segunda-feira, 31 de maio de 2010

Nos braços de Isabel

Me disseram que operar os dois joelhos não ia doer nada e eu acreditei. Acreditei tanto que depois de dopado entrei no centro cirúrgico cantando “Nos Braços de Isabel”, nome da enfermeira que eu havia sido apresentado ao chegar no hospital hoje de manhã, e que está agora a noite me cuidando em casa. Mesmo tendo levado um “boa noite Cinderela” e uma anestesia raquidiana , o médico me disse que eu incomodei bastante, não parava de me mexer. Dizem que eu acordei confuso falando em francês. Não lembro de quase nada. Apenas alguns flashes. Como se eu estivesse em um lugar, falasse alguma coisa, e a conversa continuasse noutro lugar, minutos depois e com outras pessoas. Uma coisa meio Lost. Tipo família do....O fato é que estou bem, literalmente nos braços de Isabel que é também as minhas pernas, é bonita pra caramba, e que agora me interrompeu para me dar uma aspirina. Mas que operar os joelhos dói, dói, e muito. Se o sono não vier a noite, vou ter que procurar algum filme de ficção científica. Para mim não existe anestésico melhor, a exceção dos episódios antigos de Star Wars que fazem parte da minha infância. Por enquanto, para passar o tempo, assisto aos DVDs da última temporada de Agente 86, meu seriado favorito.

domingo, 30 de maio de 2010

O amor sempre pode acontecer

Hoje estou otimista. Novamente acredito que o amor pode acontecer. Que não há idade para se viver uma paixão, perder a cabeça de tanto amor.

sábado, 29 de maio de 2010

BABA BABY e a palavra de Deus

Apavorado de entrar na faquinha na segunda, na noite de sexta decidi cair na gandaia. Primeiro fui jantar com alguns amigos em um restaurante italiano, e bebi um pouquinho além do que devia. Afastado o resto de bom senso que pudesse existir em minha cabeça, cheguei em uma pequena “boite” que, digamos assim, não é um lugar que minha mãe ficasse contente de me ver. Um típico inferninho de Copa em que as vezes rolam festas legais. O lugar se considera techno punk. Por coincidência, encontrei diversos amigos. O mundo é muito pequeno mesmo. Um deles acabou de terminar um namoro de 4 ou 5 anos com uma menina muito querida que nesse ano sonhava casar, e depois ter filhos e netos com ele. Parece que ela já havia inclusive marcado a igreja. Quando ele me falou que estava muito bem, que tudo estava superado, me coloquei no lugar da pobre que levou o fora, e fiquei indignado. Movido por dificuldades minhas, perguntei como alguém consegue fazer juras de amor por 4 anos e depois de apenas dois meses de rompimento dizer que está tudo superado? Por que para algumas pessoas é tão fácil acabar com um afeto ao ponto de se dizer indiferente? Entendo que o amor acaba, que a paixão evapora, mas mesmo assim laços de afeto doem muito quando são rompidos. Não é possível superar tudo em 2 meses. Arrependido de ter feito essa pergunta decidi ir embora. Foi quando rolou um BABA BABY pra cima de mim. Fiquei enlouquecido quando chegou uma “criança” que eu dispensei no ano passado alegando que eu era muito mais velho. O que eu tinha na cabeça? Afinal 42 para 28 não é nada. Praticamente a mesma idade. Como eu pude ser tão preconceituoso? Pois quando eu resolvi atravessar de volta o cabo da boa esperança, me dei mal pra caramba. Literalmente, a criança fez o estilo BABA BABY (Baby olha o que perdeu, a criança cresceu...). Babando e com vergonha do esculacho que recebi, vi que o melhor era voltar para casa. Com as pernas bambas, entrei no primeiro táxi. Expliquei que eu precisaria ir no banco da frente pois estava com pequeno problema nas pernas e faria uma cirúrgia em dois dias. Compadecido com o meu estado, não é que o motorista resolveu me levar a palavra de Deus. Me falou que se eu acreditasse em Jesus com fé todos os meus problemas estariam resolvidos. Mas eu precisaria ter fé de verdade em Deus e em Jesus. Descrente desse mundo, arrasado por BABA BABY, disse que eu era ateu, e que pelo jeito nem o Papa tem muita fé em Deus pois não param de acontecer escândalos envolvendo a igreja católica e até o seu próprio nome como acobertador de pedófilos. Foi quando ele me explicou que eu estava na religião errada. Deveria ser protestante batista. Quando sai do carro, ele disse um afirmativo “Fique com Deus”. Ao chegar na portaria do edifício, lembrei que eu tinha que ir na farmácia comprar um copinho esterelizado para o exame que eu teria que fazer pela manhã. Que saco. Mesmo no Rio não é fácil encontrar uma farmácia aberta às 4 horas da madrugada. Saí de novo para a rua, caminhei duas quadras e avistei um taxi. Pois era o mesmo senhor. Nesse momento ele ficou convencido que Deus havia me jogado novamente no seu taxi aquela noite. Não silenciou mais. Parecia uma matraca, com um sorriso de vitorioso, e um tom de voz que eu não sei onde eles aprendem, mas que é comum nos fanáticos de todas as religiões. Assim, ouvindo BABA BABY dentro do meu coração, ouvi ele dizer que esse reencontro era a prova de DEUS, que queria que ele me levasse ao coração de Jesus. Pensei que no coração do Jesus só a Madona e olhe lá, mas fiquei quieto. Depois de ouvir toda essa lenga lenga carola por uma meia hora (as farmácias estavam todas fechadas), finalmente cheguei em casa. Até que não foi tão ruim voltar só, infinitamente só, e subir os degraus do edifício como quem sobe para um cadafalso depois disso tudo. Será que foi Deus mesmo?

