domingo, 28 de fevereiro de 2010

Altes Museum

O Altes Museum foi construído em 1823-1830 e é um dos mais importantes edifícios do neoclassicismo. Sua fachada tem 18 colunas em uma explícita referência ao Pantheon em Roma. Na fachada está escrito: "Frederick William III dedica o museu ao estudo de todas as formas de antiguidades e belas artes, 1828." O museu exibe basicamente figuras em mármore, bronzes, vasos e jóias em ouro da Grécia Antiga. Além do busto de Péricles que reconheci dos livros de história, o que realmente me fascinou foi a beleza do prédio e das esculturas no topo da escadaria. A visita é rápida pois ele é pequeno. Serve de aquecimento para o Pergamon.









Berlim V

Essas fotos mostram uma mega loja de departamentos que concentra as melhores griffes. A razão dela ter sido prestigiada por esse blog é a belíssima instalação chamada “The Beautiful South”.

A torre da igreja que aparece ao fundo é um memorial para lembrar dos terríveis efeitos da guerra. Há quem diga, no entanto, que ela já era horrenda antes de ser bombardeada, e que a sua destruição teria sido o detalhe que faltava. Discordo, mas achei graça dessa afirmação no guia de turismo.

As lápides que aparecem abaixo fazem parte de um monumento enorme que lembra o holocausto.

Nessa semana vou focar em dois museus, o “Altes Museum” que exibe peças da Grécia Antiga e o "Pergamonmuseum" que exibe a “Colação de Arte Clássica, Antiguidades do Oriente Médio e a Coleção de Arte Islâmica.





sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

A perplexidade do ser humano

Não era fácil nem para os autoritários pais controlar seus filhos. Eles eram três pestes ansiosas por diversão. Moravam em uma pequena cidade do interior em que a única distração externa era a televisão. De resto havia apenas o inverno e o mugido de vacas, sem neve, sem esqui, sem patinação, sem bons restaurantes. As pessoas ficavam recolhidas em casa. Era um tédio sem fim. A mãe era uma pintora com relativo talento, que estudava artes plásticas com afinco e que tentava passar para os pestinhas alguma noção de estética e dos principais movimentos modernos e contemporâneos. Uma noite eles assistiram a um quadro do “Planeta dos Homens”, antigo programa humorístico, em que um pintor abstrato ficava irritadíssimo quando lhe perguntavam se ele havia pintado um elefante com uma melancia na cabeça. Ele dizia que não, que aquela “obra de arte demonstrava a perplexidade do ser humano diante do infinito”. Os três pestinhas adoraram aquilo e guardaram a frase para a ocasião apropriada. Na cidadezinha, todos os anos havia um salão de arte em que vários artistas mostravam seus trabalhos e recebiam uma premiação. Havia também o júri popular cuja votação era guardada em uma urna. Uma das expositoras era uma pessoa muito próxima da família e bastante querida inclusive pelos pestinhas. Depois de olharem cuidadosamente a exposição, eles não tinham dúvida que ela merecia o prêmio. Mas eles eram pestes assumidas e não iriam perder a oportunidade de usar a frase. Assim, aberta a urna, começa a apuração sendo lidas em voz alta as justificativas dos votos mais interessantes. Causou uma grande impressão quando foi lido: “Eu votei na Dona Rosinha porque suas obras de arte demonstram a perplexidade do ser humano diante do infinito.” Aquilo lido em alto e bom tom fez a Dona Rosinha se acreditar. Como se diz no interior, ela ficou “faceiríssima”. Recebeu até alguns aplausos. Outros votos lidos em voz alta e a infeliz leitora começa: “Eu votei na Dona Rosinha porque suas obras de arte demonstram a perplexidade do ser humano diante do infinito.”. Quando ela acabou de ler aquilo, algumas pessoas já esboçaram um sorriso de deboche. A mãe dos pestinhas imediatamente olhou para eles que fizeram a cara mais inocente possível. Difícil foi disfarçar quando a leitora leu pela terceira vez: “Eu votei na Dona Rosinha porque suas obras de arte demonstram a perplexidade do ser humano diante do infinito.”. Algumas pessoas começaram a gargalhar, os três pestinhas saíram de fininho, e a mãe deles ficou roxa. Somente a Dona Rosinha não se deu conta. Ficara tão feliz com o prêmio que nem se importou.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Prochain Arrêt "Berlim""

