sábado, 31 de julho de 2010

A vida sem ternura não é possível

O que realmente importa na vida e nas relações amorosas, é a ternura, o carinho, o amor pelas pessoas. Riqueza, poder e fama, sedução, são um acréscimo dispensável. Entretanto, sem ternura em nossas vidas, não temos nada, o tempo é lento e cruel, não podemos ser felizes. A letra da música abaixo, diz tudo isso e muito mais. É pura poesia. Para os que não estão acostumados com o francês, fiz uma tradução que, obviamente, deixa a desejar, mas ajuda a entender.



La tendresse
Letra de Bourvil

On peut vivre sans richesse
Podemos viver sem riqueza
Presque sans le sou
Quase sem dinheiro
Des seigneurs et des princesses
Os senhores e as princesas
Y'en a plus beaucoup
Eles têm muito mais
Mais vivre sans tendresse
Mas viver sem ternura
On ne le pourrait pas
Não não poderíamos
Non, non, non, non
Não, não, não, não
On ne le pourrait pas
Nós não poderíamos
On peut vivre sans la gloire
Podemos viver sem a glória
Qui ne prouve rien
Que não prova nada
Etre inconnu dans l'histoire
Ser desconhecidos na história
Et s'en trouver bien
E se encontrar bem
Mais vivre sans tendresse
Mas viver sem ternura
Il n'en est pas question
Isso não está em questão
Non, non, non, non
Não, não, não, não
Il n'en est pas question
Isso não está em questão
Quelle douce faiblesse
Que doce fraqueza
Quel joli sentiment
Que lindo sentimento
Ce besoin de tendresse
Faz falta a ternura
Qui nous vient en naissant
Que em nós venha nascer
Vraiment, vraiment, vraiment
Verdadeiramente, verdadeiramente, verdadeiramente,
Le travail est nécessaire
O trabalho é necessário
Mais s'il faut rester
Mas se deve parar
Des semaines sans rien faire
Semanas sem fazer nada
Eh bien... on s'y fait
Está bem...nos fazemos
Mais vivre sans tendresse
Mas viver sem ternura
Le temps vous parait long
O tempo lhe parecerá longo
Long, long, long, long
Vagaroso, vagaroso, vagaroso
Le temps vous parait long
O tempo lhe parecerá vagaroso
Dans le feu de la jeunesse
Com o fogo da juventude
Naissent les plaisirs
Nascem os prazeres
Et l'amour fait des prouesses
E o amor faz proezas
Pour nous éblouir
Para nos seduzir
Oui mais sans La tendresse
Sim mas se a ternura
L'amour ne serait rien
O amor não será nada
Non, non, non, non
Não, não, não, não
L'amour ne serait rien
O amor não será nada
Quand la vie impitoyable
Quando a vida implacavelmente
Vous tombe dessus
Lhe derrubar do alto
On n'est plus qu'un pauvre diable
Nós não somos mais do que um pobre diabo
Broyé et déçu
Triturados e desapontados
Alors sans La tendresse
Agora sem a ternura
D'un cœur qui nous soutient
De um coração que nos protege
Non, non, non, non
Não, não, não, não
On n'irait pas plus loin
Não iremos mais longe
Un enfant vous embrasse
Uma criança lhe abraça
Parce qu'on le rend heureux
Porque nós lhe recebemos contentes
Tous nos chagrins s'effacent
Todas nossas desgosto se apagam
On a les larmes aux yeux
Com as lágrimas nos olhos
Mon Dieu, mon Dieu, mon Dieu...
Meu Deus, meu Deus, meu Deus,
Dans votre immense sagesse
Em vossa imensa sabedoria
Immense ferveur
Imenso fervor
Faites donc pleuvoir sans cesse
Faça então chover sem cessar
Au fond de nos cœurs
No fundo do nosso coração
Des torrents de tendresse
Torrentes de ternura
Pour que règne l'amour
Para que reine o amor
Règne l'amour
Reine o amor
Jusqu'à la fin des jours
Até o fim de nossos dias


No clipe, Maurane e o Coral St- Marc prestam uma homenagem a talentosíssima atriz e comediante, Mimie Mathy.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