Porque eu sou romântico

Because I am romantic, This old heart of mine is still weak for you.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Dança comigo?

Prestes a entrar na faquinha, com a cadeira de rodas e as muletas de companhia, por pouquíssimo tempo espero, vou aproveitar esse fim de semana para dançar muito. Quem se habilita?

Esse vídeo é muito legal.

Ready to take a chance again

Ainda lembro bem da estrada, reconheço os penhascos e até mesmo posso rever algumas cenas. Mas a cura está começando. Finalmente consegui colocar essa música. Quem acompanha o blog sabe o significado.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Emoções Fortes - De Hollywood ao povo da roça. Casos horripilantes que marcaram a minha infância e juventude.

Eu tinha 8 anos quando meu pai me levou ao cinema para assistir a esse filme. Fiquei tão apavorado que tive pesadelos repetidos por anos. Isso rendeu várias sessões no terapeuta. Mesmo agora, quarentão, ainda me arrepio com essa cena.

Na adolescência conheci um jovem cujo avô enlouqueceu em uma fazenda e assassinou os empregados e o filho (tio do rapaz). Ele conseguiu escapar depois de uma longa perseguição em uma mata fechada. Depois disso, o avô se matou. Uma vez estávamos a perseguí-lo em uma brincadeira juvenil sádica, quando ele reviveu esses momentos traumáticos, subiu no telhado do ginásio de esportes, e ficou quase em estado de choque. Fiquei com muita pena. Ninguém sabia do seu trauma.

Lembro de um outro caso em que o morador de uma fazenda vizinha a uma pequena propriedade que meu pai tinha afastada da cidade, castrou o neto. Faz tantos anos que não tenho certeza se ele se matou depois ou se ficou vivendo em um quarto da fazenda. Acho que tenho uma pequena memória do velho maluco.

Finalizando, o capataz do sítio da família, que aliás foi quem me contou a última historieta no próprio local dos fatos, correu atrás da mãe com um machado que conseguiu se salvar do filho por muito pouco. Por coincidência ele era a cara do Jack Nicholson. A pobre diaba, que era uma megera mesmo, para escapar teve que atravessar com pressa uma cerca de arames farpados. Ficou toda lanhada. Curiosamente, meu pai, depois de queixar-se porque eles interromperam suas férias na praia com esse incidente, manteve esse empregado no sítio por muitos anos, e levou a infeliz para trabalhar na nossa casa. Segundo ela, ela tinha uma maldição porque em todo o lugar que ela ia, ela saía corrida. Por que será? De qualquer forma, ficamos todos com muita pena da velha infeliz que, como também não deu certo lá em casa, a minha mãe tentou repassar para a minha cosmopolita avó materna na capital. Novamente não emplacou, pois a minha avó, embora tivesse um discurso politicamente correto, não gostava da companhia de gente caipira. Ela queria uma dama de companhia da cidade. Que gostasse de jogar cartas, tivesse um bom português e pudesse frequentar os mesmos ambientes, sem que parecesse alguém que estava lá para cuidá-la. Foi engraçadíssimo quando a minha avó providenciou para a megera um corte de cabelo, em um elegante salão de Porto Alegre, que transformou a longa cabeleira branca pela cintura em uma cabeleira curta, castanha e com permanente. Minha veia sádica berrou, e tive que me controlar para não rir. Foi quase como tirar a vassoura da bruxa malvada. Lembro ainda da minha tia dizendo que a minha mãe sempre gostou de gente de sítio, mas que isso não combinava com a minha avó. Eu achei graça, pois eu também adoro. Suas histórias são fantásticas. Ai como estou mau hoje. Zombar da desgraça alheia é horrível. Estou até com vergonha dessa postagem. Desculpem-me.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Lost e Truffaut

Lost termina hoje no Brasil deixando uma legião de fãs sem resposta e sem opção. Onde encontrar algo realmente inusitado? Bem feito? Com bons atores e uma fotografia belíssima? Certamente não será fácil. Pelo menos nesses tempos de extrema insensibilidade e de pouquíssima arte. Enquanto isso, sugiro algo realmente diferente. Sem monstros, dimensões paralelas, correrias, viagens no tempo, naves espaciais, homens verdes ou tiroteios e bombas. Corram para a loja de DVDs mais perto e comprem a caixa com “As Aventuras de Antoine Doinel.”. São quatro DVDs que mostram a história desse personagem, baseado no próprio Truffaut, desde menino até a fase adulta. Segundo Truffaut os fatos narrados são verdadeiros, e o que não aconteceu com ele mesmo, aconteceu com outras pessoas. E é isso que torna esses filmes tão interessantes, tão cativantes, tão inusitados, tão diferentes. Falam do que é possível, das emoções mais puras, como a rejeição, revolta, amizade, paixão e mudanças na vida, com muito humor. O primeiro filme “Les Quatre Cents Coups” (gosto mais do nome em francês – Os quatrocentos golpes) traduzido como "Os Incompreendidos" e o Média Metragem “Antoine e Colette” foram filmados em 1959 e em 1962, e são em preto e branco. Mas não tenham preconceito porque os filmes são antigos. A fotografia é belíssima. Os demais filmes foram filmados com o mesmo ator entre 1968 e 1979 e já são coloridos. O que vocês acham de um personagem que contrata uma firma de detetives para descobrir por quê as pessoas não gostam dele (Beijos Proíbidos - Baisers Volés)? Assista também "Domicílio Conjugal, filmado em 1970, e "O Amor em Fuga", de 1979. Truffaut era um gênio, e não teve medo de se expor. De reproduzir nas telas uma história semelhante a sua. Expor que fora rejeitado pela mãe, que jamais conhecera o pai biológico, que acabou em um tipo de reformatório, e que deu a senhora volta por cima. É uma pena que os filmes de autor tenham parado de existir. Salvo Woody Allen e Almodóvar não identifico mais os cineastas se não tiverem escrito seus nomes em letras garrafais nos cartazes. Parecem que os filmes são feitos sempre pela mesma pessoa, ou melhor, pela mesma indústria. Por isso, cada vez mais corro para o cinema francês.