A experiência

Recebi um e-mail de uma amiga, com uma apresentação em Power Point contando uma história real que a princípio eu não acreditei, mas que após ter confirmado, reproduzo quase fielmente. Em abril de 2007 a jornalista do Washington Post “Gene Weingarten” teve a idéia de convidar um dos músicos eruditos mais famosos dos Estados Unidos para tocar anônimo no horário de rush em uma estação do metrô de Washington DC, para fazer uma experiência sobre percepção, gosto e prioridades das pessoas. “O violonista chegou às 8h e tocou durante 45 minutos. Tocou Bach, Schubert, Manuel Ponce e Massenet. Nesse horário cerca de mil pessoas circularam pelo local. Após três minutos um homem prestou atenção no que ele tocava. Diminuiu seus passos, parou alguns segundos e partiu acelerado. Um minuto mais tarde o violonista recebeu o seu primeiro dólar de uma mulher que também não parou para escutar. Alguns minutos mais tarde, um outro homem se apoiou sob uma coluna para escutar, mas logo foi embora. Quem prestou mais atenção no músico foi um menininho de cerca de três anos, que parou para escutar, mesmo quando sua mãe começou a lhe dizer para andar. Quando ela perdeu a paciência e o puxou, o menino caminhou olhando para trás em direção do músico. Durante os 45 minutos, somente sete pessoas verdadeiramente pararam para lhe escutar por um tempo. No final da apresentação ele havia recolhido US$ 32,00. Somente uma pessoa o reconheceu em um universo de mil. Ninguém se deu conta que se tratava de Joshua Bell, que tocou algumas das peças mais difíceis com um Stradivarius de 1713, que vale 3,5 milhões de dólares. Dois dias antes de tocar no metrô, sua apresentação no teatro de Boston havia esgotado os ingressos, com um preço médio de US$ 100,00. Os pontos da pesquisa eram: em um ambiente público comum e em um horário inapropriado, percebemos a beleza? Paramos para perceber isso? Reconhecemos o talento em um lugar inesperado? Uma das possíveis conclusões dessa experiência poderia ser: Se não temos tempo para parar e escutar um dos melhores músicos do mundo tocando algumas das melhores musicas já escritas, quantas outras coisas estamos perdendo?” Saliento que esse texto acima não é meu, é uma mistura de uma versão em francês e outra em inglês que eu traduzi de forma capenga. Mas pergunto eu, o que vocês acham disso? Será que no Brasil seria diferente, ou teríamos um pouco mais de sensibilidade que os trabalhadores americanos? Acho que o problema foi ele ser anônimo, e não o local. Será que se ele tocasse anônimo em um teatro desconhecido haveria público? Tenho a impressão que uma boa parte das pessoas precisa do certificado de qualidade para saber se algo é realmente bom ou não. Que em uma feirinha de arte em uma praça pública, como a feirinha de Ipanema por exemplo, podemos encontrar obras de arte muito superiores a várias existentes em museus, principalmente nos de arte contemporânea que eu gosto, não me entendam mal, mas que se prestam a muita enganação e marketing.


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Ciúmes

Não posso tolerar. Isso tem que parar. Não admito. Prefiro morrer a continuar assim. A lâmina fria há de doer menos. Hoje meu sofrimento termina. Farei o que é preciso. Que se exploda o mundo. Fizeram por merecer. Acenderam a minha ira. Mexeram com quem não devia. Eles me pagam.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Maus Investimentos

