domingo, 28 de março de 2010

Zurich III

O inesperado não fez a surpresa tão esperada, mas a noite sob o ponto de vista antropológico foi interessante. Em um bar fiz amizade com um suíço que havia acabado de levar o fora da namorada, e que estava afim de tomar um porre e de percorrer todas as festas da noite. Depois de umas e outras, fomos para o segundo bar, freqüentado por gente bonita e arrumadinha. Nesse lugar começamos a conversar com um grupo. Cinco minutos depois, descobri que vários mantinham relações comerciais com o meu trabalho. Achei melhor não tomar um porre na frente de pessoas que provavelmente sentarei um dia para negociar e sugeri partirmos. Fomos então para um local alternativo. O lugar era lindo, mas não me interessei por ninguém. Sendo totalmente politicamente incorreto, parecia a noite das bruxas cubanacan ricas. Foi quando lembrei que alguém no outro bar havia falado de uma festa fechada em um hotel de luxo. Como sou brasileiro e cara de pau, sugeri tentarmos furar a festa. Pois não é que deu certo. Nesse local, conheci um casalzinho fantástico. Ele suíço, e ela venezuelana. Um barato, adorei eles. Comecei a ficar preocupado com o teor alcoólico do meu novo amigo, e somente sosseguei quando vi ele chamar um táxi. Fiquei com medo que apagasse por ali mesmo. Eu não lembrava mais seu nome, e muito menos saberia seu endereço. Depois de eu mesmo ter virado um drink na mesa, e quebrado uma outra taça de martini enquanto brindava, voltei para o centrão e baixei de nível legal. Meia hora depois, vi que era melhor voltar para o hotel e dormir, só, infinitamente só, com a minha tristeza e desolação.












Escultura Niki de Saint Phalle

10 comentários:

  1. Quanta tristeza e vazio que esse texto acordou em mim...(mas belas fotos anyway)

    Bjs

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  2. Parece ter sido uma longa e interessante noite.

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  3. Longa, interessante, mas vazia. Quanto tempo dura um vazio?

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  4. Senti vontade de estar perto, ser amiga, passar a noite em longa conversa, acompanhada por um bom vinho e duas taças de cristal, dar risada, falar bobagem, esquecer, abrir a segunda garrafa, mesmo sabendo que a primeira já era suficiente, falar mais bobagem, salvar o mundo, criticar os hipócritas, admirar a arte de Picasso, experimentar o Vacherin Mont-D'or, esquecer mais... Não nos conhecemos, mas somos do mesmo planeta, terráqueos enfim, e a empatia me permite desejar ser próxima de alguém tão distante, talvez precisando apenas de um par de ouvidos e de olhos atentos.

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  5. Terráqueo, essa sensação de solidão é passageira. Você é uma criatura que está sempre muito bem acompanhado pela própria brilhante personalidade quanto pela quantidade imensa de pessoas que te querem extremamente bem. Às vezes, a ausência de um par faz com que a gente pareça menor e solitário, mas um par pode ou não ser uma companhia de verdade. Tem gente vivendo na mais absoluta solidão dentro de uma família e nem sabe, num motocontinuo de ignorância a respeito de si mesmo, sozinho dentro de si. Não é o seu caso. Você é uma casa cheia tenha gente ou não ao seu lado.

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  6. Quem tem uma bípede por perto nunca está totalmente sozinho.
    Terraqueo (maior abandonado)

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  7. Darling você não é sozinho pode sempre contar comigo te adoro um grande beijo

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  8. Eu sei disso. Vc também pode contar sempre comigo. Beijos.

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Encontrei seres