segunda-feira, 24 de maio de 2010

Mais um motivo para amar o Rio de Janeiro

Há muitos anos corto o cabelo em uma pequena barbearia do Rio de Janeiro. Muito modesta, os barbeiros somente ligam o ar condicionado no auge do verão. Nos outros dias, contam apenas com um ventilador de teto. Não sei como esses experientes profissionais sobrevivem com o preço que cobram. Me sinto mal se não der uma gorjeta. Eles têm em média 80 anos, à exceção do portuga (60 e tantos) que sabe tudo sobre política e daria um grande ministro da fazenda ou planejamento. As cadeiras são aquelas antigas, com bancos de couro vermelho rasgados. Os velhinhos praticamente não usam máquinas, cortam fio a fio com a tesoura, fazendo o acabamento com a navalha. O toque final é dado com o talco utilizado no pescoço para soltar os fios caídos. Depois disso, eles mesmos varrem o chão e batem com um pano nas cadeiras para limpá-las. Meu barbeiro, em especial, tem 81 anos e trabalha o dia inteiro em pé. Quando eu fui embora do Brasil no ano passado, ele estava muito preocupado com a saúde da mulher que já tinha 82 anos. Fiquei com medo de perguntar por ela e causar uma triste lembrança. Hoje, depois de ficarmos vários meses sem nos vermos, abriu um sorriso lindo que combinou com seus cabelos impecavelmente brancos e disse: - Dr., o Sr. voltou! Há quanto tempo? Que bom. Fico contente de ver o senhor tão bem, mais gordo.

domingo, 23 de maio de 2010

Mademoiselle Chambon

O cinema francês está cada vez melhor. Sem efeitos especiais e cenários grandiosos, conta histórias possíveis que podem acontecer com qualquer pessoa comum. Esse filme valeria o ingresso apenas pela primeira cena, em que um pedreiro e sua esposa tentam ajudar o filho pequeno a fazer a lição de casa. O constrangimento do casal é enorme quando o menininho lhes pergunta qual o complemento do objeto direto. Mas o filme é muito mais do que isso. Logo depois se torna denso e retrata a formação de um triângulo amoroso no qual pedreiro Jean se apaixona pela professora do filho. Para piorar a situação, sua mulher fica grávida. Não há nesse filme o maniqueísmo norte-americano que me incomoda tanto, e me afasta das salas de cinema. Os personagens são sensíveis e éticos, mas suscetíveis aos seus próprios instintos, a falharem com as pessoas que mais amam. Humanos enfim. Embora os diálogos sejam excelentes, as cenas que mostram a formação do triângulo, o entendimento de que não poderia dar certo, e a solução encontrada pelos personagens para resolver essa situação não contam com diálogos. Contam apenas (e isso é muitíssimo difícil de fazer) com a expressão dos atores, que são magistrais. Confesso que fui nocauteado, atingido no estômago e no coração de uma forma inesperada. A cena do trem reavivou em mim olhar apaixonado que me fitava na estação de trem em Londres em 2005 e que não sai da minha cabeça até hoje. No Rio esse filme logo sairá de cartaz. Corram para vê-lo.

Acordo Nuclear Simbólico

O acordo Nuclear orquestrado pelo Brasil e pela Turquia com o Iran será rejeitado pelos países ocidentais. Será um acordo simbólico, mas muito importante. Mesmo contra a vontade dos países ricos, demonstra publicamente que os países emergentes não cessarão seu desenvolvimento. Parabéns para o Lula, e para esses países.

Nas suas mãos

Quanto mais eu escuto mais eu gosto desse cantor.