A criatura horrenda

Depois de muitos anos, ele adentrou no velho casarão descascado, cenário de tantas festas e de um jardim florido, cultivado com muito esmero, pela outrora dona da casa. Antes de chegar na porta, foi surpreendido por uma criatura horrenda, toda vestida de cinza que, alvoroçada, andava em círculos ao redor da casa, sem conhecer o seu lugar, espalhando sujeira por onde se movia. Ele achou estranho e começou a persegui-la. Assustada, ela imediatamente correu para os fundos do jardim, em direção ao pátio de trás da casa. Surpreendentemente, ao invés das árvores, azaléias e beijos, tão presentes em sua memória, ele encontrou presas, famintas e sedentas, sob um chão árido de terra batida, mais uma dúzia dessas estranhas e horríveis criaturas, totalmente vestidas de branco. Em homenagem ao velho senhor, decidiu alimentá-las e dar-lhes água. A coitada da criatura, ao vê-las se fartando, quis voltar para o cativeiro, e aproveitando que ele abriu a porta, entrou, aproximou-se do grupo, e tentou servir-se. Foi quando elas começaram a machucá-la, pinicando-a com força. Desesperada, ela encontrou forças para voar por cima da cerca e voltar para o jardim. Achando graça do ocorrido, ele pegou uma quantidade ainda maior de milho e deu para a pobre criatura, que para a inveja das demais passou a se banquetear sem concorrência alguma. Mais tarde, em visita ao velho senhor, que jazia deitado esperando a morte no hospital, ele ficou sabendo que ela morava no jardim, pois como tinha problema de relacionamento não podia cohabitar com as outras, e que se chamava Marylou. Havia quem dissesse que era amaldiçoada, que era o bichinho de estimação de uma bruxa malvada que passara a assombrar o casarão nos últimos anos. Até o semi-morto riu quando sua irmã, descrente com o gênero feminino, disse: - Que coisa horrível, até no mundo das galinhas elas são assim. Invejosas!

Os mascarados

Com muita discrição, no horário marcado, um a um foram chegando no prédio escuro e sem janelas, cercado por árvores centenárias. Tocavam a campainha, esperavam a autorização para entrar e, em uma pequena antissala, pegavam as chaves do armário e recebiam um colar de neon. No vestiário, despiam-se completamente, mantendo apenas os colares e suas máscaras protetoras. Nús, atravessavam um longo corredor sem nenhuma janela ou iluminação, que acabava em uma sala sombria em que se podia vislumbrar a figura de Atlas carregando o mundo nas costas, e a abertura para a escadaria que levava ao salão dos espelhos. Na escuridão do imenso salão, iluminado por pouquíssimas velas estrategicamente posicionadas, somente percebiam alguns vultos e o movimento dos colares. Nesse local, tinham contato com os seres mascarados, e entregavam-se a descoberta de suas identidades.

La Nuit Des Masques
Chico Buarque
Composição: Chico Buarque

Qui êtes-vous?
Quem é você?
Si tu m'aimes, tu dois deviner
Se você me ama, você deve advinhar
Aujourd'hui tous les deux on se cache
Hoje, nós dois nos escondemos
Derrière nos masques
Atrás de nossas máscaras
Pour se demander:
Para se perguntar
Qui êtes-vous? Dites vite!
Quem é você? Diga rápido!
Dis-moi à quel jeu tu m'invites
Diga a mim a que jogo tu me convidas
Je voudrais me fondre à ta suite
Eu gostaria de me fundir a tua comitiva
Je voudrais qu'on prenne la fuite
Eu gostaria que nós fugíssemos
Moi, je vagabonde, poéte et chanteur
Eu, vagabundo, poeta e cantor
J'ai perdu la ronde qui mène au bonheur
Eu perdi a ronda que conduz a felicidade
Moi, je cours les routes
Eu, eu percorro os caminhos
Je reste chez moi
Eu fico em casa
L'amour me déroute
O amor me derrrotou
Je n'y croyais pas...
Eu não acreditava mais
Moi, dans la fanfare
Eu, dentro da fanfarra
Je porte un drapeau
Eu porto um estandarte
Modèstie à part, je joue bien du pipeau
Modéstia a parte, eu jogo bem a armadilha
Je suis si fragile
Eu sou tão frágil
J'ai dix ans de trop
Eu tenho dez anos a mais
Je suis Colombine
Eu sou Colombina
Je suis Pierrot
Eu sou Pierrot
Mais c'est Carnaval et qu'importe aujourd'hui qui tu es
Mas é Carnaval e que importa hoje quem tu sejas
Demain tout redeviendra normal
Amanhã tudo voltará ao normal
Demain tout va finir
Amanhã tudo vai terminar
Laissons le temps courir
Deixemos o tempo correr
Laisse au jour sa lumière
Deixemos ao dia sua luz
Aujourd'hui je suis ce que tu attends de moi
Hoje, eu sou esse que você espera de mim
Si tu veux laissons faire, on verra
Se tu queres deixemos passar, nós veremos
Peut-être que demain on se retrouvera
Pode ser que amanha nós nos reencontremos
Peut-être que demain on se reconnaîtra...
Pode ser que amanhã nós nos reconheçamos

Vampirização

Suas vidas foram alteradas sem que ao menos suspeitassem que estavam tendo suas almas modificadas pelos amantes. Ao final do processo amoroso, restou um único ser sintetizado e ignorante da sua nova realidade.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Sábia decisão

Decidiu que seria feliz, levaria a vida que sonhara, longe de todos os que se opusessem, somente se ligaria com quem realmente se apaixonasse, e tanto se esforçou que conseguiu isso tudo, por um tempo.


