sábado, 29 de maio de 2010

BABA BABY e a palavra de Deus

Apavorado de entrar na faquinha na segunda, na noite de sexta decidi cair na gandaia. Primeiro fui jantar com alguns amigos em um restaurante italiano, e bebi um pouquinho além do que devia. Afastado o resto de bom senso que pudesse existir em minha cabeça, cheguei em uma pequena “boite” que, digamos assim, não é um lugar que minha mãe ficasse contente de me ver. Um típico inferninho de Copa em que as vezes rolam festas legais. O lugar se considera techno punk. Por coincidência, encontrei diversos amigos. O mundo é muito pequeno mesmo. Um deles acabou de terminar um namoro de 4 ou 5 anos com uma menina muito querida que nesse ano sonhava casar, e depois ter filhos e netos com ele. Parece que ela já havia inclusive marcado a igreja. Quando ele me falou que estava muito bem, que tudo estava superado, me coloquei no lugar da pobre que levou o fora, e fiquei indignado. Movido por dificuldades minhas, perguntei como alguém consegue fazer juras de amor por 4 anos e depois de apenas dois meses de rompimento dizer que está tudo superado? Por que para algumas pessoas é tão fácil acabar com um afeto ao ponto de se dizer indiferente? Entendo que o amor acaba, que a paixão evapora, mas mesmo assim laços de afeto doem muito quando são rompidos. Não é possível superar tudo em 2 meses. Arrependido de ter feito essa pergunta decidi ir embora. Foi quando rolou um BABA BABY pra cima de mim. Fiquei enlouquecido quando chegou uma “criança” que eu dispensei no ano passado alegando que eu era muito mais velho. O que eu tinha na cabeça? Afinal 42 para 28 não é nada. Praticamente a mesma idade. Como eu pude ser tão preconceituoso? Pois quando eu resolvi atravessar de volta o cabo da boa esperança, me dei mal pra caramba. Literalmente, a criança fez o estilo BABA BABY (Baby olha o que perdeu, a criança cresceu...). Babando e com vergonha do esculacho que recebi, vi que o melhor era voltar para casa. Com as pernas bambas, entrei no primeiro táxi. Expliquei que eu precisaria ir no banco da frente pois estava com pequeno problema nas pernas e faria uma cirúrgia em dois dias. Compadecido com o meu estado, não é que o motorista resolveu me levar a palavra de Deus. Me falou que se eu acreditasse em Jesus com fé todos os meus problemas estariam resolvidos. Mas eu precisaria ter fé de verdade em Deus e em Jesus. Descrente desse mundo, arrasado por BABA BABY, disse que eu era ateu, e que pelo jeito nem o Papa tem muita fé em Deus pois não param de acontecer escândalos envolvendo a igreja católica e até o seu próprio nome como acobertador de pedófilos. Foi quando ele me explicou que eu estava na religião errada. Deveria ser protestante batista. Quando sai do carro, ele disse um afirmativo “Fique com Deus”. Ao chegar na portaria do edifício, lembrei que eu tinha que ir na farmácia comprar um copinho esterelizado para o exame que eu teria que fazer pela manhã. Que saco. Mesmo no Rio não é fácil encontrar uma farmácia aberta às 4 horas da madrugada. Saí de novo para a rua, caminhei duas quadras e avistei um taxi. Pois era o mesmo senhor. Nesse momento ele ficou convencido que Deus havia me jogado novamente no seu taxi aquela noite. Não silenciou mais. Parecia uma matraca, com um sorriso de vitorioso, e um tom de voz que eu não sei onde eles aprendem, mas que é comum nos fanáticos de todas as religiões. Assim, ouvindo BABA BABY dentro do meu coração, ouvi ele dizer que esse reencontro era a prova de DEUS, que queria que ele me levasse ao coração de Jesus. Pensei que no coração do Jesus só a Madona e olhe lá, mas fiquei quieto. Depois de ouvir toda essa lenga lenga carola por uma meia hora (as farmácias estavam todas fechadas), finalmente cheguei em casa. Até que não foi tão ruim voltar só, infinitamente só, e subir os degraus do edifício como quem sobe para um cadafalso depois disso tudo. Será que foi Deus mesmo?

9 comentários:

  1. Olha Terráqueo, se foi Deus ou não, só ele sabe. Mas que deu-se uma coincidência, isso se deu. As pessoas que tem mais fé do deveriam ter, quero dizer, as que são instadas por estes cultos de toda a ordem a fazer relações metafísicas entre Deus e a alma, em geral pegam por este lado, o de dizer que são enviadas, etc. Mas nunca ;é demais crer em Deus. Eu, por exemplo, creio e rezo na minha intimidade, como rezo por ti. Agora, em relaçao ao cara que disse que apagou em dois meses uma vida amorosa de quatro anos, este estava bêbado ou é mentiroso. Forte e fraterno abraço. Boa recuperação.

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  2. Algumas considerações a respeito desse post:

    - cada término é único. O amor pode ter acabado faz tempo, pode ter restado a comodidade, o medo de abandonar o certo pelo duvidoso, nada mais. Dois meses fisicamente distantes, mas, há quanto tempo emocionalmente separados?

    - sou, também, uma criança no alto dos meus 26 anos? Ora! Se disser que sou ficarei até feliz, sabia?! rs.

    - não se despensa alguém pura e simplesmente pela idade... Se disser que sim, eu ficarei deveras triste!

    - quando damos a noite por encerrada, eis um gran finale. Vai dizer que você não riu disso tudo depois?!

    - e por fim, e o mais importante, boa sorte segunda... Receba meus bons pensamentos!

    Abraço!

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  3. Paulo, não consigo crer em Deus, mas acredito em amizade e em energias positivas que podem vir inclusive em forma de orações. Muito obrigado pelo teu carinho. Tu és um amigo muito querido.

    Lucia, não foi castigo divino. Foi inteligência pura de quem viu que eu era uma furada.

    Angel, não acredito em Deus mas acredito em anjos. Você é um anjo lindo e uma criança adorável. Claro que não se dispensa alguém somente pela idade. Aleguei isso para me justificar. O fato é que não falou ao coração naquele momento. Muito obrigado pelos pensamentos positivos. Nisso eu definitivamente acredito. Já chegaram até mim, na forma do teu comentário carinhoso, e me sinto melhor por isso.

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  4. Os comentários da Angel abalaram todas as estruturas... Se esse casal estava há muito mais tempo separado (do que os dois meses fisicamente...), por que as pessoas não têm coragem para buscar a felicidade? Trocar o certo pelo duvidoso? Que certeza é essa quando se está emocionalmente separado? Aposto que esse carinha devia fazer juras de amor para a menina até os 45min do segundo tempo. Christine, uma das amantes de Van Gogh, suicidou-se deixando a seguinte carta para o pintor holandês: "Foi maravilhoso amar você, mas minha família não permite. Obedecerei a minha família, mas farei a minha vontade... Sou parte dessa desgraça. Tenho que partir. Você chegou tão tarde em mim que, a essa altura, a minha vida já passou." . As pessoas não podem deixar a vida simplesmente passar!

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  5. Não conhecia a música nem o vídeo, só a expressão baba baby. E, sinceramente, querido Terráqueo, se for assim, como na música e no vídeo, a criança não cresceu, apenas envelheceu e ainda se tornou um porre.
    Sobre o táxi, o mundo é uma aldeia, e O RJ está nela.

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  6. Mesmo que não acredites em Deus, ainda assim rezo para que tudo corra bem,um grande beijo.

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  7. Bípede Falante Falou e Disse!

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Encontrei seres