sábado, 22 de maio de 2010

Inseparáveis

A separação das pessoas é inevitável, mesmo que sigam cohabitando sob o mesmo teto por toda a vida. Por mais que se amem, em pouco tempo estarão vivendo com seres completamente diferentes, que tomarão o lugar dos antigos amantes sem qualquer pudor. Os corpos também serão outros e o desejo simplesmente dirá adeus. Ficar junto tornar-se-á um exercício, um esforço contínuo e inútil, e o cansaço final virá. As vezes, no entanto, o destino acorda romântico e tenta reunir esses seres tão diferentes, contrariando a teoria sarcástica e deprimente acima. Fernanda foi um dos seres abençoados com essa sorte. Era uma menina bonitinha, com voz delicada, estilo “mignon”, pele de pêssego, uma boca grande e carnuda. No seu primeiro dia de aula na faculdade de medicina conheceu Branca. A empatia entre as duas foi imediata. Passaram a estudar juntas e em pouco tempo confidenciavam tudo uma a outra. Estavam sempre coladas, falando baixinho, olho no olho, tratando-se com extremo carinho. Era mesmo impressionante, pareciam gêmeas siamesas. As duas desenvolveram os mesmos gostos, passaram a falar da mesma forma, vestir-se no mesmo estilo, e até a comer as mesmas comidas, em uma simbiose perfeita. Não havia aspecto algum da vida das moçoilas que não fosse compartilhado. Transformaram-se em amigas inseparáveis, quase em uma única pessoa dividida entre os dois corpos. Embora Fernanda fosse noiva, o “zum zum + zum” na faculdade era imenso. Algumas pessoas as achavam nojentas, outras as achavam chiques e modernas, e outras apenas diziam que as pessoas que faziam tais comentários eram muito más e frustradas, que como não conheciam o real valor da amizade, viam sexo e maldade em tudo. Bernardo, o noivo, era um rapaz formal e educado, e já estava concluindo a residência em cirúrgia geral. Embora não fosse bonito ou charmoso, era boa praça, sendo sem dúvida um bom partido. Tolerante, não se importava com a presença de Branca até mesmo quando iam jantar fora, dançar ou assistir um filme em casa ou no cinema. Não notava nada de estranho na relação das duas, até incentivava. Depois de dois anos, Fernanda foi surpreendida. Bernardo a procurou e lhe disse a queima roupa que a situação era insustentável, que não mais a amava, que havia se apaixonado por Branca. Fernanda não acreditou no que estava ouvindo. Sabia que sua amiga jamais teria interesse nele, pois mais de uma vez tecera críticas bem contundentes sobre Bernando. Ainda sob estado de choque, Fernanda procurou Branca para contar a loucura que havia ouvido. Foi quando Branca lhe disse que sentia muito, mas que iria se casar com Bernardo, que entre elas não havia mais nada a falar, que a relação das duas era finita e que, por favor, se afastasse. Havia quem dissesse que Fernanda sofreu mais ainda pela perda da amiga do que pelo noivo. Sua família ficou muito preocupada. A tristeza da moça era visível. Por dois anos chorou todos os dias, não conseguiu escutar uma música romântica sem desabar em frangalhos. Seu terapeuta não sabia mais o que fazer. Mas Fernanda era forte. Começou a refazer sua vida. Formou-se, foi aprovada na residência, e em pouco tempo passou a trabalhar integralmente no hospital em um cargo administrativo. Arrumou um outro noivo, também educado e gentil. Substituiu sua melhor amiga por outra, que pelo tipo físico e personalidade forte também era alvo de rumores. Refez enfim sua vida, e tudo foi muito bem para ela. Tipo final feliz mesmo, com um bom marido, uma nova melhor amiga, viagens para a Europa e um bebê lindo e saudável. Um certo dia lhe apresentaram no hospital o novo chefe do departamento de cirúrgias com quem ela deveria repartir a sala e trabalhar diariamente. Era o Bernardo que colocou sua esposa também a operar no mesmo hospital, e como na canção Gilbertiana foram todos para a lagoa ensaiar o tico-tico no fubá “qüém, qüém, qüém, qüém...”.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

M-U-I-T-O R-U-I-M!

Mais um conto escrito em 1998, inspirado em uma história vivida pelos meus avós e que a minha avó adorava contar:

"Foi na época dos meus avós. O pequeno vilarejo estava em polvorosa com a chegada do senhor Fulin. Vinha gente de toda a região para conhecê-lo. Para a grande maioria aquele estranho homem, de fala esquisita, pele amarela e olhos fechados, era um ser sobrenatural com poderes mágicos e, portanto, deveria ser temido e reverenciado. Para outros, um ateu herege que não deveria sequer ser recebido e, para alguns, a possibilidade de enriquecimento fácil e rápido. O certo é que poucos conseguiam ver sua real dimensão.
Como ele vinha para comprar o trigo da região e até mesmo o velho moinho abandonado do Sr. Antônio, foi recebido com muita pompa e circunstância pelas autoridades locais. Até o pároco compareceu ao excelente jantar de boas vindas, preparado por Dona Sueli Batista, renomada quituteira da região, cujo cardápio contava com quatro qualidades de comida quente (galinha assada, mondongo, arroz de carreteiro e batata doce) e com cinco qualidades de sobremesa (sagu, arroz de leite, ambrosia, flameri de laranja e pudim), além da salada. A dona da casa, aflita porque o chinês não entendia suas palavras passou a falar cada vez mais alto. Já estava aos berros quando seu marido delicadamente a chamou num canto e disse: ⎯ Querida, ele é chinês, não surdo.
No meio do banquete, Seu Bandeira dos Santos, alto funcionário do posto bancário e maior orador da região, passou a discursar longamente em honra do homenageado que, embora nada entendesse, sorria de modo cordial. Terminada a recepção, o Chinês, que viera de San Francisco – USA, lhe pediu para ir a um Night Club, o que de imediato foi aceito. Após a demorada despedida das autoridades e demais presentes, rumaram à pequena Chacrinha (Zona do Meretrício), onde se encontrava o dito Night Club local.
Lá chegando, Seu Bandeira mandou buscar a famosa Maria da Glória, morena alta, de seios fartos e flor nos cabelos, para que sentasse à mesa. Para alegrá-lo ofereceu-lhe também o melhor vinho da casa que, saliente-se, era servido somente aos grandes estancieiros da região e ao padre. Perguntado por Glórinha se o Chinês estava gostando do refinado espetáculo, Seu Bandeira não teve dúvidas e logo afirmou: ⎯ O Chinês está adorando. Na China não tem nada igual!
Glórinha ficou felicíssima. Sim, ela iria ficar rica. Ganharia jóias, usaria lindas sedas e teria muitas criadas. Ficou um pouco preocupada ao lembrar da velha reprodução de um casal de chineses jantando com palitinhos, que vira emoldurada em um restaurante da capital. Será que ela conseguiria? Mas isso se dava um jeito. O importante, agora, era conquistar o coração do Chinês. Enquanto pensava que história triste contar, ajeitou seus longos cabelos e deu mais uma borrifada de seu maravilhoso perfume Amor Gaúcho. Por fim, aproximou-se ainda mais do Chinês, encostando sua perna na dele. Determinada, colocou sua mão quente sobre a coxa da vítima e foi subindo. O Chinês não se mexeu, o que lhe deu a certeza de que estava agradando. Era hora de prosseguir...
Orgulhoso e exibido pela recepção oferecida, Seu Bandeira tascou: ⎯ E então Sr. Fulin. Está gostando do nosso Night Club?
O chinês respondeu:
⎯ M-u-i-t-o R-u-i-m! M-u-i-t-o R-u-i-m!"

segunda-feira, 17 de maio de 2010

É GENTE SUA?

