quarta-feira, 26 de maio de 2010

Emoções Fortes - De Hollywood ao povo da roça. Casos horripilantes que marcaram a minha infância e juventude.

Eu tinha 8 anos quando meu pai me levou ao cinema para assistir a esse filme. Fiquei tão apavorado que tive pesadelos repetidos por anos. Isso rendeu várias sessões no terapeuta. Mesmo agora, quarentão, ainda me arrepio com essa cena.

Na adolescência conheci um jovem cujo avô enlouqueceu em uma fazenda e assassinou os empregados e o filho (tio do rapaz). Ele conseguiu escapar depois de uma longa perseguição em uma mata fechada. Depois disso, o avô se matou. Uma vez estávamos a perseguí-lo em uma brincadeira juvenil sádica, quando ele reviveu esses momentos traumáticos, subiu no telhado do ginásio de esportes, e ficou quase em estado de choque. Fiquei com muita pena. Ninguém sabia do seu trauma.

Lembro de um outro caso em que o morador de uma fazenda vizinha a uma pequena propriedade que meu pai tinha afastada da cidade, castrou o neto. Faz tantos anos que não tenho certeza se ele se matou depois ou se ficou vivendo em um quarto da fazenda. Acho que tenho uma pequena memória do velho maluco.

Finalizando, o capataz do sítio da família, que aliás foi quem me contou a última historieta no próprio local dos fatos, correu atrás da mãe com um machado que conseguiu se salvar do filho por muito pouco. Por coincidência ele era a cara do Jack Nicholson. A pobre diaba, que era uma megera mesmo, para escapar teve que atravessar com pressa uma cerca de arames farpados. Ficou toda lanhada. Curiosamente, meu pai, depois de queixar-se porque eles interromperam suas férias na praia com esse incidente, manteve esse empregado no sítio por muitos anos, e levou a infeliz para trabalhar na nossa casa. Segundo ela, ela tinha uma maldição porque em todo o lugar que ela ia, ela saía corrida. Por que será? De qualquer forma, ficamos todos com muita pena da velha infeliz que, como também não deu certo lá em casa, a minha mãe tentou repassar para a minha cosmopolita avó materna na capital. Novamente não emplacou, pois a minha avó, embora tivesse um discurso politicamente correto, não gostava da companhia de gente caipira. Ela queria uma dama de companhia da cidade. Que gostasse de jogar cartas, tivesse um bom português e pudesse frequentar os mesmos ambientes, sem que parecesse alguém que estava lá para cuidá-la. Foi engraçadíssimo quando a minha avó providenciou para a megera um corte de cabelo, em um elegante salão de Porto Alegre, que transformou a longa cabeleira branca pela cintura em uma cabeleira curta, castanha e com permanente. Minha veia sádica berrou, e tive que me controlar para não rir. Foi quase como tirar a vassoura da bruxa malvada. Lembro ainda da minha tia dizendo que a minha mãe sempre gostou de gente de sítio, mas que isso não combinava com a minha avó. Eu achei graça, pois eu também adoro. Suas histórias são fantásticas. Ai como estou mau hoje. Zombar da desgraça alheia é horrível. Estou até com vergonha dessa postagem. Desculpem-me.

8 comentários:

  1. Pois adorei o post. Está um primor de delícias. Mais saboro impossível. Ri muito!

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  2. A referida senhora foi uma das pessoas mais chatas que lembro, não foi a toa que o filho correu ela do sitio, o azar é que a megera termionou lá em casa, só indo embora quando nossa irmã mais velha também correu com ela, já foi tarde,um beijo

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  3. Oi...Terráqueo...não fique com vergonha...
    adorei o post...
    Acho que se tivesse assistido esse filme no cinema...aos 8 anos...me borraria...sério...
    ainda hoje quando assisto...dá um medinho...como é que vou saber que as pessoas ao meu lado não vão se transformar...ou não vão enlouquecer de maneira obsessiva?
    beijos...
    ainda mais gentis...
    e iluminados...
    Leca

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  4. Se a gente não ri de si mesmo, quem rirá?
    Pobre gente nossa :)

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  5. A vida é mesmo muito delirante... São essas histórias loucas que a enriquecem, mesmo que de forma um pouco doentia, sádica e mesmo sórdida às vezes, e mesmo essas não deixam de ter o seu traço de humor. Castração, machado, bruxa... Ai que medo! rs

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  6. O povo da roça é cheio de emoções.

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  7. Senhor amado, uma amiga minhaquer ver esse filme comigo, morri, NUNCA. Desculpa Ge, mas não quero nunca ver esse filme: culpa do post. rsrs

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  8. Eu espero que não tenha sido a associação com o meu povo da roça a culpa da sua desistência.

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