Plena e absoluta. Assim se dizia a nossa musa. Embora não fosse propriamente feia, tivesse uma boa estatura, as coxas duras e os seios volumosos, ela não fora privilegiada pela natureza. O rosto não ajudava mesmo. Era pouco harmônico e meio abrutalhado. A primeira vez que a vi, quis levá-la para minha casa na praia, mas ela não topou. Deve ter me achado pouco atraente e depois que ficamos bem amigos me disse que nunca dava de primeira. Dava sempre no segundo encontro, pois tinha medo que não rolasse o terceiro. Embora fosse de poucas luzes, ela era disciplinada. Conseguira um ótimo emprego em uma multinacional e desempenhava bem suas funções. Ganhava razoavelmente. Também acabou arrumando um namorado pelo qual se apaixonou e que friamente analisando era demais para a desafortunada musa. Segundo o namorado ela era ótima na cama. Mas ele não queria casar, ela não era de todo apropriada. Servia apenas para se divertir. Coisinha sem importância. Surpreendentemente, poucos meses depois de jantar com o casal, a encontro no parque com outro homem e ela o apresenta como seu noivo. Levei um susto. Até aonde eu sabia ela namorava há dois anos o meu amigo. Disfarcei a surpresa, desejei-lhes boa sorte e confirmei de imediato o convite de casamento que eu receberia poucos dias depois. Não entendi nada. Eu sabia que ela amava o meu amigo. Como poderia seis meses depois já estar noiva de outro. Quando ela ligou para agradecer o presente aproveitou para abrir o coração. Me falou que mesmo amando o “ex” havia decidido seguir com sua vida, e colocado um ponto final naquela história travada. Que eles não tinham os mesmos sonhos. Que ela sonhava em casar, ter filhos, um lar, e que ele não lhe dava esperança alguma. Achei louvável o seu discernimento, não esperava tamanha perspicácia daquele ser tão primitivo. Perguntei se ela não achava cedo para casar com outro homem que ela mal conhecia. Se o coração dela já estava preparado para um novo amor. Ela me respondeu que estava chegando aos 30, e que nessa idade uma mulher não tem tipo, tem pressa. Falou que o noivo estava apaixonado, e que precisavam casar de imediato porque ele havia sido transferido para outro estado. Não tinham tempo para se conhecer. Um mês depois eu a vi finalmente entrar na igreja emocionadíssima, em um caminho coberto de pétalas de rosas e com um vestido de renda todo bordado. Cena de capítulo final de novela. Enquanto e musa entrava, um amigo que conhecia toda a história murmura “Está entrando um projeto de vida”. Esse comentário foi passando como telefone sem fio e, em segundos, nossa turma inteira estava rindo sem parar. Uns cinco anos depois fiquei sabendo, pelo mesmo amigo que fizera o comentário acurado, que ela havia em razão do casamento parado de trabalhar, tido dois filhos, e que já estava separada. Que o marido de uma hora para outra, com a mesma rapidez que se apaixonara por ela no passado, se apaixonou por outra, pediu divórcio, e teve mais um filho. Ela lhe contou que ficara desempregada, com dois filhos pequenos, e que em razão dos problemas econômicos voltara para a casa dos pais. Tempos depois esse mesmo amigo a encontrou em uma loja de saldos e ela perguntou por mim. Meu amigo lhe contou que eu havia passado em um concurso público e que vivia há alguns anos em uma cidade do interior. Foi quando ela largou uma das suas: “Investi na pessoa errada. Devia ter investido nele.” Depois dessa frase, ela saiu a passo para olhar se havia uma blusa no estoque.

Madri VII

Embora meu coração seja carioca, meu estômago é gaúcho, e como dizia minha avó, sou do seco. Gosto de carne. Não sou muito de frutos do mar. Perto do meu hotel para meu deleite havia vários restaurantes Argentinos, com a palavra mágica escrita nos vidros “Parillas”. Me esqueci imediatamente que estava em Madrid e me senti em Buenos Aires. Como eu não consigo resistir a uma murcilla, um chorizo ou a um assado de tira bem gordo, fui na parilla na sexta à noite, no almoço de sábado (até entrei em um restaurante típico espanhol, mas não deu para sentar, algo mais forte me fez mudar de idéia), e no jantar de sábado. Eu sei que a tradição espanhola são os tapas feitos com presuntos ou frutos do mar, as paejas e calderadas, etc. Mas não agüentei. Na Suíça a carne é péssima e eu odeio comida com molho. Penso que quando tem molho é para esconder a má qualidade dos produtos. Muito envergonhado da minha caipirice, no domingo de chuva fraca, fui conhecer a Plaza Mayor (tem uma feira de moedas e selos) e entrei casualmente em um pequeno restaurante muito simples. Pois para minha sorte, havia deliciosos tapas de polvo vindos do Pacífico, camarões empanados, um presunto e um queijo de enlouquecer. Depois passei na lojinha ao lado, comprei uma mega escultura que vai ser dose levar para o Brasil sem quebrá-la, e acabei conhecendo o famoso mercado São Miguel. Uma maravilha. Me atirei em um apfelstrudel com um creme de baunilha de chorar de tão bom. Como em Madrid em pleno domingo muitas lojas abrem, fiz mais algumas compras nas "rebajas", comprei também dois potes de Dulce de leche espanhol(razoável, não se compara ao La Pataya, o da Suíça por outro lado chega a dar náusea) e acabou-se o que era doce. Voltei para Lausanne.