Encontrei esse conto escrito em 1998, inspirado em fatos que aconteceram com a minha avó.

"É GENTE SUA?

Dona Aurora estava exultante. Após meses de economia finalmente iria a Porto Alegre comprar a pintura a “Cigana e o Sheike”, exposta no Grande Hotel. Ficaria perfeita na sua casa.
Talvez o quadro fosse um pouco ousado para a pequena cidade dos anos 40, mas era lindo. A cigana com um batom vermelho, lenço na cabeça e um seio de fora, enquanto segurava um cigarro na mão, era agarrada por trás pelo vigoroso Sheik árabe. Que erotismo, que imaginação. Sem falar na perfeição do céu que se avistava ao fundo, do mais puro azul celeste.
As suas colegas do grupo escolar provavelmente não entendessem, mas sem dúvida ela era vanguarda e, seguramente, uma mecenas que sabia reconhecer uma grande obra de arte. Seu marido, talvez reclamasse, mas ela sabia como convencê-lo. Além do mais, o quadro ficaria soberbo junto à sala de estar, cujos móveis comprados na capital, eram em estilo colonial e com os acentos em veludo vermelho.
Sua cunhada que estava aprendendo pintura, também o achara uma maravilha, tanto que antes mesmo da compra, já o havia pedido emprestado para que pudesse realizar uma cópia.
Sim, o quadro ficaria magnífico em sua casa. Adoraria exibi-lo. Decidiu que tão logo retornasse faria um chá para suas colegas, onde discretamente mostraria a obra de arte.
Já na capital, colocou seu melhor vestido, par de luvas e chapéu, e rumou à galeria de arte. Tentou pechinchar, argumentando que era cliente antiga. Que já havia lhe comprado uma “Santa Ceia”, mas o marchand foi irredutível. Tratava-se de uma obra prima, feita em pequena quantidade e vendida somente para quem pudesse de fato valorizar o talento do artista. Nossa amante das artes não conseguiu resistir aos encantos da cigana, comprando a tão sonhada pintura sem pestanejar.
De volta a cidade, convidou sua colegas mais íntimas para o café da tarde no Sábado.
Colocou sua melhor toalha, bordada toda em ponto cruz, sua melhor louça, e pôs-se a fazer um delicioso bolo. Como se não bastasse, ofereceria rosquinhas, queijos, geléias, e deliciosos pãezinhos. O evento seria um sucesso.
Como a casa deveria estar impecável, pediu a Siá Maria, contratada apenas para grandes ocasiões, que viesse cedo lustrar o assoalho, limpar os vidros, tirar o pó dos móveis e lavar a calçada.
Siá Maria, pessoa de poucas luzes, ao deparar com a cigana ficou boquiaberta olhando fixamente para o quadro. Dona Aurora percebeu, ficando realizada pela reação da criada. Imagine o efeito que faria em suas colegas. Valera a pena.
Muito curiosa, Siá Maria perguntou:
- É gente sua?
Atônita nossa personagem respondeu:
- Não isso é uma obra de arte. Um nú artístico. A pintura de uma Cigana e um Sheike árabe.
- Ah...! Logo vi. Tão pelados!


Porto Alegre, 07 de outubro de 1998."

sábado, 15 de maio de 2010

Guru de Hollywood critica a falta de roteiristas no Brasil

Reproduzo matéria recebida via e-mail:

"Guru de Hollywood" critica falta de escritores no cinema brasileiro
14.05.10 - 10:15

O escritor Robert McKee, um dos principais consultores de roteiros de Hollywood, afirmou que o principal problema do cinema brasileiro é a falta de roteiristas. Para ele, a classe no país é "desunida, preguiçosa e medrosa", com uma produção norteada pela adaptação de romances literários.

Aos 69 anos, o norte-americano de Detroit é um dos mais conhecidos mentores de roteiristas para cinema e TV. Seu livro, intitulado "Story", tornou-se um tipo de bíblia para os aspirantes à carreira de escritor.

McKee está em São Paulo para ministrar seu minicurso, lançado há 25 e que já formou mais de 50 mil alunos, entre diretores, produtores, atores e roteiristas. Segundo ele, seus pupilos já levaram 33 Oscar e 168 Emmy, com produções como "O Senhor dos Anéis", "Friends", "Seinfeld", "Forrest Gump", "Arquivo X" e "Grey's Anatomy", entre outros.

O roteirista e consultor Robert McKee, que está em SP para dar curso

"O que falta é o roteiro. Vocês têm ótimos atores, ótimos diretores, vocês têm tudo que os melhores países têm. Se um filme no Brasil é bom, ele geralmente é a adaptação de um livro. Muitas vezes o cinema brasileiro tem que esperar escritores fazerem bons livros que podem ser adaptados. Precisa parar de se 'canibalizar' os romances", falou McKee, em entrevista à Folha.

