sábado, 12 de junho de 2010

Para os corações partidos.

Nem o tempo consegue neutralizar de forma definitiva a dor da perda de um grande amor. Sempre ficam, com maior ou menor intensidade, um buraco no estômago, as lembranças inconvenientes e os pesadelos que lhe roubam o sono. Minha tia me disse novamente, e eu sei que ela está certa, que o único remédio eficaz para curar essa dor é um novo amor. Mas se sabemos disso, por que demoramos tanto tempo para encontrar o novo amor? Ora, porque não é fácil. Pelo menos para quem tem tipo, e não pressa. Encontrar alguém que atenda as nossas expectativas e exigências que são cada vez maiores conforme a idade avança é tarefa de gincana. Onde encontrar essa pessoa capaz de preencher nossos requisitos afetivos, culturais, sociais, econômicos e nossas fantasias sexuais? Essa equação é dificílima. Já ouvi que essa pessoa pode estar em qualquer lugar. Mas por mais cara de pau que sejamos, não dá para assediar todo mundo para tirar a teima. Assim, o novo amor pode realmente estar na fila ao lado, mas acabamos perdendo a chance. E não me diga que devemos ser menos exigentes, porque quanto mais distante for o novo amor daquilo que buscamos, mais difícil será o convívio. Quem gosta realmente de funk, cerveja e quadra de samba, não será boa companhia para quem a isso detesta, e vice-versa. E se não rolar a atração de cara, é melhor desistir, pois mesmo quando é grande no início, diminui progressivamente com o tempo. Já ouvi que isso não é regra absoluta se os dois não forem muito chegados, pois as amizades e casamentos por conveniência muitas vezes funcionam. Mas é só isso que se quer? Acho que quem está nessa situação não se cura por inteiro da dor do último amor. Assim, presos a lembrança da última relação, quando ficamos fragilizados, carentes e nas datas significativas, como a do dia dos namorados, esquecemos tudo o que foi ruim, as razões que impossibilitaram que a relação prosseguisse, e apelamos para atitudes transloucadas do tipo mandarmos cartões, telefonemas para dizer que te amo, e-mails, torpedos, ou até mesmo tomamos um porre, que pode ser sozinho ou com amigos na mesma situação. Os mais discretos pelo menos fazem isso em casa, porque sair no dia dos namorados sozinho é ainda mais torturante, um verdadeiro mico. É pior a sensação de incompetência quando olhamos todos aqueles casais felizes, com olhares apaixonados, se bem que a metade deles já está de saco cheio. Mas ficou combinado que no dia 12 de Junho todo mundo está feliz, mesmo quando já está uma chatice, para não falar em tédio terminal. Assim, na certeza de não ser lido, como se fazia nos programas de rádio do interior, dedico a música "Chega de Saudade" ao último grande amor. Todavia, se eu estiver sendo lido, favor sintonizar na outra estação e ouvir "Nunca, nem que o mundo caia sobre mim, nem se Deus mandar, nem mesmo assim, as pazes contigo eu farei.”



10 comentários:

  1. Sensacional o seu texto, Terráqueo! O ser humano é carente por natureza. Precisa ser lembrado, paparicado e receber muito carinho e atenção. E aí, quando se terminou um relacionamento antes do dia dos namorados, tudo fica à flor da pele e das lembranças. E aí a carência grita e as pessoas mandam e-mails que talvez nem refletem o que realmente estão sentindo... O lance é valorizar a pessoa que (ainda) se tem e tentar resgatar o amor no primeiro sinal de desgaste ou ruptura.
    Mas, como diria o mestre Chico Buarque, "agora era fatal que o faz-de-conta terminasse assim..." Ou seria "a cólera fatal...". Sei que sendo mico ou não, mesmo que pra lá desse quintal seja uma noite que não tem mais fim, o 12 de junho de 2010 no Rio de Janeiro está com um sol lindo, que insiste em brilhar e nos convida para novas aventuras, novas tentativas e por que não um novo e grandioso amor?
    "O que é que a vida vai fazer de mim?"

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  2. A vida irá fazer o que você se empenhar. Aproveite esse dia de sol e essa noite seja de luar ou de chuvarada. Mesmo sendo um mico, até as minhas muletas querem sair hoje para comemorar, afinal elas são um par. Vou levá-las para dar uma passeada, ainda que curta e bem comportada.

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  3. Amei, até porque estou na mesma situação, sozinha e cada vez mais seletiva.

    Duas frases do seu texto me encafifaram um pouco: "E se não rolar a atração de cara, é melhor desistir, pois mesmo quando é grande no início diminui progressivamente com o tempo."

    e

    "porque quanto mais distante for o novo amor daquilo que buscamos, mais difícil será o convívio."

    Há controvérsias: acho que a atração física é mais importante para os homens do que para nós mulheres. Na nossa lista de exigências a atração fica um pouco mais pro final da lista. E se ela diminui com o tempo, de qualquer forma, para que dar tanta importância a ela.

    Às vezes é necessário abrir mais o leque de possíveis opções para encontrar o ideal no improvável.

    Será que dei uma de tia?