Lyrics to Samba Saravah :
Être heureux, c’est plus ou moins ce qu’on cherche
Ser feliz, é mais ou menos o que procuramos
J’aime rire, chanter et je n’empêche
Eu amo rir, cantar e não me importo
Pas les gens qui sont bien d’être joyeux
com as pessoas que se sentem bem de serem alegres
Pourtant s’il est une samba sans tristesse
Mas se é um samba sem tristeza
C’est un vin qui ne donne pas l’ivresse
É como um vinho que não se dá para embriagar
Un vin qui ne donne pas l’ivresse, non
Um vinho que não embriaga, não
Ce n’est pas la samba que je veux
Não é o samba que eu quero

J’en connais que la chanson incommode
Eu conheço alguns que a canção incomoda,
D’autres pour qui ce n’est rien qu’une mode
Para outros não passa de uma moda
D’autres qui en profitent sans l’aimer
Outros a aproveita sem a amar
Moi je l’aime et j’ai parcouru le monde
Eu, eu amo e percorri o mundo
En cherchant ses racines vagabondes
Procurando suas raízes vagabundas
Aujourd’hui pour trouver les plus profondes
Hoje, por achar o mais profundo
C’est la samba-chanson qu’il faut chanter
É o samba a canção que devo cantar

On m’a dit qu’elle venait de Bahia
Me disseram que ele veio da Bahia
Qu’elle doit son rythme et sa poésie à
Que ele deve seu ritimo e poesia aos
Des siècles de danse et de douleur
Séculos de dança e de dor
Mais quels que soient les sentiments qu’elle exprime
Mas qual seja o sentimento que ele exprime
Elle est blanche de formes et de rimes
Ele é branco de formas e de rimas
Blanche de formes et de rimes
Branco de formas e de rimas
Elle est nègre, bien nègre, dans son cœur
Ele é negro, bem negro, no seu coração
Mais quelque soit le sentiment qu’elle exprime
Mas qual seja o sentimento que ele exprime
Elle est blanche de formes et de rimes
Ele é branco de formas e de rimas
Blanche de formes et de rimes
Branco de formas e de rimas
Elle est nègre, bien nègre, dans son cœur
Ele é negro, bem negro, no seu coração

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Lugares Familiares

Perdido na estação longínqua, a dificuldade de pegar um taxi ou ônibus era imensa. A noite chegava, e o local era perigoso e decadente. Quando menos esperava, encontrou uma grande amiga e seu marido que, por alguma razão inexplicável, também estavam naquela redondeza. Começaram a caminhar procurando um caminho, e chegaram a uma praça com filas de estátuas e carramanchões. De alguma forma ele reconheceu o lugar, e lembrou imediatamente da cidade. Ele entendeu tudo. Seus amigos entraram em um ônibus para turistas reservado com antecedência, e partiram enquanto podiam. Sozinho, novamente, entrou em um beco, no qual havia um bar fechado. De uma nesga, pôde avistar o mar e a cidade cercada por fábricas e guindastes. Decidiu que iria invadir a cidade, mas que depois voltaria ao bar para descobrir que criaturas sentavam em suas cadeiras.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

A gueixa

A dedicacão era o seu forte, sabia se fazer amar, ainda que sob a forma de uma personagem imaginária. Escondia sob uma máscara, sua real face, mas era verdadeira ao mesmo tempo. Não havia em suas atitudes, nada de estudado. Vivia aqueles momentos com intensidade.

A caneca

Não se sabe como, ele foi parar naquele lugar. Ele ouve alguns sons e antevê um quarto com uma cama enorme e piso de madeira, no qual um computador espera ansioso por uma mensagem que não poderá ler. A banheira agora é redonda e maior. A água ainda é morna, mas há algo estranho. O ralo está fechado, não há nenhum vazamento e, no entanto, ela desaparece pouco a pouco. Ele procura pela caneca e não a encontra. Antes que o tempo expire, ele abre os olhos em um local distante.

sábado, 24 de julho de 2010

O que você sabe sobre a sua vida?

Quantos dias foram realmente marcantes em nossas vidas? Será que conseguimos lembrar ainda que vagamente do que fizemos no 24 de julho do ano passado, por exemplo, ou no dia 24 de julho de 2001? Joguei a data para um passado remoto, mas nem tanto e, por incrível que pareça, lembrei que peguei a ponte aérea, fui para São Paulo, que vestia um terno Hugo Boss cinza, uma gravata marinho, que jantei em um restaurante da Oscar Freire, com uma ex-namorada e uma amiga dela de Porto Alegre, cujo pai havia sido psicanalista da Martim avec un “s”, que a minha “ex” me disse que viajaria cedo para Campinas e que, portanto, era melhor que eu ficasse no meu hotel, que puto da vida fui para um Irish Pub, bebi uns chops, sai do bar, voltei, dei uma paquerada, a paquera deu certo, voltei para o Hotel na Vila Mariana sozinho e demorei muito a dormir, mesmo sabendo que tinha que acordar cedo para participar de uma conferência do IBC pela manhã. Uma semana depois, percebi que esse encontro rápido, do dia 24, havia mudado minha vida para sempre e para melhor, espero. Mas quem sabe eu poderia ter encontrado alguém ainda melhor se não tivesse havido aquele momento? Isso é impossível saber. Mesmo assim, tenho consciência da importância do exato instante em que a mudança ocorreu na minha vida e de que por 1 segundo de desencontro, nada daquilo teria acontecido. Teríamos pegado táxis para direções e países opostos, com chances mínimas de reencontro. Mas o que fiz no ano passado, não lembro. Esse dia foi meio que desperdiçado, pois não guardo nada a respeito. Sei que acordei, tomei banho, me vesti, comi e trabalhei, apenas isso. Parece que só conseguimos lembrar com riqueza de detalhes sobre o que ou com quem falamos, o que vestíamos, aonde estávamos, nos dias realmente tristes ou de excepcional felicidade. Os dias normais, em que não ganhamos a mega sena, vemos a Torre Eiffel pela primeira vez, encontramos com alguém muito esperado, ou nos ferramos por inteiro, são rapidamente esquecidos. Sobram apenas lembranças vagas, de uma vida provavelmente confortável, mas rotineira. Todavia, estou com a sensação que vou lembrar do dia de hoje daqui há 9 anos, com certeza. Se eu não lembrar, e o blog ainda estiver no ar, venho checar. Se eu lembrar dessa promessa, é claro.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Libertação impossível