"A cada um ou dois anos, em média, surge um brilhante filme brasileiro. A reputação do Brasil, em geral, é boa no exterior. Com a Argentina, são os países mais famosos do continente sul-americano."

Perguntado se o fato de as maiores produções do cinema nacional receberem subsídio do governo, o consultor afirmou que não conhece a fundo a situação do Brasil, mas que já viu a situação se repetir na Europa. "A Suíça financia o cinema, mas não são feitos filmes suíços sobre seu sistema bancário corrupto", respondeu.

McKee esteve nesta quinta-feira também no Ecine (Escritório de Cinema) da Secretaria de Cultura de São Paulo. Durante a palestra que deu, aproveitou para criticar novamente a falta de roteiristas no Brasil e questionou a falta de um sindicato especializado da categoria.

Com um sindicato, acrescentou, uma greve (similar a que recentemente criou um entrave nos EUA) faz parar TV e cinema "porque tudo começa com o roteirista", disse.

Quanto à questão do financiamento governamental, McKee afirmou ainda que os escritores brasileiros serão covardes se alterarem suas produções por conta do vínculo. Ou então são preguiçosos, por não buscarem levantar orçamento privado para realizarem seus filmes.

"Precisa criar-se uma cultura de escritores para cinema. Quando venho para o Brasil, essa é minha missão: incitar a escrever."

Workshop

O curso de McKee em São Paulo começa neste sábado, 15. Os quatro dias de aula saem por R$ 1.250, e as inscrições podem ser feitas no site do evento."

Pra que? Qual a resposta?

Mais uma noite cheia de música, pessoas, estrelas e nada. Qual a finalidade disso tudo? O que fazer quando percebemos que nada vale a pena, quando sabemos que a decomposição é a única certeza, quando não se acredita em vida além da morte, reencarnação, que um outro beijo possa ter um sabor tão bom ou em Papai Noel? Resposta: Escutar Betânia e Adriana Calcanhoto juntas. Com elas a fossa fica afinadíssima. No filme da sua vida a trilha sonora é fundamental. Que seja boa então.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Les plaisirs démodés

O tempo passa e passamos juntos. De repente estamos démodés reverenciando antigos prazeres nostálgicos.
Vale a pena escutar esse vídeo a partir do 1:02.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Homenagem a Glória Menezes

Durante a minha infância ela e a Regina Duarte eram as donas da telinha. Não sobrava para mais ninguém. Navegando pela Internet localizei esse vídeo da época da novela "Guerra dos Sexos" em que mesmo madura, ela roubava a cena. Nessa época eu já estava na faculdade, e várias vezes cheguei atrasado apenas para dar uma espiadinha. Há dois anos tive o privilégio de assistí-la em Ensina-me a viver.