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  4. Lúcia,

    Adorei os teus comentário. Concordo com eles na teoria, mas discordo na prática. O problema das relações amorosas é o equilíbrio da equação afeto e sexo. Acho que para os homens a atração é um pouco mais importante porque não podemos e não gostamos de fingir, somos mais insensíveis, egoístas, provavelmente por razões instintivas, hormonais ou culturais. Mas tenho visto mulheres com a libido a mil. Portanto, não sei se isso é uma verdade, ou apenas uma decorrência de uma repressão sexual que acabou por ditar comportamentos. O fato é que, citando uma outra frase que ouvi da tia, "a maioria das relações amorosas naufraga é nos lençóis.". Mas se para a maioria das mulheres a atração sexual é menos importante do que para os homens, se isso está no final da fila, e se elas sabem que tesão passa, por que se magoam tanto quando seus homens ficam 15 minutos com uma piranha que jamais verão novamente? Se elas sabem que para os homens é dificílimo controlar essa pulsão, que quando eles começam a pensar em sexo, não tem o que tire isso da cabeça, que eles tem que fazer um grande esforço para se controlar. É muito difícil esse balanceamento. Homens e mulheres são possessivos quando amam. Têm medo de perder o outro. O fato de uns conseguirem sublimar a baixa atração justifica que o outro também tenha que sublimar? Não sei a resposta, mas sou ciumento e não consigo dividir. Sei que devemos estar abertos a novas possibilidades, tentar focar a relação em outras bases, valorizando características mais importantes como a afetividade, integridade, cultura, generosidade, afinidades. Isso não seria o amor que se encontra na amizade amizade ao invés de amor romântico? Aliás o que é o amor? Eu penso que amo vários amigos e amigas com os quais não tenho o menor contato físico. Mas e o romantismo, a atração, tão importantes para que possamos sonhar um pouco e para que possamos liberar as endorfinas? Quanto a encontrar o ideal no improvável, é o que sempre ocorre, pois a grande probabilidade é tudo não passe de uma fantasia, de uma grande projeção. Adorei os teus comentários. Como sempre, vão me deixar pensando. Bj.,
    Terráqueo
    Um grande beijo,

    Terráqueo

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  5. Interessante. Novamente digo, há controvérsias. Acabei de chegar de um aniversário onde estavam servindo um ótimo vinho e acho que talvez eu escreva coisas que não diria se estivesse absolutamente sóbria.
    Certa vez um homem me disse que eu tinha um pensamento masculino, com relação às relações e ao sexo. Em outro oportunidade, outro homem me perguntou quanto o sexo representava em uma relação e eu respondi 80%. Hoje, passados alguns anos, eu acho que afeminei meus pensamentos e que o sexo, quando muito representa 50%. Ainda assim acho que é um índice alto.
    "O problema das relações amorosas é o equilíbrio da equação afeto e sexo.", será? Acho que o sexo é consequência do afeto. Novamente, falando como mulher, é claro... sei que o homem pensa diferente, fazer o que? São essas diferenças que tornam as relações homem/mulher tão interessantes.
    Não se trata de sublimar, fingir, trata-se de enxergar além, não é fácil, não sei se eu consigo fazer isso, mas acho que é o que devemos buscar. Podemos perder grandes oportunidades (e sei que as perdi) por ficar na superfície.
    Quanto à fidelidade, considero que é uma opção pessoal, que independe do outro, tem de ser por princípio e não por obrigação. Se o parceiro não é fiel, cabe ao outro aceitar ou cair fora. Não se pode exigir que o outro seja fiel, é impossível. Tem de ser um acordo entre os dois e deve ser respeitado.
    O amor? Chega sem avisar, encanta, às vezes não é a pessoa mais bonita, mas é alguém que nos completa, na cama é uma delícia, na mesa tem gosto de céu e no banho faz uma massagem... Às vezes até começa com uma amizade. É imprevisível.
    Deixando de falar sério, acho que os machos deveriam deixar logo para trás essa mania de homens das cavernas, instinto animal, hormônios, cultura ancestral, caverna, fogueira... se nós conseguimos, vocês também conseguem! rs
    Beijos
    Lúcia

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  6. Lúcia,

    Teus textos com gosto de vinho ficam ainda melhores. Nesse blog por favor fale o que lhe passar na cabeça. Adorei a frase "Podemos perder grandes oportunidades por ficar na superfície." Isso já aconteceu comigo algumas vezes também. Mas não acho que seja uma mania dos homens serem carvernosos. Nós somos mais limitados mesmo. As mulheres são mais generosas. Talvez isso seja algo desenvolvido no processo evolutivo para poder aguentar a maternidade e todo o trabalho que isso acarreta. Acho que os homens conseguem cumprir os contratos afetivos, mas continuo pensando que para os homens o sexo não tem nada a ver com afeto. Se vier junto, melhor, mas pode ser algo completamente satisfatório sem qualquer envolvimento emocional. Um grande beijo,
    Terráqueo

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  7. Para mim, sexo sem afeto é igual a masturbação, satisfaz mas não preenche. Sei que é difícil para o homem entender, é como discutir o sexo dos anjos. São visões diferentes, a masculina e a feminina, nem certas nem erradas, apenas diferentes. Nesse assunto há um ponto onde as paralelas se encontram (efeito do vinho): sexo é bom e ponto final.

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  8. Concordo que sexo sem afeto não preenche e que sexo é bom e ponto final. Se tiver um vinho ou um champagne então, é maravilhoso.

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  9. Querido Terráqueo, não deixe os povos ets do passado intoxicarem a sua cabeça.

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