Madrid VI

O Museo do Prado abriu suas portas em 19 de novembro de 1819, com o nome de Museo Real de Pinturas, mas sua essência começou quatro séculos antes, com a coleção real. Ele nasceu do amor do Rei Fernando VII que pagou do seu bolso por esse museu. Embora tenha uma das coleções mais importantes de Tiziano, possua obras de Tintoretto, Rafael, Van der Weyden e Caravaggio, o que chama atenção mesmo é a arte local, genuinamente espanhola. Suas principais atrações não foram saqueadas de outros países, mas sim produzidas por geniais espanhóis como Goya, Velázques, Rubens, El Greco (embora cretense, seu trabalho foi desenvolvido na Espanha) El Bosco, etc. Chama a atenção como os espanhóis já eram avançados em relação ao resto do mundo, muito antes de Dalí, Miró, Picasso e Almodóvar.


Las meninas ou La familia de Felipe IV
Velázquez

Quando se olha o “El Jardim de las Delicias” de El Bosco, pintado entre 1500 a 1505, tem-se a impressão de que estamos diante de um quadro surrealista tão moderno quantos os trabalhos de Dalí. Somente uma seleta clientela em 1500 pôde perceber sua genialidade. O jardim das delícias não é uma obra de devoção, mas sim de reflexão. O Rei Felipe II compreendeu a dimensão intelectual e comprou várias obras de El Bosco.




Goya (1746-1828), começou a trabalhar para a corte fazendo desenhos para tapeçarias, passou pela pintura religiosa, e com a subida ao trono de Carlos IV foi nomeado pintor de câmara, posição muito prestigiosa. Em um tempo em que nus eram proibidos pela Inquisição pintou “La maja desnuda”. No final da sua vida passou a realizar “Las Pinturas Negras” com características expressionistas. Teve sem dúvida um papel importantíssimo na origem da arte moderna.



La familia de Carlos IV


La maja desnuda


Dos viejos comiendo

Fiquei enfeitiçado pela "Las tres Gracias" de Rubens. A figura da esquerda está inspirada em sua mulher "Hélène Fourment". Esse quadro me atraiu diversas vezes no museu. Rubens manteve essa obra em seu poder até a sua morte. Logo depois ela foi comprada para a coleção de Felipe IV. Maravilhoso ver como o conceito de beleza era outro, e a preocupação do pintor em revelar cada gordura, cada celulite, como algo belo.



Infelizmente o museu não permite que suas obras sejam fotografadas, pois fiquei apaixonado por várias cujo nome e autoria não consegui guardar e não constam no Guia do Museu.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Madrid V

No caminho entre o Museo Reina Sofia e o Museo do Prado havia arte por todos os lados.














Madrid IV



Essa obra gigantesca retrata a cidade de Guernica após o bombardeio pelos nazistas aliados do Generalíssimo Franco em 1937. É famosa a história de que um oficial nazista perguntou para Picasso se ele havia feito isso, e que ele respondeu: não, vocês fizeram isso, eu somente pintei. Essa obra ficou anos emprestada ao Museu de Arte Moderna de Nova York com a condição que somente voltasse à Espanha quanto caísse a ditadura. Em 1981 finalmente ela retornou à Espanha. Tudo o que se disser dessa obra não lhe faz justiça. O impacto que ela provoca é avassalador. Essa foi a segunda vez que Picasso me fez chorar.

Madrid III

O Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofia foi fundado em 1986, mas seu acervo permanente somente foi inaugurado em 1992. Esse fantástico museu possui uma coleção que abarca mais de 120 anos. Também tem várias salas com exposições itinerantes e de arte contemporânea. Sua grande vedete é Guernica, que ultrapassa tudo o que pode escrever ou relatar a respeito. Somente vendo. Picasso é. .. Não vou dizer o óbvio. Eles permitem que alguns setores sejam fotografados, infelizmente no setor em que está Guernica não é possível. Se Madrid não fosse a metrópole sensacional que é, somente por Guernica ou pelo resto do Museu valeria a viagem, por mais longe que seja.


Oskar Schlemmer
Ballet Tridiático


Miró


Salvador Dalí
Muchacha en la ventana, 1925


Salvador Dalí
A irmã de Dalí




Roberto Fernandes Balbuena










Salvador Dalí
El gran masturbador, 1929




Julio Romero de Torres
Lectura, 1901-1902








Picasso
Mujer en azul, 1901





José Gutiérres Solana
Las vitrinas, 1910

Encontrei seres