A Pedalada de Cherie

Jamais esquecerei. A primeira vez que a vi foi como a visão de uma sereia. Lá vinha ela, de costas, com seu maiô vermelho, batendo pernas sob as àguas de março. Seu corpo – nossa, que loucura – era ao ponto. Como convinha às mulheres da geração 80, não era magro nem gordo. Muito menos musculoso ou siliconado, como os das andróides que fingem ser mulheres e soam falsas. Sua pele clara, ainda dourada pelo verão, iluminava a piscina...
De imediato, soube que estava enfeitiçado por aquela inacreditável mulher. Quase me afoguei. Mas o que fazer? Como abordá-la? Seria solteira ou casada? Sonhei ali mesmo enquanto nadava que seria maravilhoso sentir os seus lábios, o calor de seu corpo, o vigor de suas pernas.
Boa nadadora que era, passava por mim rapidamente, sem ao menos perceber que eu existia. Mas eu sabia que ela seria minha. Algo tinha que ser feito. Após 10 piscinas, parou na borda para descansar, retirando seus óculos e a touca de silicone. Exibia, assim, para mim, seus olhos verdes, que transpareciam uma alma ingênua e limpa, e seus cabelos louros caídos pelos ombros. Movido por uma incontrolável atração, nadei o mais rápido que pude até ela. Percebi que ela também me olhava. Meu coração disparou.
Não sei bem como e nem com que fôlego, falei que era meu primeiro dia de aula e que há muitos anos não nadava. Ela sorriu, me deu umas dicas sobre como alongar para não ficar dolorido, com a musculatura enrijecida e disse: Tchau e até mais!
Entorpecido, não consegui murmurar mais nada. Passei o final de semana inteiro me censurando e lamentando minha falta de expediente. Que demora até a próxima aula... Na segunda-feira, nem precisei do despertador. Pulei da cama e corri para a piscina. Mas nada da guria chegar. Isso era demais. Muito ruim. Fazer o que? Passei a nadar para matar o tempo e aplacar o desapontamento. Ela só havia se atrasado! Quando me viu, falou sorrindo: - E aí quiri (de querido), tudo lêga? Respondi, tudo bem. Como foi o fim de semana? – Na paz, ela complementou.
Nossa, que gracinha! Aquela beleza angelical e roubada de um filme da Metro era também uma remanescente de Woodstock. Que tempero... Ao final da aula, ficamos conversando por muito tempo. Chegamos até mesmo a chamar a atenção dos demais colegas e das senhoras da hidro-ginástica que nos olhavam e cochichavam. Era questão de tempo. Nós dois sabíamos que estaríamos juntos.
Com a confiança restabelecida, esperei até o sábado para convidá-la para sair. Fiz o Kit sedução completo: bom bar, música ao vivo e muito champagne. Ao embalo de La Vie en Rose, em pleno Café Concerto, foi maravilhosos tragar o sabor de seus lábios. Que encantamento, essa mulher era perfeita.
Ela também estava apaixonada, contou-me que havia terminado um namoro de muitos anos porque seu namorado não suportava suas gírias. Mas que caretice, afinal ela havia estudado no Rosário, depois na UFRGS e, agora, fazia “Fono” no AMERICANO. Que otário, que babaca, que preconceito.
Passamos a nos ver todos os dias. Estávamos enamorados e na maior paz. Meus amigos tinham que conhecê-la. Morram de inveja!!
Mas que ocasião perfeita. Uma amiga da época da faculdade convidava-me para seu aniversário a ser comemorado em grande estilo. Confirmei nossa presença, avisando-a que seria uma festa formal, requintada, mas mesmo assim alegre. Ela não fez por menos. Vestiu uma roupa linda, branca e leve. Era uma miragem. Quando chegamos foi um impacto. Ela resplandecia.
Minha amiga nos deu as boas vindas, iniciando as apresentações. Desembargadores, procuradores, empresários e socialites. Só dava ela na festa. Que orgulho! Ela gostou. Olhava para a vista do apartamento, seus quadros e esculturas encantada. E que festa! Os garçons sempre atentos, a prataria brilhando, excelente bebidas e canapés. Ela, que não era mesquinha, sabia como retribuir uma boa acolhida e assim o fez em alto e bom tom bonfiniano: - Teu apê é do peru!! Que lêga!!
Foi um choque. Um entrevero de olhares. Uma surpresa geral... Não falei nada na hora, mas aquilo me aborreceu. Já havia percebido que era uma pessoa de poucas luzes, mas isso era demais até mesmo para ela. Passei, então, a virar um chato, corrigindo-a cada vez que falava um “cara” e um “só”. Até mesmo um “na paz”, outrora música para meus ouvidos. Era hora de fazer uma “devolú”, uma devolução. Como fazer?
Como se o destino conspirasse contra o nosso romance, uma série de acontecimentos trágicos em nossas famílias nos afastaram, obrigando-me a viajar durante um ano para a serra todos os finais de semana. Os contratempos foram tamanhos que nunca retornei suas ligações.
Passado meu inferno particular, vejo aquela visão entrar no cinema que, sem me reconhecer, acabou por sentar ao meu lado. Que coincidência! Que saudades! O filme, pasmem, era O Contato. Nossos corações dispararam de alegria ao encontrar dos olhos. Ela chegou a esquecer a mágoa e a tristeza pelo meu desaparecimento.
Expliquei-lhe que havia perdido cinco pessoas queridas. Ela me ganhou, dizendo que no mesmo período perdera seis. Que dramalhão mexicano! Isso não combinava conosco. Terminado o cinema fomos para minha casa, tomamos champagne, nos beijamos... Voltara a paixão. Para mim, ela era perfeita de novo. Nossa como pude perdê-la, ser tão tolo? Convidei-a para viajar para a praia. Ele topou na hora. Imediatamente, iniciei os preparativos. Liguei para a zeladora e encomendei uma faxina. Quero tudo impecável, falei em um tom confiante e determinado. Ah, eu era o cara, e ela estava de novo na minha! Vai ser gostoso assim lá em casa, pensei.
Depois da minha sumida, sem qualquer desculpa, ela caía em meus braços. Telefonei para meus amigos e desfiz uma série de compromissos agendados. Contei aos mais chegados, lembram da “quiri”, pois saibam que está de volta. Como me vangloriei...
Chegada a grande data, a procurei todo manhoso, com aquela voz a la Antônio Fagundes (aprendida em curso de teatro), perguntando se ela estava pronta. Ela, que havia se sofisticado durante esse ano, pronunciou em rebuscado francês: - Chéri, vou ter que pedalar esse fim de semana.
Pedalar, como assim? Eu sequer sabia que ela tinha uma bicicleta, mas fingindo não estar arrasado perguntei: - Mas você vai participar de algum evento, algum Triatlon?
- Não Chéri, vou ter que te pedalar!
Eu pedalado? Logo eu que me matava de rir ao ver os empregados de uma empresa em que trabalhei usarem essa expressão chula e simplória. Sim, isso mesmo, Cherie não mais me queria. Havia passado, e o que é pior, eu era o passado.
Hoje, sei que jamais esquecerei Cherie e que continuarei a ouvir, cada vez que passar no Bomfa, sua voz a me dizer: - Chéri, vou ter que te pedalar.

09 de julho de 1998

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Vou-me embora

Com o coração apertado, com vontade de ficar mais um pouco, me despeço dos pagos gaúchos. Tenho muito o que fazer.

O segredo dos seus olhos.

Ontem assisti o “Segredo dos seus olhos.”. Sensacional filme Argentino que acabou papando um Oscar. Cinema de primeiríssima qualidade, coisa rara nessa década. O trabalhão dos atores, o roteiro e a fotografia são extraordinários. Não vou entrar na história, ou comentar as relações discutidas no filme, pois não quero tirar de quem ainda não viu o filme, o impacto do primeiro olhar sobre cada cena. Mesmo assim não consigo resistir de mostrar o trailer e de citar algumas frases que gravei de cabeça e que tem mais ou menos essa idéia se a minha memória não falhou: “- Como se faz para viver uma vida vazia, uma vida cheia de nada? Como se faz?”

sábado, 8 de maio de 2010

Homenagem a todas as mães


"Eu, como meu pai, já estou morto, como minha mãe, vivo ainda e envelheço. Essa dupla ascendência, como que do mais alto e do mais baixo degrau da escada da vida, ao mesmo tempo décadent e começo - é isso, se é que é alguma coisa, que explica aquela neutralidade, aquela liberdade de partido em relação ao problema global da vida, que, talvez me caracteriza. Tenho para os sintomas de ascensão e declínio um faro mais refinado que jamais teve um homem, sou o mestre par excellence nisso - conheço a ambos, sou ambos".

