segunda-feira, 12 de abril de 2010

Fim de semana agitado

Nesse fim de semana meus amigos chegaram de Porto Alegre e fizemos várias cidades e passeios em apenas dois dias. São amigos de longa data, sendo que ela é da família. Crescemos juntos e somos quase irmãos. Uma das minhas pessoas preferidas. Além de linda, é doce, suave, inteligente e sensível. Ele tem um astral ótimo, é engraçado, afetivo, e sempre me prestigia quando vou a Porto Alegre. Adoro esse casal (fui padrinho de casamento). Nossas maiores aventuras foram nas montanhas francesas na região de Chamonix. Fomos para uma pequena estação de ski chamada Le Tour. O local era altíssimo, pois nessa época do ano não existe mais neve nas estações situadas em locais mais acessíveis. Estávamos indo muito bem. Eu dirigia, minha amiga ia no banco da frente, e o marido atrás descansava um pouco. Foi quando começaram os precipícios nada hospitaleiros e chegamos a uma ponte altíssima que se estende por alguns quilometros. Gelei, tenho fobia de ponte e de altura. Como não era possível parar, reduzi a velocidade para 50km (deveria estar a 90) e segui olhando para o chão. Falei para eles que estava nervoso e que isso me lembrava a história de um namorado de uma tia (ele sessentão e ela no final dos 50) que sofria de depressão e que em uma viagem pelas montanhas da serra gaúcha começou a falar que a vontade dele era de se matar, jogar o carro no precipício, ir reto na curva. Ela gentilmente se ofereceu para dirigir pois como o marido também não gosta de dirigir, é ela que sempre dirige nas viagens. Como não havia mais pontes no caminho, segui dirigindo. Na estação pegamos dois instrutores. Um para o casal que esquia muito bem, e outro para mim que, além de não esquiar bem, tenho problemas nas pernas que me impedem diversos movimentos. Eles foram para o alto da montanha, enquanto eu fiquei na parte mais baixa, própria para os iniciantes. No início, até que as minhas pernas se comportaram, mas depois quando comecei a pegar mais velocidade e a fazer curvas com mais força (único jeito de não despencar morro abaixo), a dor foi insuportável. Houve momentos que eu tive que parar, esperar a dor ser tolerável, para continuar. Mesmo assim, valeu a pena. Acho que mereço uma medalha. Poucas pessoas nas minhas condições teriam feito o que eu fiz. Após esquiar por duas horas, encontrei com eles no topo da montanha. Ela estava impecável, como se tivesse acabado de sair de casa. Eu e o marido bastante combalidos. Ele havia caído diversos tombos, e sentia uma dor no pé e os joelhos fraquejando. Ela que é magrinha, delicada, com carinha de Penélope Charmosa, estava pronta para continuar a descer a montanha pela face mais perigosa. Poderia sair dali, e fazer uma sessão de fotos. Impecável. Antes de seguirem descendo a montanha pela pior parte da pista vermelha, ainda subiram mais uma vez. Na chegada eu esperava ansioso para bater fotos do casal de esquiadores. Infelizmente a única foto em que eu consegui capturá-los juntos foi bem no instante em que o vivente se esborrachava no chão. Como ela era perseverante, começaram a descer a segunda parte da montanha, em direção a estação. Nos primeiros cem metros ele percebeu que não chegaria vivo, e decidiu voltar a pé. Por sorte estavam bem no início, pois tiveram que subir a montanha a pé com os esquis. Estivessem um pouco adiante, não seria possível a escalada. Se eu não a conhecesse bem, não soubesse que ela é apaixonada pelo marido, suspeitaria que ela estava interessada em receber um seguro de vida milionário. Na volta da estação resolvemos visitar a pequena cidade de Annecy, que é na realidade um vilarejo medieval na beira do Lago de Annecy, cujos prédios históricos foram transformados em lojinhas, cafés, confeitarias. Lindo, mas frio e ventoso. Quando retornávamos a Genebra, nosso GPS enlouqueceu, começou a girar, a dar instruções loucas, pois entramos em uma novíssima “auto route” para a qual ele não estava programado. Para nosso desconforto entramos em um túnel imenso, em que as pessoas vão a 130 km/h. Eu também tenho fobia de túneis. Para não assustá-los fiquei quieto e reduzi para 70km/h. Foi quando nossa heroína declarou que ela tinha fobia por túneis, que passava mal. Eu disse, por favor não diga nada, pois eu estou em pânico e não temos como parar. Depois desse túnel ainda pegamos mais 4 outros. O bom é que chegamos inteiros em Genebra, felizes de termos passado um tempo tão bom juntos.















