quarta-feira, 31 de março de 2010

Nonsense, redundante disparate.

Virou poeira, que o vento varreu, a água encharcou, o sol torrou, e que nem a lua nem ninguém se importou. Quem não gostaria de mudar tudo, começar de novo, tentar novamente, cometer novos erros, errar mais ainda, acertar de vez em quando, virar poeira outra vez, e ressurgir novamente jovem e forte, sem tristeza alguma?

Leila Maria, uma grande cantora do Rio e do Brasil

Divido com vocês a voz da maravilhosa Leila Maria. Tenho a sorte de ser amigo dessa extraordinária mulher. Ouví-la cantar foi uma das minhas alegrias em 2009. Seu album Off Key é uma obra-prima.

terça-feira, 30 de março de 2010

O encontro

O encontro foi inesperado. Ele não soube como agir. Depois de tanto tempo, ainda não estava pronto. Não quis deixar transparecer a felicidade do reencontro e a imensa tristeza pela iminente separação. A dor voltou imediatamente, um pouco mais fraca, mas ainda muito forte. Seus olhos revelaram o impossível de dizer. Melhor seria não ter acontecido. Os dois haviam perdido muito, e ele não era um bom perdedor.

Deusa Kathleen Turner

Tenho a maior admiração por Kathleen Turner. Essa extraordinária mulher foi uma das mais belas atrizes de Hollywood, e no auge de sua carreira enfrentou um atrite reumatóide que lhe impediu de se movimentar e que lhe causou dores horríveis. Após receber um diagnóstico de que terminaria em uma cadeira de rodas, travou uma árdua luta com a doença e pode finalmente voltar ao trabalho, com enorme sucesso nos palcos e na TV (agora em Californication). Nos últimos anos se dedicou mais ao teatro e em 2005 recebeu sua segunda nominação ao Tony Award pela sua atuação como Martha em "Who's afraid of Virginia Woolf". Ela é a prova viva de que mesmo quando a beleza diminui, o talento e a inteligência continuam a fascinar.



segunda-feira, 29 de março de 2010

Desejo

Quero uma paixão avassaladora, que me faça perder o controle, sentir calor, querer mais, transgredir.

domingo, 28 de março de 2010

Para você

Para você que não tem como saber de mim, que não tem como me ler, e que não pode mais me encontrar.

Noite Vazia

Noites insones, noites vazias. Tempestades internas.

Zurich III

O inesperado não fez a surpresa tão esperada, mas a noite sob o ponto de vista antropológico foi interessante. Em um bar fiz amizade com um suíço que havia acabado de levar o fora da namorada, e que estava afim de tomar um porre e de percorrer todas as festas da noite. Depois de umas e outras, fomos para o segundo bar, freqüentado por gente bonita e arrumadinha. Nesse lugar começamos a conversar com um grupo. Cinco minutos depois, descobri que vários mantinham relações comerciais com o meu trabalho. Achei melhor não tomar um porre na frente de pessoas que provavelmente sentarei um dia para negociar e sugeri partirmos. Fomos então para um local alternativo. O lugar era lindo, mas não me interessei por ninguém. Sendo totalmente politicamente incorreto, parecia a noite das bruxas cubanacan ricas. Foi quando lembrei que alguém no outro bar havia falado de uma festa fechada em um hotel de luxo. Como sou brasileiro e cara de pau, sugeri tentarmos furar a festa. Pois não é que deu certo. Nesse local, conheci um casalzinho fantástico. Ele suíço, e ela venezuelana. Um barato, adorei eles. Comecei a ficar preocupado com o teor alcoólico do meu novo amigo, e somente sosseguei quando vi ele chamar um táxi. Fiquei com medo que apagasse por ali mesmo. Eu não lembrava mais seu nome, e muito menos saberia seu endereço. Depois de eu mesmo ter virado um drink na mesa, e quebrado uma outra taça de martini enquanto brindava, voltei para o centrão e baixei de nível legal. Meia hora depois, vi que era melhor voltar para o hotel e dormir, só, infinitamente só, com a minha tristeza e desolação.












