terça-feira, 25 de maio de 2010

Lost e Truffaut

Lost termina hoje no Brasil deixando uma legião de fãs sem resposta e sem opção. Onde encontrar algo realmente inusitado? Bem feito? Com bons atores e uma fotografia belíssima? Certamente não será fácil. Pelo menos nesses tempos de extrema insensibilidade e de pouquíssima arte. Enquanto isso, sugiro algo realmente diferente. Sem monstros, dimensões paralelas, correrias, viagens no tempo, naves espaciais, homens verdes ou tiroteios e bombas. Corram para a loja de DVDs mais perto e comprem a caixa com “As Aventuras de Antoine Doinel.”. São quatro DVDs que mostram a história desse personagem, baseado no próprio Truffaut, desde menino até a fase adulta. Segundo Truffaut os fatos narrados são verdadeiros, e o que não aconteceu com ele mesmo, aconteceu com outras pessoas. E é isso que torna esses filmes tão interessantes, tão cativantes, tão inusitados, tão diferentes. Falam do que é possível, das emoções mais puras, como a rejeição, revolta, amizade, paixão e mudanças na vida, com muito humor. O primeiro filme “Les Quatre Cents Coups” (gosto mais do nome em francês – Os quatrocentos golpes) traduzido como "Os Incompreendidos" e o Média Metragem “Antoine e Colette” foram filmados em 1959 e em 1962, e são em preto e branco. Mas não tenham preconceito porque os filmes são antigos. A fotografia é belíssima. Os demais filmes foram filmados com o mesmo ator entre 1968 e 1979 e já são coloridos. O que vocês acham de um personagem que contrata uma firma de detetives para descobrir por quê as pessoas não gostam dele (Beijos Proíbidos - Baisers Volés)? Assista também "Domicílio Conjugal, filmado em 1970, e "O Amor em Fuga", de 1979. Truffaut era um gênio, e não teve medo de se expor. De reproduzir nas telas uma história semelhante a sua. Expor que fora rejeitado pela mãe, que jamais conhecera o pai biológico, que acabou em um tipo de reformatório, e que deu a senhora volta por cima. É uma pena que os filmes de autor tenham parado de existir. Salvo Woody Allen e Almodóvar não identifico mais os cineastas se não tiverem escrito seus nomes em letras garrafais nos cartazes. Parecem que os filmes são feitos sempre pela mesma pessoa, ou melhor, pela mesma indústria. Por isso, cada vez mais corro para o cinema francês.



6 comentários:

  1. Terráqueo:

    Truffaut foi um gênio marcante do cinema dos anos 60, tão importante quanto lfred H., aliás amigos um do outro. Pena que morreu prematuramente. Abraçois.

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  2. Embora tenha ouvido falar nele a vida inteira, somente agora estou vendo seus filmes. Maravilhoso. Abraço,
    Terráqueo

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  3. Pena mesmo que Truffaut morreu prematuramente. Os incompreendidos é uma obra de arte com letras maiúsculas. Quanto ao Lost assisti ontem até a madrugada a maratona final. E no final das contas......

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  4. No final das contas fiquei muito decepcionado. Acho que descambou para um cristianismo barato. O final na igreja foi de doer. Por outro lado, combina com o pensamento moralista norte-americano que adora uma bíblia. A turma do alô além também deve ter adorado. Aposto, no entanto, que o filme sobre o Chico Xavier teve um roteiro mais estudado.

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  5. «Salvo Woody Allen e Almodóvar não identifico mais os cineastas se não tiverem escrito seus nomes em letras garrafais nos cartazes.»

    partilho. de certa forma, partilho.

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  6. Tinha certeza de que você iria adorar!
    Tente conseguir A Noite Americana. Você vai rir de chorar em algumas cenas. É um outro diretor dentro do mesmo. Aliás, é um filme sobre fazer filmes.

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