Estranho quando alguém diz que libertou o objeto do seu amor para que ele pudesse ser feliz com uma outra pessoa, pois não temos o poder de prender quem não quer ficar ou de libertar quem já partiu há muito tempo. Não existe tamanha generosidade enquanto ainda amamos. Podemos, no máximo, depois de um bom tempo, desejar boa sorte e, de preferência, que essa felicidade ocorra longe dos nossos olhos ciumentos e cansados de chorar.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Vous faites partie de moi


{Refrain:}
Vous faites partie de moi
Você faz parte de mim
Vous êtes tout mon bonheur
Você é toda minha felicidade
Vous êtes tout au fond de mon cœur
Você está no fundo do meu coração
Comme un doux secret
Como um doce segredo
Comme une indicible joie
Como uma alegria indizível
Vous faites partie de moi
Você faz parte de mim

Ce rêve plein de douceur
Esse sonho pleno de douçura
J'avais voulu, tout au début, le chasser de mon cœur
Eu quis, desde o início, lhe tirar do meu coração
Mais j'ai compris que ce cœur pris en faisait déjà sa loi
Mas eu comprendi que esse coração já havia feito sua lei
Vous faites partie de moi
Você faz parte mim
Je sacrifierais sans regrets tous tes mots de là
Eu sacrificarei sem arrependimento todas as palavras
Pour vous avoir là
Para ter você aqui
Malgré cette voix qui monte en moi
Apesar dessa voz que se eleva em mim
Et me dit tout à coup
E me diz de repente
Que mon amour est fou
Que meu amor é insano
Que malgré son ardeur il sera sans pleurs
Que apesar de seu ardor, ele será sem lágrimas
Et qu'un rêve enchanté n'est pas la réalité
E que um sonho encantado não será realidade
Mais jamais je ne le croirai
Mas eu jamais acreditarei nela
Et vous resterez tout au fond de moi
E você ficará no fundo de mim,
Car...
porque você faz parte de mim
{au Refrain}

domingo, 18 de julho de 2010

Carmen Miranda


Sensacional o CD "Carmen Miranda Hoje" produzido por Ruy Castro e Henrique Cazes. As músicas da Carmen receberam nova gravação instrumental. O violonista Henrique Cazes acrescentou uma base de cordas (violão de 7, cavaquinho e violão tenor), detalhes de sopros e uma percussão, respeitando os arranjos originais, pois a tecnologia da época não permitia que os instrumentos fossem bem captados. Não encontrei no Youtube nenhum clip remasterizado. Mas o CD está em todas as lojas e é um arraso. Faz uma semana que acordo e coloco a Carmen no último volume. Senti falta, no entanto, de South American Way e da Chica Chica Boom Chic. Ela era uma explosão de talento, afinadíssima. Merecia ser o maior salário de Hollywood na época.


Ciúmes e Dostoiévski

Em os Irmãos Karamazov, Dostoiévski fez a mais brilhante análise sobre o ciúme que eu já li.

“Otelo não poderia se conformar com a traição por nada neste mundo –deixar de perdoar não deixaria, mas se conformar , não, embora fosse de alma pacata e pura como a alma de uma criança. Não é o mesmo que acontece com o verdadeiro cimento: é difícil imaginar a que esse ou aquele ciumento pode acomodar-se e conformar-se e o que pode perdoar! Os ciumentos são os primeiros a perdoar, e isso todas as mulheres sabem. O ciumento pode e é capaz de perdoar depressa demais (claro, apos uma terrível cena inicial), por exemplo, uma traição já quase provada, os abraços e beijos já presenciados por ele mesmo, se, por exemplo, puder ao mesmo tempo asseverar-se, de alguma maneira, de que isso aconteceu “pela última vez” e que a partir desse momento seu rival desaparecerá, irá para o fim do mundo, ou ele mesmo o levará para algum lugar em que esse terrível rival não voltará a aparecer. É claro que a conciliação acontecerá apenas por uma hora, porque mesmo que o rival tenha realmente desaparecido, amanhã mesmo ele inventará outro, um novo, e voltará a ter ciúmes. Poder-se-ia pensar: que amor é esse que precisa ser tão vigiado, de que vale um amor que precisa ser tão intensamente vigiado? Pois é isso que nunca irá compreender o verdadeiro ciumento, não obstante, palavra, entre eles aparecem pessoas até de coração elevado. Também é digno de nota que, estando essas mesmas pessoas de corações elevados em algum cubículo, escutando atrás da porta e espionando, ainda que, com “seus corações elevados”, compreendam claramente toda a desonra em que caíram voluntariamente, mesmo assim nunca sentem remorso, ao menos enquanto se encontram nesse cubículo.”

