quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Para sempre

Uma rápida mirada para ela foi o suficiente para que ele mudasse de direção, se aproximasse, e não quisesse sair de perto por nada nesse mundo. Dois dias após ele a convidou para dançar e eles se apaixonaram perdidamente. Mas eles não eram destinados a ficar juntos. Não estavam prontos. Tentaram por anos, e depois de muitas idas e voltas, finalmente decidiram se separar. Raramente se viram depois disso. Preferiram se evitar. Durante muitos anos ele sonhou com ela todas as noites. Nos sonhos ele a encontrava nos lugares mais insólitos, no deserto, no telhado da casa, em uma praia isolada, em cima de uma árvore, se olhavam por um instante, mas ela logo desaparecia. Ele então esperava ansioso pelo encontro da próxima noite, que foi ficando cada vez mais fugaz conforme o tempo avançava, até que em uma noite de inverno ele parou de sonhar. Passados outros tantos anos, quando ele menos esperava, em uma madrugada de verão ele voltou a sonhar com ela no exato momento em que ela também sonhava com ele. Por alguma razão inexplicável esses dois sonhos se fundiram, e nesse sonho conjunto durante o amanhecer eles pegaram um balão e voaram para lugar nenhum. Somente os dois abraçados, olhando-se fixamente, em paz, felizes na direção do Sol. Eles esqueceram que haviam se tornado outras pessoas. Ficaram em silêncio para que os seres do passado pudessem se reencontrar. Não queriam que nada os interrompesse. Sabiam que aquela viagem seria para sempre. Sem fome, sem sono, sem frio, sem dor, sem lembranças de outros amores ou pessoas. Somente os dois e o vento. Para sempre.

10 comentários:

  1. Lindo. Perfeito. Completamente poético e idílico.
    Adorei seu final.
    Beijo
    Marie

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  2. Espero que você não esteja se referindo ao final publicado ontem à noite. Eu modifiquei para essa versão hoje de manhã.

    Beijo,

    Terráqueo

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  3. Muito bom, mais um para a coleção. E a música do Renato Russo cantada pela Cássia Eller (os dois já se foram) é 10.

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  4. Muito obrigado. Eu escolhi essa música porque ela me lembra momentos bons da fase que inspirou a primeira parte do conto.
    Abraço,

    Terráqueo

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  5. Querido,

    Adorei, depois do comentário que fizestes para Marie, fui reler. Eu havia lido a primeira versão, onde aparecia a morte. Agora li a nova versão onde o leitor pode imaginar mais. É muito interessante ler finais diferentes, pois depois que li o primeiro, me parece claro que eles estão mortos... bj Margot

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  6. Tentei suavizar um pouco. Eu não tenho dúvida de que os personagens que inspiraram esse pequeno conto deixaram de existir, morreram há muitos anos. Mas como sou um romântico, acho que até mesmo os novos seres em que se transformaram esses tristes personagens poderiam se apaixonar. E não seria café requentado, pois teriam que se redescobrir. Retirei a referência explícita a morte para não assustar meu leitores, e para deixar que algum leitor mais otimista vislumbre um final um feliz para aqueles dois que se amavam tanto.

    Beijos,

    Marcelo

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  7. Não meu krido, eu não havia lido a versão de ontem ou ante-ontem à noite. Tinha lido essa mesma que achei perfeitamente idílica e romântica.
    No romantismo aliás, a morte é a amiga benfazeja, a única que pode redimir e reunir os amantes.
    A felicidade para o romântico é justamente apenas possível no mundo do Never More!!!
    Um beijo
    Marie

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  8. darling não tenho palavras para dizer o quanto achei lindo um grande beijo

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  9. Darling, beijos, tenho te ligado mas ninguém atende.

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  10. Marie,
    Estou fazendo de tudo para me convencer que deixei de ser um romântico. Se eu não conseguir, será que vou ter que esperar o mundo do Never More que eu nem acredito para ser feliz?

    Beijo,

    Terráqueo

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