quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Preocupação de país rico é uma beleza

Não é só com a produção cada vez mais limitada do Caviar Beluga que eles se preocupam. Na Suíça eles são preocupadíssimos com vazamentos de produtos químicos ou nucleares. Fazem todos os anos um treinamento que acontece no país inteiro ao mesmo tempo. Ontem em toda a Suíça tocaram sirenes de alerta para lembrar às pessoas que quando elas ouvirem essas sirenes devem imediatamente entrar em casa, trancar tudo, fechar as janelas, desligar a ventilação, não usar os telefones para não congestionar as linhas, e escutar no rádio as instruções do governo. Perguntei para a minha gentilíssima professora de Francês que é uma elegante senhora suíça se alguma vez ela havia escutado as sirenes sem que fosse um treinamento. Ela disse que não, mas que isso era muito importante em um caso de real emergência. Vai que acontece um acidente de verdade. É preciso estar preparado. Refleti a respeito, e pensei como seria no Brasil se houvesse um vazamento nas usinas nucleares, que estão situadas entre as duas maiores metrópoles do país, nos arenosos terrenos de Angra dos Reis. Afinal se até na cuidadosa Suíça eles acham que acidentes podem ocorrer, não podemos afastar essa possibilidade no nosso amado Brasil. Acho que a reação inicial do governo seria negar, culpar algum raio ou força da natureza, lamentar o incidente, mas...... Não, não vou criticar nossos dirigentes com base em uma mera hipótese tão suíça. Oh Deus dos ateus! Divino Atom dos acidentes atômicos! Estou começando a pensar como eles. Há duas semanas tive até um pesadelo em francês, o que ainda é mais duro do que em brasileiro (nunca sonhei com sotaque português). Ajude-me por favor a não me tornar um ser tão ....

Os suíços também estão muito preocupados com o futuro das prostitutas, pois está havendo um excesso de oferta, causando uma disputa injusta nos preços e uma crise no setor. No AUJOUR’HUI SUR WWW.20MINUTES.CH de ontem estava publicado, que a alta do numero de prostitutas em Zurique está inflacionando o mercado. Foram 795 novas prostitutas em 2009 contra 605 em 2008. A maioria dos países do leste europeu, sendo que mais de trezentas vieram da Hungria, terra do genial Sandor Marai, que escreveu um livro inteiro sobre a mulher certa. Para muitos evidentemente elas são a mulher certa. Que sacanagem mencioná-lo nesse tipo de notícia. Ninguém merece. Mas como eu sou invejoso daquele talento todo, vou manter a referência e continuar a apresentar os dados estatísticos que com certeza são do interesse dos meus poucos mas pacienciosos leitores. Em segundo lugar vem as suíças(75) e as alemãs. Eles consideram isso demais para o mercado de Zurique. A concorrência se tornou insustentável. Em contrapartida o número de estabelecimentos para a prática dessa profissão antiga e difícil, diminuiu de 320 para 270. É a lei da oferta e procura a atingir todos os mercados, a derrubar os empresários e as trabalhadoras de Zurique. Quando li essa noticia, pensei primeiro que um jornal sério não deveria tê-la publicado. Mas depois, passei a enxergar isso como uma ajuda ao mercado. Uma propaganda subliminar, afinal noticiaram para o país inteiro que tem carne fresca no pedaço e que estão liquidando geral. Isso é melhor do que os "Soldes" de Natal. Lembrei que em 2006, quando eu morava em Genebra, fiquei impressionado com o número de prostitutas nas ruas, mercado dominado pelas brasileiras e também pelas mocinhas do leste europeu. Na famosa Rue de Bern era como se você estivesse em Copacabana. Quando elas estão passadas na famosa praia e rechonchudas de mais, vão para Genebra e arrasam. Batem um bolão na Suíça. Nunca esqueci que veio uma simpática carioca me convidar para um programa, e antes que eu pudesse reagir ela pegou a minha mão com a bergamota (mexerica) e tudo que ela estava comendo. Não confundam com mixirica por favor. Como fiquei com a aquele cheiro forte na mão, e como não queria deixar minhas luvas novíssimas fedendo, encaranguei os dedos até o banheiro mais próximo. Já as loiríssimas mocinhas do leste europeu, ao invés de ficarem na rua geladas com uma mini-saia curtíssima como as brasileiras, ficavam em luxuosas boites e casas de tolerância (adoro essa palavra). Na época meu complexo de cucaracha era mais forte do que hoje, e lembro que fiquei ofendidíssimo quando uma senhora me perguntou se todas as brasileiras eram prostitutas. Ao invés de ignorar a burrice da interlocutora, falei que não. Que o Brasil era um país muito mais conservador que a Europa. Que infelizmente ainda estávamos presos aos preconceitos e ao atraso da igreja católica. Que as prostitutas vinham todas para a Suíça porque esse era o tipo de mulher que os suíços gostam. Hoje teria sorrido e pensado. Tadinha, como é grossa, mas não diria nada. Sorriria de pena.

2 comentários:

  1. Minha amiga Amélia, portuguesa com certeza, que viveu por anos na Suiça, sempre me disse que os suiços são todos uns Gogoles que vivem uma miséria existencial eterna. Lembro que na ocasião, disse a ela que viesse conhecer o Brasil e nunca mais iria sair daqui e teria a oportunidade de conhecer a miséria de fato e de verdade. Ela veio, está há anos aqui ( tem um Bistrô Luso-Suiço, no Corrego Grande em Floripa), e para todo mundo que pergunta: how come?, responde que por culpa minha.
    Mas gostei do texto, e mais ainda do clipe. Adoro a musica e o filme. Ela é minha Cinderela preferida.

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  2. Eu também adoro esse clipe. Sou apaixonado pela Julia Roberts, e fiz questão de ir ao restaurante do Berverly Hills Wilshire Hotel somente por causa do filme. Mas a minha Cinderela predileta é a prostituída e drogada, que ama o cafetão e tem um vibrador mágico.

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