Acho perfeita a análise de Dostoiévski. Os ciumentos não sentem remorso. Acrescento que eles somente sossegam quando, dominados pelo ciúme, destroem o objeto de adoração e o seu amor passa.

A minha dúvida é se o ciúmes masculino é igual ao feminino? Até acho que sim, que as diferenças são mais de pessoa para pessoa do que de gênero, mas qual a sua opinião a respeito?

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Sou muito honesto

Não foi fácil conseguir um taxi. O céu parecia que ia desabar e as pessoas estavam saindo do trabalho. O congestionamento era enorme e o carro praticamente não andava. De repente, o motorista acelerou bruscamente e o carro se moveu um metro e meio, quase esmagando um senhor que, por entre os carros, atravessava a rua. Eduardo gritou “cuidado” e o motorista lhe respondeu que não teria problema algum caso atropelasse o cidadão, pois ele estava atravessando a rua em um local impróprio. Surpreso com a resposta, Eduardo tentou argumentar, explicando que não era bem assim. Que não se pode lesionar ou matar uma pessoa porque ela atravessou em local impróprio. Ainda mais se o trânsito estiver parado e várias pessoas estiverem fazendo o mesmo. Os motoristas devem sempre fazer o possível para evitar acidentes. Irritado, o motorista começou então um longo arrazoado de que poderia alegar que não viu, que ninguém poderia provar nada contra ele, que tudo acabaria como suicídio, que testemunhas se arrumam. Com receio de não conseguir outro taxi, Eduardo decidiu ficar quieto. Esse fato lhe lembrou um antigo caso em que um executivo, de última hora, o contratou para representá-lo como advogado em uma audiência no Juizado Especial Civil e Criminal. O executivo havia atropelado um bêbado que se jogara em frente ao seu carro e que, milagrosamente, não sofreu nenhuma lesão séria. Além disso, ele havia prestado socorro e pagado todas as despesas do atendimento médico. Seria uma audiência protocolar muito simples, em que o Juiz perguntaria a vítima se ela tinha ou não interesse em processar civil e criminalmente o motorista que a atropelara. Um pouco antes da audiência, o atropelado chegou acompanhado da sua mulher. Quando Eduardo viu seu rosto ficou apavorado. Ele tinha um olho na testa e o outro no meio do rosto. Eduardo discretamente virou para seu cliente e sussurou: “Mas você me disse que ele não se machucou, que não ficou com nenhuma sequela. Ele parece um monstro”. O cliente então respondeu: “Imagina o meu susto quando ele se virou e eu vi o rosto dele, ele já era assim.”. Durante a audiência, o Juiz perguntou se o atropelado gostaria de mover um processo criminal e de solicitar alguma indenização pelo acidente. Muito honesto, o pobre diabo respondeu que não. Que ele estava bem, que o acidente havia sido sua culpa, e que ele tinha sido socorrido. O Juiz então olhando fixamente para o seu rosto insistiu: “O senhor tem certeza de que não gostaria de pedir uma indenização pelos problemas causados pelo acidente?”. Foi quando sua mulher interveio e disse: “Doutor, ele já era assim, foi atropelado há dois anos por um outro carro.”. Para corroborar sua afirmação, ela fez um gesto com o braço e com a mão em frente a própria boca, indicando que ele bebia. Eduardo estava absorto por essa memória, quando foi capturado pelo rádio que trazia as últimas notícias sobre o “Caso Bruno”, famoso goleiro do Flamengo acusado de seqüestrar a mãe do filho recém nascido, torturá-la por dias, mandar matá-la, jogar pedaços do corpo para serem comidos por 4 cachorros “rottweilers”, e de sumir com os os restos da moça, tudo isso em um sítio usado reiteradamente por um ex-policial de Minas Gerais para executar e desaparecer com pessoas. O motorista voltou então a falar dizendo: “Um idiota esse Bruno. Devia ter feito isso com planejamento, com no máximo mais duas pessoas, pois alguém sempre abre o bico.”. Eduardo ficou com o estômago embrulhado, mas achou melhor silenciar, pois ainda estava longe do destino, e seria muito difícil conseguir outro táxi naquele horário. Se sentindo com razão, o motorista começou um empolgado discurso. Disse que acreditava ser verdadeira a notícia de que a polícia de Minas Gerais havia sido informada, alguns meses antes, de que outras duas pessoas também haviam sido torturadas, executadas naquele local e dadas para os famosos “rottweilers”. Contou que por seis anos fora policial, e que na polícia todo mundo sabe quem presta esses serviços, mas que ninguém toma providências ou tem coragem de abrir o bico, são um por todos e todos por um. Que na polícia tudo funcionava abaixo de dinheiro, até os policiais tinham que pagar para trabalhar. Aqueles que queriam patrulhar as ruas "de carro" ou "de moto" tinham que pagar para o seu superior. Que quem não pagava, acabava a pé, nos piores locais, com as piores tarefas, e que sem dinheiro nada andava no Brasil mesmo. Confessou que para patrulhar as ruas “de carro”, ele teve que pagar ao seu superior durante anos, que fazia o mesmo com o seu superior imediato, em uma cadeia de sucessivas propinas. Eduardo se fez de bobo, e perguntou: "Esses pagamentos não diminuíram seus rendimentos?". O motorista lhe respondeu que não, que ele chegava para o garotão ou traficante e “mineirava” (alusão à prática tida como comum na polícia de Minas Gerais), dizendo: "Ou perde a droga e a grana ou vai para a cadeia?". Eduardo, então, fez a pergunta que não deveria ter feito: “Por qual motivo o Sr. foi expulso da corporação?”. O motorista se ofendeu e disse: “O que é isso Dr.? Não fui expulso não! Sou muito honesto. Quando eu cansei de "mineirar", pedi para sair da polícia e comprei um taxi.".

