domingo, 23 de maio de 2010

Mademoiselle Chambon

O cinema francês está cada vez melhor. Sem efeitos especiais e cenários grandiosos, conta histórias possíveis que podem acontecer com qualquer pessoa comum. Esse filme valeria o ingresso apenas pela primeira cena, em que um pedreiro e sua esposa tentam ajudar o filho pequeno a fazer a lição de casa. O constrangimento do casal é enorme quando o menininho lhes pergunta qual o complemento do objeto direto. Mas o filme é muito mais do que isso. Logo depois se torna denso e retrata a formação de um triângulo amoroso no qual pedreiro Jean se apaixona pela professora do filho. Para piorar a situação, sua mulher fica grávida. Não há nesse filme o maniqueísmo norte-americano que me incomoda tanto, e me afasta das salas de cinema. Os personagens são sensíveis e éticos, mas suscetíveis aos seus próprios instintos, a falharem com as pessoas que mais amam. Humanos enfim. Embora os diálogos sejam excelentes, as cenas que mostram a formação do triângulo, o entendimento de que não poderia dar certo, e a solução encontrada pelos personagens para resolver essa situação não contam com diálogos. Contam apenas (e isso é muitíssimo difícil de fazer) com a expressão dos atores, que são magistrais. Confesso que fui nocauteado, atingido no estômago e no coração de uma forma inesperada. A cena do trem reavivou em mim olhar apaixonado que me fitava na estação de trem em Londres em 2005 e que não sai da minha cabeça até hoje. No Rio esse filme logo sairá de cartaz. Corram para vê-lo.

6 comentários:

  1. Terráqueo, o GED, lá do Mínimo Ajuste, criou um blog para contos: http://contosmarginais-ged.blogspot.com/
    Você gostaria de encaminhar os seus para lá também?
    Ele mora em Coimbra, mas tem um grupo de amigos angolanos, com visões de mundo bastante interessantes. Se você se interessar, me avisa que eu peço a ele para te enviar a permissão. Beijo.
    Bípede

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  2. Quando você falou das cenas sem diálogos, me lembrei de um filme que assisti na TV por assinatura há bastante tempo, intitulado em português de Assédio, de Bernardo Bertolucci, 1998, com Thandie Newton e David Thewlis. Foi um filme que deixou em mim uma forte impressão e isso que eu já peguei o bonde andando, não assisti desde o começo. Há pouquíssimos diálogos no filme, mas as cenas são tão fortes, as emoções são tão magistralmente interpretadas, que não esqueci nunca mais desse filme. Ultimamente tenho pensado em comprar o DVD para assistir desde o começo. Você por acaso viu?

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  3. Não vi esse filme ainda. Vou ver na certa. Acho que temos gostos parecidos.
    Beijos,

    Terráqueo

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  4. Bípede,
    Adoraria participar desse blog de contos.

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  5. Adoro sua dicas.
    Infelizmente o filme não vem pra Curitiba.
    Bjs

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