Escultura Niki de Saint Phalle

sexta-feira, 26 de março de 2010

Feliz Aniversário Porto Alegre





Zurich I

Obedeci a ordem do Maia e fui ao Cabaret Voltaire, berço do Dadaísmo. O local ainda é muito charmoso. Guarda a atmosfera do despertar do século XX. Esse clube foi fundado em 1916 pelo filósofo e romancista Hugo Ball e pela sua companheira e cantora Emmy Hennings. Com a galeria DADA surgiu um novo espaço para os artistas experimentarem a liberdade artística. Valeu a ida.

"O movimento Dadá (Dada) ou Dadaísmo foi uma vanguarda moderna iniciada em Zurique, em 1916, no chamado Cabaret Voltaire, por um grupo de escritores e artistas plásticos, dois deles desertores do serviço militar alemão e que era liderado por Tristan Tzara, Hugo Ball e Hans Arp.
Embora a palavra dada em francês signifique cavalo de brinquedo, sua utilização marca o non-sense ou falta de sentido que pode ter a linguagem (como na língua de um bebê). Para reforçar esta ideia foi criado o mito de que o nome foi escolhido aleatoriamente, abrindo-se uma página de um dicionário e inserindo-se um estilete sobre ela. Isso foi feito para simbolizar o caráter anti-racional do movimento, claramente contrário à Primeira Guerra Mundial. Em poucos anos, o movimento alcançou, além de Zurique, as cidades de Barcelona, Berlim, Colônia, Hanôver, Nova York e Paris." - Wikipedia













Adorei as vitrinas. Amanhã vou comprar três anões de jardim e levá-los de presente para o Brasil







