quarta-feira, 9 de junho de 2010

Muito triste para pensar em um título

Fiquei sabendo há poucos minutos do suicídio de uma amiga dos tempos da faculdade. Ela era extremamente doce e carinhosa. Tenho recordações engraçadíssimas da gente estudando, voltando para casa, saindo para dançar, e fazendo as provas em conjunto para a irritação dos professores. Teve um professor mais experto que chegou a nos separar durante uma prova. Embora bonita, com uma ótima condição financeira, e apaixonada pelo marido, não foi feliz. A última vez que nos vimos foi em 2002, em um aeroporto. Como nossos vôos atrasaram cerca de 5 horas, pudemos colocar os assuntos em dia. Descobrimos que nossas vidas tinham diversas semelhanças. Ambos morávamos longe de nossas famílias, havíamos saído dos nossos círculos sociais, e apostávamos em relações afetivas complicadas. Foi muito bonita a forma com que ela abriu seu coração me contando momentos bem difíceis que havia passado, mas que mesmo assim continuava lutando para ser feliz, acreditanto em um futuro melhor. Ela também ficou impressionada quando eu lembrei das suas músicas preferidas em 1986 (eram do Kid Abelha e do The Smiths), do número do seu apartamento, da sua blusa estampada azul e rosa, e das suas meias com pompom (éramos bem jovens naquela época e a Xuxa estava na moda). Estou muito triste por ela, e guardarei para sempre a imagem da última vez que nos vimos. Ela havia se transformado em uma mulher interessante e chique. Estava com o cabelo um pouco acima dos ombros e usava um lencinho no pescoço. Bem internacional. Quem me contou do fato, mencionou que o suicida sempre dirige sua morte contra alguém. Acho que isso pode acontecer, mas não sempre. Penso que na maioria das vezes a pessoa está tão sem esperança no futuro, tão devastada, que somente quer parar de sofrer, desligar. Dirige sua morte contra si mesma. Não pensa nas conseqüências dos seus atos perante os terceiros, pois se pensasse efetivamente não o faria. Não se lembra nesse momento no sofrimento que irá causar as pessoas que ela sabe que a amam, como a família por exemplo, e tampouco será movida fundamentalmente pelo sentimento de vingança, por mais raiva que tenha. Move-se muito mais pelo desespero, pelo sofrimento insuportável. Um grande beijo para essa amiga, que guardarei para sempre como uma pessoa doce, gentil e íntegra. Nessas horas me confortaria tanto acreditar em Deus, que algo continua, mas não creio. Somente consigo ficar triste e lamentar.

3 comentários:

  1. Meu último post também fala de morte. No meu caso uma morte distante, desconhecida, que causa tristeza apenas pela fatalidade. No seu caso, morte próxima, de alguém que fez parte da sua vida, tristeza que dói e permanece por mais tempo. É a vida...
    Também acho que o suicídio é o último ato de uma tragédia particular, não se dirige a ninguém. Acontece quando não se vê mais saída. Não há mais luz, esperança, vontade, tudo está (ou parece) perdido.

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  2. Eu sabia que você ficaria muito triste...

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  3. É impressionante como essa notícia me pegou. Embora distante há tantos anos, ela foi a pessoa que mais me marcou no início da faculdade. Era muito boa gente. Merecia ter sido feliz.

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Encontrei seres