Chamonix no fundo do vale.





Penélope é a primeira esquiadora. O marido é o vivente no chão.
P.s.: Havia uma outra foto do casal antes da queda, mas essa é mais divertida.


Mont-Blanc (4810m) e Aiguille du Midi (3800m, pico ao lado, estive no topo em 2006, mas fui de teleférico).



Anneccy



20 comentários:

  1. Adorei!!! Engraçado e cheio de aventuras. Tão bem contado que vi a nossa querida Penelope esquiando. Ela é assim. Na aula de dança, nem se escabela. Deve ter sido uma delícia tanta aventura. Eu não sou boa de neve. Não esquio. Fico congelando a fotografar o pequeno e o grande bípede enquanto esquiam. Mas adoro o charme das estações, as pessoas vindas dos quatro cantos do mundo. As fotos também estão incríveis!

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Adorei, eles são encantadores. No sábado, apenas tomaram uma ducha em Genebra e fomos para Lausanne. No Lausanne Palace ela nem reparou, ou está tão acostumada que não se importa mais, mas as pessoas olhavam para ela quando ela passava. Deslumbrante. Não coloco as fotos para proteger a privacidade do casal.

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  4. Que lindas fotos, tio! Me dá saudades da Europa!
    beijos

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  5. Querida Maricota,
    Quem sabe a gente se reencontra na Europa ou vocês vâo me visitar no Rio logo.

    Beijos,

    Terráqueo

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  6. Deu uma vontade imensa de esquiar e faria o mesmo papel do marido da sua amiga...

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  7. Nesse inverno vou tentar novamente em Bariloche.

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  8. Se vocês forem a Bariloche, vou junto! Quem sabe no aniversário do senhor bípede???

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  9. Oi Marcelo, demorei para entrar aqui (apesar de tu ser o primeiro na lista do google), mas achei muito legal teu blog. Fotos lindas hein?!! Vou mostrar pro Milton, ele vai adorar! Beijo, Fernanda

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  10. Fernanda,
    Fiquei super contente com a visita. Volte sempre e traga o Milton.
    Um grande beijo,

    Terráqueo

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  11. Retribuo as visitas carinhosas a tempo de dizer que gosto muito de suas histórias!

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  12. Obrigado. Fico muito contente com o teu elogio. Considero-te inteligentíssima.

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  13. Darling,que bom que tiveste um fim de semana com pessoas tão queridas um beijo

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  14. Que final de semana maravilhoso (leia inveja) rsrsr!!! Eu fui pra São Paulo. Estava ótimo só tinha chuva e frio, só faltou a neve e montanhas e etc...
    Fale a verdade aquele tombado na neve é você, não é??!!
    Beijos

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  15. Lindas fotos, aventura, tudo de bom.
    Lembrei-me de Bariloche, onde quase caí do barranco também, mas um barranco pequenininho, 2, 3m no máximo, acho que não faria um estrago muito grande, a neve estava tão fofa, o perigo, nesses casos, é o que ela esconde. Sou péssima esquiadora, patinadora, tudo que deslisa e se move sobre rodinhas me derruba sem cerimônia alguma. Bjs.

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  16. Mari,

    Não sou eu não. Quando eu caí não tinha nenhum ser indiscreto para tirar fotografias.

    Lucia,

    Eu também sou péssimo, não sei por quê insisto.

    Beijos,

    Terraqueo

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  17. Bacana é ter amizade assim, viajar, e se divertir com os erros e acertos.
    Lindas fotos, viajo muito no seu blog e conheço lugares belíssimos que a sua sensibilidade nos traz.

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  18. Coisa boa é ter amizade assim, viajar, se divertir e rir dos erros e acertos.
    Lindas fotos, assim viajo sempre no seu blog a conhecer lugares belos que a sua sensibilidade nos traz.

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  19. Tenho me divertido muito com eles. Mesmo com a minha fobia de túneis, hoje atravessei exatos 21 túneis para estarmos juntos. Obrigado pelo elogio às fotos.

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