quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

A experiência

Recebi um e-mail de uma amiga, com uma apresentação em Power Point contando uma história real que a princípio eu não acreditei, mas que após ter confirmado, reproduzo quase fielmente. Em abril de 2007 a jornalista do Washington Post “Gene Weingarten” teve a idéia de convidar um dos músicos eruditos mais famosos dos Estados Unidos para tocar anônimo no horário de rush em uma estação do metrô de Washington DC, para fazer uma experiência sobre percepção, gosto e prioridades das pessoas. “O violonista chegou às 8h e tocou durante 45 minutos. Tocou Bach, Schubert, Manuel Ponce e Massenet. Nesse horário cerca de mil pessoas circularam pelo local. Após três minutos um homem prestou atenção no que ele tocava. Diminuiu seus passos, parou alguns segundos e partiu acelerado. Um minuto mais tarde o violonista recebeu o seu primeiro dólar de uma mulher que também não parou para escutar. Alguns minutos mais tarde, um outro homem se apoiou sob uma coluna para escutar, mas logo foi embora. Quem prestou mais atenção no músico foi um menininho de cerca de três anos, que parou para escutar, mesmo quando sua mãe começou a lhe dizer para andar. Quando ela perdeu a paciência e o puxou, o menino caminhou olhando para trás em direção do músico. Durante os 45 minutos, somente sete pessoas verdadeiramente pararam para lhe escutar por um tempo. No final da apresentação ele havia recolhido US$ 32,00. Somente uma pessoa o reconheceu em um universo de mil. Ninguém se deu conta que se tratava de Joshua Bell, que tocou algumas das peças mais difíceis com um Stradivarius de 1713, que vale 3,5 milhões de dólares. Dois dias antes de tocar no metrô, sua apresentação no teatro de Boston havia esgotado os ingressos, com um preço médio de US$ 100,00. Os pontos da pesquisa eram: em um ambiente público comum e em um horário inapropriado, percebemos a beleza? Paramos para perceber isso? Reconhecemos o talento em um lugar inesperado? Uma das possíveis conclusões dessa experiência poderia ser: Se não temos tempo para parar e escutar um dos melhores músicos do mundo tocando algumas das melhores musicas já escritas, quantas outras coisas estamos perdendo?” Saliento que esse texto acima não é meu, é uma mistura de uma versão em francês e outra em inglês que eu traduzi de forma capenga. Mas pergunto eu, o que vocês acham disso? Será que no Brasil seria diferente, ou teríamos um pouco mais de sensibilidade que os trabalhadores americanos? Acho que o problema foi ele ser anônimo, e não o local. Será que se ele tocasse anônimo em um teatro desconhecido haveria público? Tenho a impressão que uma boa parte das pessoas precisa do certificado de qualidade para saber se algo é realmente bom ou não. Que em uma feirinha de arte em uma praça pública, como a feirinha de Ipanema por exemplo, podemos encontrar obras de arte muito superiores a várias existentes em museus, principalmente nos de arte contemporânea que eu gosto, não me entendam mal, mas que se prestam a muita enganação e marketing.


7 comentários:

  1. Eu não. Brincadeirinha.

    Beijos,

    Terráqueo

    ResponderExcluir
  2. Pois é, acho que a pergunta que se impõem é: eu pararia? Eu reconheceria a beleza? Priorizaria ela à minha urgência, qualquer que fosse?
    Concordo com você, nas feirinhas, nos metrôs, nas ruas, muitas vezes o belo nos assalta mas não costumamos nos dar tempo para usufruí-lo.
    E quando a "coisa" nos é posta com etiqueta e cobrada, (show carerrérrimo de alguem se colocando como famoso e valioso) daí pagamos, e vamos. Mas quanto disso é realmente disfrute, quando é obrigação???
    De qualquer forma, adorei o post.
    Beijo krido.
    Marie

    ResponderExcluir
  3. Marie,

    Acho que a maioria das pessoas vão aos shows e exposição por obrigação e para serem vistas. Se sairem na "Faces" melhor ainda.

    Beijos,

    Terráqueo

    ResponderExcluir
  4. Face?!?!?!!?!? Auahuahauahauhau!!!
    Muito bom.
    Também acho. O diabo é que mostram normalmente a "outra face". Não oculta.
    Hehehe.
    Bon voyage.
    Profite toi.
    Bisous

    ResponderExcluir
  5. Olá Marcelo,
    A experiência é emblemática e acho que tem a ver com o cansaço sonoro e visual de nossos dias. Há tanta informação e solicitação que a gente fica insensível.
    Vale o alerta e o desacelerar para ficar com "olhos de ver" e ouvidos de escutar".
    Bjos. da Tia

    ResponderExcluir
  6. Quitéria,

    Tenho certeza que com a tua sensibilidade pouca coisa lhe escapa.
    Um grande beijo, saudades,

    Terráqueo

    ResponderExcluir

Encontrei seres