terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Madrid VI

O Museo do Prado abriu suas portas em 19 de novembro de 1819, com o nome de Museo Real de Pinturas, mas sua essência começou quatro séculos antes, com a coleção real. Ele nasceu do amor do Rei Fernando VII que pagou do seu bolso por esse museu. Embora tenha uma das coleções mais importantes de Tiziano, possua obras de Tintoretto, Rafael, Van der Weyden e Caravaggio, o que chama atenção mesmo é a arte local, genuinamente espanhola. Suas principais atrações não foram saqueadas de outros países, mas sim produzidas por geniais espanhóis como Goya, Velázques, Rubens, El Greco (embora cretense, seu trabalho foi desenvolvido na Espanha) El Bosco, etc. Chama a atenção como os espanhóis já eram avançados em relação ao resto do mundo, muito antes de Dalí, Miró, Picasso e Almodóvar.


Las meninas ou La familia de Felipe IV
Velázquez

Quando se olha o “El Jardim de las Delicias” de El Bosco, pintado entre 1500 a 1505, tem-se a impressão de que estamos diante de um quadro surrealista tão moderno quantos os trabalhos de Dalí. Somente uma seleta clientela em 1500 pôde perceber sua genialidade. O jardim das delícias não é uma obra de devoção, mas sim de reflexão. O Rei Felipe II compreendeu a dimensão intelectual e comprou várias obras de El Bosco.




Goya (1746-1828), começou a trabalhar para a corte fazendo desenhos para tapeçarias, passou pela pintura religiosa, e com a subida ao trono de Carlos IV foi nomeado pintor de câmara, posição muito prestigiosa. Em um tempo em que nus eram proibidos pela Inquisição pintou “La maja desnuda”. No final da sua vida passou a realizar “Las Pinturas Negras” com características expressionistas. Teve sem dúvida um papel importantíssimo na origem da arte moderna.



La familia de Carlos IV


La maja desnuda


Dos viejos comiendo

Fiquei enfeitiçado pela "Las tres Gracias" de Rubens. A figura da esquerda está inspirada em sua mulher "Hélène Fourment". Esse quadro me atraiu diversas vezes no museu. Rubens manteve essa obra em seu poder até a sua morte. Logo depois ela foi comprada para a coleção de Felipe IV. Maravilhoso ver como o conceito de beleza era outro, e a preocupação do pintor em revelar cada gordura, cada celulite, como algo belo.



Infelizmente o museu não permite que suas obras sejam fotografadas, pois fiquei apaixonado por várias cujo nome e autoria não consegui guardar e não constam no Guia do Museu.

3 comentários:

  1. Estive em Madri em 2008 e tal qual você fiquei de queixo caído, hipnotizada pela riqueza guardada nos Museus do Prado, Reina Sofia, Thyssen-Bornemisza. Os tecidos e brocados pintados por Goya são de arrepiar. A arte é realmente algo que emociona e transcende, captura o olhar e nos faz reféns da beleza e perfeição criadas pelas mãos do artista.

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  2. Lucia,

    Me senti capturado. Você utilizou a palavra certa.
    Um grande abraço,

    Terráqueo

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  3. Bem, tiver que parar de ler e servir-me de um vinho para continuar olhando e degustando tudo isso aqui.
    Eu estive em Madrid em 2007, e não podia me conter para esperar o momento de conhecer o Prado e o Rainha Sofia, dos quais já tinha lido e ouvido falar tanto. É difícil dizer o que é mais genial e maravilhoso por ali. O Thyssen também me deixou muito feliz. Passei literalmente horas em cada um, a ponto de no final quase sair arrastada. Ver essas obras que até então tinha contemplado apenas em livros é alguma coisa extraordinária. Bosco me "capturou" por mais de uma hora. Não conseguia parar de olhar e procurar os detalhes que desde pequena (em idade) eu namorava nas gravuras dos livros. Esta obra sempre me encantou. E o Goya, mesmo em sua fase negra, ou nela mais ainda, é arrebatador.
    Enfim, reitero minha respeitosa e inocente embora imensa, INVEJA de você.

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