quarta-feira, 24 de março de 2010

Paraíba

Nada escapava aos olhos, ouvidos e à narração da pequena Paraíba. Mesmo com o primeiro grau incompleto, dera um jeito de morar em um charmoso edifício de conjugados em Ipanema com vista para o mar e para o Cristo, e em pouco tempo tornara-se a síndica. Não era feia também. Pele clara, olhos redondos e escuros, tinha um bonito sorriso e uma aparência jovial para uma mulher pouco cuidada na casa dos 40. Era bem resolvida amorosamente, há um bom tempo namorava um homem bem mais velho. Para pagar suas contas, trabalhava durante o dia como secretária em Copacabana e fazia faxinas nos apartamentos dos vizinhos. Mas ela não se limitava a isso. Gostava de redecorar a casa de seus clientes, comprando os mais vistosos utensílios plásticos que se pode imaginar. Seu forte, no entanto, eram os conselhos sentimentais que ela distribuía generosamente. Para corroborar suas posições, contava sempre os problemas dos outros vizinhos que infelizmente não seguiram sua orientação e que por isso estavam na pior. Dentre os seus preferidos estavam Eduardo, morador do segundo andar, sua vizinha de porta que era uma linda vendedora de uma boutique, e a arquiteta moderninha do terceiro andar. Ela haveria de casar seu queridinho com uma dessas duas. Ainda mais que ela detestava a esnobe e barulhenta namorada do Eduardo, que segundo ela fizera que com eles fossem conhecidos pelos demais moradores como o casal “geme-geme”. Ela lhe contou que demorou horas para acalmar a crente do apartamento de cima que ficava nervosa com os barulhos noturnos. Pediu-lhe então que fossem um pouco mais “silenciosos”. Mas ela sabia como acabar com esse problema. Ela lhe apresentaria a vendedora, que pela cara de boa moça do interior não deveria fazer barulho algum. Decepção total. Eduardo não se interessou. Embora bonita, ela tinha um jeito de burrinha. Ele preferiu continuar com sua namorada, até que em uma noite ele abriu a porta do edifício para um engravatado com um vaso de flores que continuou a subir a escada. Foi o tempo do Eduardo entrar no seu apartamento, tirar o terno e abrir a janela, para ele ver o engravatado saindo do edifício esbaforido, e o vaso de flores caindo do terceiro andar quase na cabeça do pobre coitado. Ele adorou. Parecia cena de cinema. Quem seria a autora de tão transloucada atitude? Perguntou para a Paraíba, que lhe contou tim tim por tim tim. Foi a charmosa arquiteta que após ter sido enganada, estava fazendo o namorado penar. Poucos dias depois, Eduardo encontra a arquiteta no corredor que, ao ver uma cadeira modernosa em seu apartamento, lhe pediu para entrar e olhar melhor. Como a mudança de Eduardo estava ainda parcialmente encaixotada, ela prontificou-se para arrumar o apartamento e naquela noite mesma colocou tudo em seu lugar. Dali por diante, estabeleceram uma grande amizade, e em pouco tempo a arquiteta ensinou o caminho das pedras para a furiosa ex-namorada de Eduardo (“É simples, vai até a praia, caminha em direção do Arpoador, sobe no rochedo, e se atira querida”). Embora não namorassem oficialmente, pois ela ainda estava as voltas com o ex, estavam sempre próximos e confidenciavam tudo um ao outro. Uma certa noite, no entanto, o edifício inteiro acorda com os gritos das vizinhas do apartamento térreo de fundos. “Ladrão, ladrão, socorro!”. A Paraíba logo gritou: “Fiquem nos seus apartamentos, ele está armado. Acabou de sair o apartamento das meninas do primeiro andar e foi para o apartamento do Eduardo.”. Ao ouvir isso, a arquiteta moderninha se desesperou. Pensou que o bandido estivesse no apartamento do seu amigo, e começou a gritar para saber se ele estava bem. Foi então que Eduardo lhe telefonou e disse que se acalmasse. Que o bandido deveria estar no apartamento de um outro morador com o mesmo nome. Falou que ela não abrisse a porta e ficasse abaixada, pois a polícia e os vizinhos do lado começaram a atirar para dentro do edifício para pegar o bandido. A Paraíba berrou para todos: “O bandido está no patiozinho do apartamento do Edu cabeleireiro.”. O cabeleireiro e seu companheiro se desesperaram, começaram a berrar, ainda mais histéricos do que as meninas. O bandido apavorado com os tiros da polícia e dos vizinhos para o corredor de entrada do edifício subiu pela escada até a porta de Eduardo. Como não conseguiu arrombar a porta, ele quebrou a janela basculante da lateral do edifício com e extintor do corredor, e fez com a mangueira de incêndio uma corda para descer do segundo andar para a rua. A polícia vendo que o bandido estava na realidade desarmado, parou de atirar. Após o camburão da polícia ter saído com o meliante, os moradores todos desceram. Outros dois policiais resolveram revistar os apartamentos para saber se havia algum ferido ou morto. Suspense geral. Quem seria a vítima? Quando a polícia entrou, a Paraíba disse: “Aposto que foi a piranha do 305 que trouxe esse sujeito para cá.”. Uns quinze minutos depois todos são novamente sacudidos pelo barulho de uma ambulância que leva a moça do 305 inconsciente, para o deleite da Paraíba que mostrava no rosto um indisfarçável sorriso com cara de “eu não disse?”. Às sete da manhã, o edifício finalmente se acalmou e todos seguiram com suas vidas. À tardinha, como para que saudar todos os moradores e assegurar que tudo voltara o normal, a Paraíba estava na porta do edifício a explicar o ocorrido e a mostrar os furos das balas na porta e nas paredes. Ele não era um ladrão. Era um estrangeiro, diretor de uma multinacional que achou que a GP (garota de programa) havia morrido de overdose, e resolveu sair pela janela, deixando a porta trancada por dentro para evitar complicações, mas que infelizmente fora visto pelas meninas do térreo e confundido com um ladrão. Tudo não passara de um quase fatal engano. Anos depois, Eduardo encontra a arquiteta na rua e eles vão almoçar. Ela lhe conta que acabara de se divorciar do mesmo ex-namorado, e que a Paraíba havia se casado com um velho ricaço, que estava muito bem obrigada. Um merecido final feliz, pelo menos para a batalhadora Paraíba.

Glossário para os portugueses: Paraíba é um dos mais pobres Estados do Nordeste brasileiro e também o apelido dos imigrantes nordestinos no Rio de Janeiro.
Arpoador é um penhasco na praia de Ipanema.

terça-feira, 23 de março de 2010

Me pego cantando, sem mais, nem por quê

É tão óbvio mas tão difícil de ser entendido. Não se deve sofrer por quem partiu. Tudo termina. Não adianta desperdiçar sua vida chorando. O tempo perdido é muito pior. Não volta mais.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Mauvaise foi

Um casal de namorados, ela judia, ele árabe, foram felizes por 4 anos sem qualquer incidente causado em razão das diferenças religiosas, até que ela fica grávida e eles têm que enfrentar o preconceito das respectivas famílias. Esse filme de 2006, com direção de Roschdy Zem, estrelado por Cécile de France e pelo prórpio Roschdy Zem, recebeu uma indicação de Melhor Filme para o Cesar. Embora não seja uma obra-prima, pelo menos foge do padrão hollywoodiano. Outro filme estrelado por Cécile de France que eu recomendo (imperdível) é o Avenue Montaigne que tem várias cenas filmadas no Bar Des Théâtres e no Plaza Athénée . Essa é sem dúvida uma talentosíssima atriz.

