquisa realizada sobre o tema - de Brett Kahr. Li recentemente e adorei, nunca havia lido algo psicanalítico tão profundo e que revelasse de forma clara e respeitosa as fantasias sexuais. A parte da descrição da pesquisa é chatinha, mas dá para fazer uma epécie de leitura dinÃmica, pois o quente do livro são descrições das fantasias e suas origens... Foi deste livro que tirei a frase "Uma vez que estamos destinados a viver a vida no cárcere de nossa mente, nosso dever primordial é mobiliá-lo bem". Bj. Margot

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  4. Margot,

    Obrigado pelo incentivo. Fiquei super curioso a respeito desse livro. Vou procurá-lo aqui mesmo. Estou louco para liberar minhas fantasias literárias. Bj.,

    Terráqueo

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  5. Marcelo

    A citação sobre a questão de mobiliar nossa mente bem é de Peter Ustinov (confesso que terei que fazer uma pesquisa, pois não conheço). Bj. Margot

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