domingo, 14 de fevereiro de 2010

Retrospectiva Alberto Giacometti

Em 03 de fevereiro desse ano a Sothebys vendeu uma escultura do Alberto Giacometti (1901 a 1966), chamada o "L'Homme qui marche I", pelo valor de £65 milhões (US$ 104,3 milhões), estabecendo um novo "record" em leilões de arte. Essa escultura foi disputada arduamente por 10 proponentes, tendo sido vendida por telefone em poucos minutos. O vencedor preferiu permanecer anônimo. A escultura realizada em 1956 é considerada uma das melhoras obras de Giacometti. Faria parte de um projeto integrado por outras várias esculturas em tamanho monumental encomendado pelo Chase Manhatan Plaza em Nova Iorque. O projeto foi modificado e restaram apenas algumas dessas peças, sendo que o L’Homme qui marche I e o L’Homme qui marche II se tornaram ícones. Eu já havia ficado fascinado pelo trabalho do Giacometti quando vi algumas peças dele em destaque na exposição Pop Life Art da Tate Gallery, que foi comentada nesse blog em dezembro. Mas hoje ao visitar no Musée Rath de Genebra uma retrospectiva do conjunto da sua obra, eu alucinei. Tive inclusive a sorte de ver um outro Homme qui Marche, de 1947. Fiquei sabendo da importância do seu trabalho, que ele foi um dos primeiros escultores a romper com o academicismo, a introduzir o surealismo, do seu talento como desenhista e pintor. Giacometti representou para a escultura o que Picasso representou para a pintura. Seus momentos mais criativos foram durante a crise dos anos 30 e durante a segunda guerra. A exposição mostra seus primeiros desenhos acadêmicos (que são maravilhosos), a influência da arte africana (quando vi pela primeira vez suas obras, lembrei imediatamente das esculturas africanas de Moçambique), a descoberta do movimento, a diminuição das suas esculturas a algo quase mínimo durante a segunda guerra (fica difícil de enxergá-las de tão pequenas que são), e a recuperação do espaço após o término da segunda guerra quando elas puderam finalmente crescer e existir livremente tornando-se enormes. A sensação que eu tenho é que nos anos 30 ele criou a maioria das formas que hoje são copiadas ou reinventadas. É impressionnante a semelhança de suas pinturas com as do Iberê (dá pra dizer que foram feitas pela mesma pessoa) e das suas esculturas com as do Stockinger. Acho que os brasileiros estavam em sintonia com ele. Adorei também essas duas frases pintadas nas paredes do museu, traduzidas com muita dificuldade em razão do meu francês limitado :

“Plus je regardais le modèle, plus l’écran entre sa réalité et moi s’épaississait. On commence par voir la personne qui pose, mais peu à peu toutes les sculptures possibles s’interposent ... entre elle et vous.”
Alberto Giacometti

"Quanto mais eu olhava o modelo, mais o retrato entre a sua realidade e a minha se complicava. Começamos por ver a pessoa que posa, mas pouco a pouco todas as esculturas possíveis gradualmente se interpõem....entre ela e você."


"Il y a des moments qu’on peut appeler des crises et qui sont les seuls qui importent dans une vie."
Cäsar Menz – Directeur honoraire des Musées d’art et d’histoire de la Ville de Genève

"Existem momentos que podemos chamar de crises e que são os únicos que importam em uma vida.”

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Encontrei seres