Super-radars

Inaugurado os “super-radars” na Suíça. Esses dispositivos filmam os veículos no início e no final de um determinado trajeto, e calculam a velocidade média de cada veículo. Se ultrapassarem o limite, multa. O objetivo é melhorar o tráfico e evitar as frenagens intempestivas antes do radar. Espero que essa novidade chegue logo nas nossas perigosíssimas estradas brasileiras. Achei muito legal a campanha de conscientização no Bairro Moinhos de Vento em Porto Alegre, através de sinais pintados no chão indicando o local correto de travessias, e que conta com o apoio de jovens que ensinam os pedestres a esticarem o braço indicando que vão ultrapassar a faixa. Isso é fundamental em Porto Alegre, pois ninguém respeita a faixa de segurança, nem os motoristas, nem os pedestres, que mesmo assim pensam serem criaturas do primeiro mundo. Lembro que uma vez fui advertido com um megafone por um policial em San Diego porque atravessei a rua antes da faixa. Na Suíça, o pedestre que atravessar a rua antes da faixa de segurança também paga uma pesada multa. Não é por nada que os brasileiros rodam em massa nos exames de habilitação na Suíça, mesmo quando acostumados a dirigir por 20 anos no Rio e em São Paulo. Essa campanha é um bom início, embora nos países civilizados baste a pessoa colocar o pé na faixa, que os veículos são obrigados a parar. Ai de quem não parar. Tem grande chance de acabar com um processo ou no xilindró. Em Porto Alegre, em plena esquina com a Padre Chagas (em frente ao Press Café) e em frente ao Shopping Moinhos, pude constatar que os motoristas ignoram os pedestres, param em cima das faixas de segurança, e trancam os cruzamentos. Coitados dos pedestres que tem que se aventurar e apressar o passo.

domingo, 21 de março de 2010

Mães e Filhas

Para aqueles que não aguentam mais a mesmice do cinema americano, recomendo Mères Et Filles, um filme de Julie Lopes-Cural, com as talentosas e belas Catherine Deneuve, Marina Hands e Marie –Josée Croze. Mostra as dificuldades de relacionamento entre uma mãe (que foi abandonada quando menina pela própria mãe) e a sua filha que está grávida. Esse filme corrobora a minha teoria de que por mais nebulosos e sombrios que sejam, os segredos de família sempre são descobertos pela segunda ou terceira geração. Embora a temática seja pesada, a fotografia é tão linda e o trabalho das atrizes é tão bom, que eu quero rever várias vezes. Quando passar no Brasil, parece que estréia em 26 de março, por favor não percam. No Brasil vai se chamar Diário Perdido.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Fundação Iberê Camargo

Hoje estive na Fundação Iberê Camargo. Já conhecia bem o acervo do genial Iberê pois alguns anos atrás visitei várias vezes a retrospectiva montada no Paço Imperial na qual também era exposta a maquete da Fundação. Fiquei impressionado com a sede da Fundação. Lembrou o Guggenheim de Nova Iorque, mas ainda é mais bonita. Foi projetada pelo arquiteto português Alvaro Siza, considerado um dos cinco arquitetos contemporâneos mais importantes do mundo. Merecida a premiação do projeto com o Leão de Ouro da Bienal de Arquitetura de Veneza em 2002 e o mérito especial da Trienal de Design de Milão. O local é arrasador. Dessa vez, não pude apreciar a totalidade do acervo, pois está sendo preparada uma exposição com obras de Leon Ferrari e Mira Schendel vindas do MOMA. Essa exposição será aberta ao público em 08 de abril. Parabéns Porto Alegre.




Auto-Retrato

Tudo é falso e inútil IV

Tudo é fácil e inútil I - 1992


Solidão 1994






Encontrei seres