terça-feira, 13 de julho de 2010

O equívoco do prazer

A sedução, a primeira troca de olhares, a descoberta dos limites dos corpos, a pele quente que dispara o coração, são para muitos mais fortes do que o amor que começou com sensações igualmente prazerosas. Depois a pele se transforma em tecido epitelial, o tédio se apresenta, e a frustração toma conta.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Tréplica do amigo pessimista (ele se considera realista) sobre a polêmica do grande amor.

Meu amigo RCBL, autor da postagem abaixo “Direito de Resposta do amigo pessimista (ele se diz realista)”, que gerou um número imensos de comentários, ligou da estrada nesse Sábado de manhã e disse: "Se você puder fazer a gentileza de transmitir aos seus seguidores os meus agradecimentos às considerações a cerca do texto, destacando que a Bípede Falante capturou a essência da questão, ou seja, estamos todos fingindo."

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Rio eu gosto de você II

"No mar estava escrita uma cidade."
Carlos Drummond de Andrade































O descobridor

Ele estava começando a descobrir a nova terra. Tudo era novo para ele. Não sabia como se chamavam os objetos, os alimentos, as pessoas, pouco conhecia da nova língua. Perguntado sobre suas primeiras impressões respondeu: “O escuro é muito raro.”.

Para o pequeno descobridor que amanhã completa 4 anos.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Metamorfose

A borboleta flutuante voou, voou, beijou uma flor, beijou outra, fugiu de um bem-te-vi, escapou de uma teia de aranha e de um enxame de abelhas, até que finalmente suas asas foram presas por uma rede quase imperceptível, feita por tramas invisíveis, imensamente poderosas. O seu último olhar foi para a pinça que, com muita delicadeza, esmagou seu coração. Como tudo se transforma e ela amava o Rio, hoje faz parte da Bahia de Guanabara e recebe estranhas pessoas. Debaixo da xícara quente de cafezinho, ninguém suspeita que ela era também uma fada.

Para os otimistas que se dão ao amor por inteiro

Devemos nos entregar ao amor de corpo e alma. Se não há essa entrega, ele logo fenece.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Direito de resposta do amigo pessimista (ele se considera realista)

No dia 30-06-10 transcrevi um diálogo havido com um grande amigo, que afirmou que o amor de verdade "o grande amor" acontece uma única vez na vida. O resto são pequenos amores sem grande relevância. Houve diversos comentários em sentido contrário, e o meu amigo enviou o e-mail, abaixo transcrito, em resposta. Vale a pena ler:

"Meu Amigo Terráqueo,

Aceito a convocação. É preciso, mais do que nunca, defender e sustentar a Tese.
Derrubarei as ilusões daqueles que, em solidariedade, correram a te "socorrer".
Depois de ler os comentários de teus seguidores, fiquei mais convencido ainda de que a humanidade é incorrigívelmente otimista, e que só Darwin pode nos explicar como chegamos a sete bilhões de seres humanos no planeta.
Começarei por invocar partes de seu texto inicial Para os Corações Partidos, quando Você dizia:

"Nem o tempo consegue neutralizar de forma definitiva a dor da perda de um grande amor. Sempre ficam, com maior ou menor intensidade, um buraco no estômago, as lembranças inconvenientes e os pesadelos que lhe roubam o sono."

Daí que, eu lhe ponderava que:
1º- Com sorte, só se vive, no máximo Um Grande Amor na vida, razão pela qual os poetas há muito se referem a ele como sendo O Grande Amor e não como Um Grande Amor. Mais usam, realmente, o artigo indefinido para se referirem a mais um amor.
2º- A dor da perda Do Grande Amor, dilacera o peito e não o estômago. E mais, com o tempo ela, a dor, apenas adormece, mas não passa. Fica lá, como uma ferida que não cicatriza, latente, para se manifestar a qualquer provocação, por mais barata que seja.

Você ainda nos dava conta de sua crença na correção das palavras de nossa querida amiga, sua Tia, quando dizia:

"...que o único remédio eficaz para curar essa dor é um novo amor..."