Friedrich Nietzsche

quinta-feira, 6 de maio de 2010

A chegada

Ao amanhecer cheguei em casa. Da porta de entrada vi esse navio que se aproximava. Abri a porta, deixei as bagagens na sala e, sem trocar de roupa, corri para a praia para celebrar o amanhecer na cidade maravilhosa. Agora, já estou em Porto Alegre, recebendo o afeto da bípede e da sua família.









domingo, 2 de maio de 2010

Próxima Parada - Rio de Janeiro - Brasil

Faltam apenas cumprir tarefas burocráticas para poder voltar para o Rio. Para tentar fazer o tempo andar mais rápido, arrumei as malas há uma semana, mas parece que só pra me contrariar está tudo em câmera lenta. Em comemoração a esse retorno, coloquei dois vídeos. Um só não seria justo com o Brasil que é um gigante. Está muito mais para um continente do que para um país. Se vou sentir saudades da Suíça? É claro que sim. Gosto muito daqui e da Europa em geral. Mas eu quero voltar, e para ficar.


Inveja

Eu tenho uma inveja do Sarkozy.


Quelqu'un M'a Dit
On me dit que nos vies ne valent pas grand chose,
Elles passent en un instant comme fanent les roses.
On me dit que le temps qui glisse est un salaud
Que de nos chagrins il s'en fait des manteaux

Refrain:
Pourtant quelqu'un m'a dit
Que tu m'aimais encore,
C'est quelqu'un qui m'a dit que tu m'aimais encore.
Serais ce possible alors ?

On dit que le destin se moque bien de nous
Qu'il ne nous donne rien et qu'il nous promet tout
Parait qu'le bonheur est à portée de main,
Alors on tend la main et on se retrouve fou

Au refrain

Mais qui est ce qui m'a dit que toujours tu m'aimais?
Je ne me souviens plus c'était tard dans la nuit,
J'entend encore la voix, mais je ne vois plus les traits
"il vous aime, c'est secret, lui dites pas que j'vous l'ai dit"

Tu vois quelqu'un m'a dit
Que tu m'aimais encore, me l'a t'on vraiment dit...
Que tu m'aimais encore, serais ce possible alors ?

On me dit que nos vies ne valent pas grand chose,
Elles passent en un instant comme fanent les roses
On me dit que le temps qui glisse est un salaud
Que de nos tristesses il s'en fait des manteaux,

Au refrain

Alguém Me Disse
Disseram-me que as nossas vidas não valem grande coisa,
Elas passam em instantes como murcham as rosas.
Disseram-me que o tempo que desliza é um bastardo
Que das nossas tristezas ele faz suas vestes

(Refrão)
No entanto alguém me disse...
Que você ainda me amava,
Foi alguém que me disse que você ainda me amava.
Seria possível então?

Disseram-me que o destino debocha de nós
Que não nos dá nada e nos promete tudo
Faz parecer que a felicidade está ao alcance das mãos,
Então a gente estende a mão e se descobra loucos

(Refrão)

Mas quem me disse que você ainda me amava?
Eu não recordo mais, já era tarde da noite,
Eu ainda ouço a voz, mas eu não vejo mais seus traços
'ele ama você, isso é segredo, não diga a ele que eu disse a você'

Sabe, alguém me disse...
Que você ainda me amava, disseram-me isso de verdade...
Que você ainda me amava, Seria isto possível então?

Disseram-me que as nossas vidas não valem grande coisa,
Elas passam em instantes como murcham as rosas.
Disseram-me que o tempo que se vai é um bastardo
Que das nossas tristezas ele faz suas vestes

(Refrão)

sábado, 1 de maio de 2010

Non, non, non

Não, não, não, eu não quero esquecer...

Lyrics to Non Non Non :
Combien de fois faut-il
Vous le dire avec style
Je ne veux pas sortir au Baron

Non, non, non, non
Je ne veux pas prendre l'air
Non, non, non, non
Je ne veux pas boire un verre
Non, non, non, non
Je ne veux pas l'oublier
Non, non, non, non
Je ne veux pas m'en passer

Je veux juste
Aller mal et y'a pas de mal à ça
Trainer, manger que dalle
Écouter Barbara
Peut-être il reviendra

Non, je ne veux pas faire un tour
A quoi ça sert de faire un tour
Non, je ne veux pas me défaire
De ce si bel enfer
Qui commence à me plaire
Je ne veux pas quitter mon salon

Non, non, non, non
Je ne veux pas prendre l'air
Non, non, non, non
Je ne veux pas boire un verre
Non, non, non, non
Je ne veux pas l'oublier
Non, non, non, non
Je ne veux pas m'en passer

Je veux juste
Aller mal et y'a pas de mal à ça
Trainer, manger que dalle
Écouter Barbara
Peut-être il reviendra

Non, je ne veux pas aller mieux
A quoi ça sert d'aller mieux
Non, je ne veux pas m'habiller
Non plus me maquiller
Laissez-moi m'ennuyer
Arrêtez avec vos questions

Non, non, non, non
Je ne veux pas prendre l'air
Non, non, non, non
Je ne veux pas boire un verre
Non, non, non, non
Je ne veux pas l'oublier
Non, non, non, non
Je ne veux pas m'en passer

Je veux juste
Aller mal et y'a pas de mal à ça
Trainer, manger que dalle
Écouter Barbara
Peut-être il reviendra

Encontrei seres