quarta-feira, 14 de abril de 2010

Como vai Dona Medusa?

Todos a evitavam, viravam as costas para a velha senhora com olhar profundo que congela e cabelos de Medusa. Após sua partida, a pequena cidade inteira havia se revoltado. Como se pode abandonar o companheiro de tantos anos, justamente quando ela está sendo internado no hospital para não mais voltar? Não aparecer nem no enterro? Mas ela tinha seus motivos. Não gostava da família que estava para chegar, tinha pavor a hospitais (deixara claro para o companheiro desde o primeiro ano que jamais dormiria no hospital com ele), e estava ansiosa para reformar o apartamento novo na capital. Mesmo ciente de que não se deve julgar as pessoas, Eduardo também preferia evitá-la. Se necessário fosse, pegaria outro caminho para não ter que cumprimentar essa senhora que tanta dor causara ao seu pai, justamente na hora em que ele estava morrendo. Comentou isso com seu amigo, que sendo educadíssimo declarou que jamais deixaria de cumprimentá-la. Teria inclusive prazer em fazê-lo, mesmo sabendo que ela detestava sua esposa pela simples razão de ser a melhor amiga dos enteados. Ele seria simpaticíssimo como sempre. Diria apenas: “Como vai Dona Medusa? Que papelão hein. Tivesse esperado mais três semanas teria faturado uma boa grana e saído por cima. Passe muito bem.”

6 comentários:

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  2. Desculpe, sem querer deletei seu comentário. Fui deletar a minha resposta e perdi tudo. Mas ficou registrado. Beijos,

    Terráqueo

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  3. Darling não tem problema um grande beijo

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  4. Medusa devia estar tão descabelada que não foi capaz de por as ideias no devido lugar.

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  5. Estou desconfiada de que Eduardo é o seu alter ego... rs

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  6. Eu também desconfio.

    Bj.,

    Terráqueo

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