O que me fez lhe dizer que:
3º- Um Novo Amor não tem o poder de curar a Saudade Do Grande Amor. Porque, Saudade, é a vontade de ver e não poder. E que seria um otimismo exacerbado achar que se pode viver mais de um grande amor. E que se você, se encontrar diante de um novo grande amor, é porque aquele que passou não era O Grande Amor de verdade. Que vivendo uns amores, se estava apenas se preparando para O Grande Amor.
E dizia mais ainda:
4º- Encontrado O Grande Amor, caso o perca, serás vitíma de um castigo terrível. Qual seja, o de ser condenado a carregá-lo pelo resto da vida, sozinho, mesmo que vivendo mais um, dois, três, n... amores.

Chico Buarque de Hollanda com sua música (letra) Anos Dourados nos ensina que os anos vividos com O Grande Amor, são os Anos Dourados de nossas existências. Permita-me transcrever a letra da canção:

Anos dourados
Chico Buarque de Hollanda
Parece que dizes
Te amo, Maria
Na fotografia
Estamos felizes
Te ligo afobada
E deixo confissões
No gravador
Vai ser engraçado
Se tens um novo amor
Me vejo a teu lado
Te amo?
Não lembro
Parece dezembro
De um ano dourado
Parece bolero
Te quero, te quero
Dizer que não quero
Teus beijos nunca mais
Teus beijos nunca mais

Não sei se eu ainda
Te esqueço de fato
No nosso retrato
Pareço tão linda
Te ligo ofegante
E digo confusões no gravador
É desconcertante
Rever o grande amor
Meus olhos molhados
Insanos, dezembros
Mas quando me lembro
São anos dourados
Ainda te quero
Bolero, nossos versos são banais
Mas como eu espero
Teus beijos nunca mais
Teus beijos nunca mais.

Abaixo um link, YouTube, para uma impecável, nos detalhes, apresentação do Poeta, com o Tom Jobim para esta belissíma música:

http://www.youtube.com/watch?v=2_SVeFdurEs&feature=related

Meu Grande Amigo Terráqueo e seus Seguidores,

É preciso concordar com o Poeta. Definitivamente, "é desconcertante rever O Grande Amor". E se não for, é porque não é o Grande Amor, foi só um amor.

E, lhes digo, Um Amor pode terminar, se exaurir. O Grande Amor não. As vezes acontece de se perde-lo. E quando não é por morte de um dos amantes, é porque ele se perdeu nos labirintos do dia a dia da existência. O cotidiano é um labirinto, que cobra atos heróicos.

Em verdade, no Soneto de Fidelidade, Vinícius de Moraes sustenta exatamente esta Tese, quando diz que:

"... E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama..."

E arremata, no singular:

"...Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure."

Terráqueo, os melhores dias de nossas vidas, estão por vir. Obrigado pelo espaço, atenção e paciência de Todos.

Aproveito, por fim, para desejar um feliz aniversário aos aniversariantes da semana.

RCBL, sem ilusões."


Meu caro RCBL, embora você tenha se socorrido de Vinicius, Chico Buarque e Tom Jobim, para sustentar sua tese, não quero estar convencido que seus argumentos sejam corretos, pois se você estiver certo estarei condenado ao sofrimento eterno. De qualquer forma , por favor, faça um "blog" imediatamente. Você escreve muito bem.

Obrigado pelos cumprimento.

Abraço,

Terráqueo

sexta-feira, 2 de julho de 2010

O Paladino da Moralidade

Desde a mais tenra idade, Wilsinho foi um católico fervoroso. Encontrou em Deus o pai que não teve, pois quando tinha apenas um ano de vida, uma tragédia aconteceu em sua família. Em uma tarde de domingo de chuva, enquanto sua mãe assistia ao programa Silvio Santos, soou na casa um estampido seco e alto. Quando Dona Pierina chegou no quarto, seu marido já estava morto, caído no chão. Por um infortúnio da vida a arma disparara enquanto era limpada, acertando em cheio no coração de todos eles. Mesmo viúva com um filho para criar, Dona Pierina pôde manter um bom padrão de vida, pois o soldo de Capitão foi mais do que suficiente para sustentar a pequena família. Ela tinha muito orgulho de dizer que nunca precisara de outro homem, que seu filho sempre estivera em primeiro lugar, que jamais colocara dentro de casa um marmanjo a maltratar o seu menino e a respingar urina no chão do banheiro. Alguns dizem que não foram bem esses os motivos de ela ter ficado eternamente viúva, mas isso é especulação e não vem ao caso. Ela era uma mulher prática e uma mãe amorosa, isso é o que interessa. Sentindo-se sozinha, com medo de ser assaltada, ou de qualquer forma amedrontada por algum homem que a imaginasse uma pobre e indefesa viúva, convidou a sua melhor amiga para morar com eles, e juntas criaram o Wilsinho com todo o amor. Elas foram incansáveis. Nada faltou ao menino, cumpriram com esmero o papel de pai e mãe. Muito católicas, todos os domingos a pequena família ia a igreja e, aos 12 anos, Wilsinho tornou-se o coroinha predileto do padre Josué. Um exemplo de bom menino, como o padre dizia em alto e bom tom. O tempo passou, Wilsinho se formou, casou, fez concurso para juiz de direito, e teve dois filhos adoráveis. Dona Pierina, até ser consumida pelo mal de Alzheimer, teve um orgulho imenso do filho. A amiga da mãe, não se sabe a razão, quando Wilsinho tinha 13 anos, foi embora para Recife, e eles nunca mais ouviram falar dela. Mas voltando ao Wilsinho, ele havia definitivamente herdado a perseverança da mãe, seguia suas escolhas e cumpria com as suas obrigações até o final. Para seu desgosto, no quinto ano de casado, já estava para lá de cansado da mulher e dos filhos, mas mesmo assim decidiu ficar com eles até o mais amargo fim. Não era gente de roer a corda. Para agüentar o tirão, passou cada vez mais a se dedicar ao trabalho e a Igreja. Logo se destacou como um juiz conservador, que lutava pela moral e pelos bons costumes. Era contrário a união estável, ao reconhecimento das relações homoafetivas, e a adoção por gays. Um verdadeiro paladino da justiça. Mas eram nas palestras mensais que fazia na igreja, sobre o matrimônio e o povo de Deus, que ele brilhava mesmo. Com a voz alta e emocionada, fazia sempre o mesmo discurso “- Meus caros, o casamento é um sacramento sagrado, não é possível que a sociedade e a igreja tolerem essas aberrações que andam por aí. Sexo é muito importante, mas deve ser feito somente entre homem e mulher. As novelas e os artistas andam pregando o contrário. São todos doentes, pecadores que terão que ajustar suas contas com Deus. Devemos nos unir para rejeitar essa imoralidade, esses indecentes. Até alguns juízes estão sucumbindo a isso, considerando essas relações pecaminosas entre pederastas ou sapatões como relações jurídicas homoafetivas. Isso é um crime contra Deus. Precisamos lutar pelos princípios bíblicos, pelo fortalecimento da Igreja e do povo de Deus. Não é possível que a sociedade apóie os artistas e políticos que, para ganharem notoriedade ou votos, estimulam essa doença que está a destruir o mundo. Vamos boicotar as televisões que estimulam essa desgraça, os políticos que apóiam essa pouca vergonha, protestar contra os juízes que reconhecem seus direitos, blá, blá, blá, blá.”. Sua esposa achava aquilo tudo um saco, mas com medo de ofender o marido sempre dizia “- Você esteve magnífico. Pena que nossos filhos não estejam aqui para ouvir os aplausos.”. Mas ele tinha um lado “B” desconhecido por todos, um fetiche por motoristas de taxi. Isso era algo maior do que ele. Nas tardes em que não havia audiências, ele saía mais cedo do tribunal, escolhia um taxi a dedo, sentava na frente, perguntava ao motorista como estava o dia, e logo lhe mostrava R$ 300,00 dizendo-lhe que bastaria que fossem para o seu apartamento na Glória por 15 minutos. Quando o motorista relutava, ele dizia “- Pensa bem, em 15 minutos você dá uma gozadinha e ainda leva trezentas pratas. Moleza.”. Depois voltava para casa como se nada tivesse acontecido, jantava e começava a provocar sua mulher. Culpava-a pela má-educação e irresponsabilidade dos filhos. Falava que eles nunca estavam em casa. Que precisavam ser mais duros com eles, que a filha estava ficando uma desvairada, que qualquer dia iria dar um mal passo e aparecer grávida. Logo depois, detonava com o filho. Dizia que ele era uma vergonha, que estava sempre drogado, que nunca iria se formar. Responsabilizava a família da mulher pelo caos familiar. Dizia que eles eram uma má influência, e que os filhos tinham puxado ao lado dela. Que não queria mais a amizade da filha com a prima, e que o filho estava ficando igual ao seu cunhado, um abobado da maconha. Acusava a esposa de não fazer nada. Ameaçava de cortar o carro, o celular, a internet, e o cartão de crédito de todos eles, inclusive o dela. Completava seu discurso, dizendo que tinham que pôr limites, que qualquer dia os outros juízes iriam falar que ele não consegue colocar ordem nem na própria casa. Para se aliviar, nos domingos ia a Missa e confessava: “Padre, pequei. Sodomizei e fui sodomizado.” O Padre lhe censurava, mandava rezar 50 Pai Nossos e 30 Ave Marias, e lhe dizia para não fazer mais isso, que além de ser pecado, era perigoso. Mas na outra semana, lá estava ele a repetir a mesma história no confessionário. Uma certa tarde, ele resolveu mudar. Ao invés de assediar um taxista resolveu visitar uma sauna só de homens. Ele havia lido um anuncio na internet e ficara extremamente excitado com a idéia. Ao chegar, perguntou ao funcionário como funcionava. Ele lhe explicou que a casa oferecia uma sauna seca e uma úmida, e também cabines individuais. Que ele receberia uma chave e que dentro do armário haveria uma tolha e dois preservativos. Ao entrar na sauna úmida, ele viu o vulto de um corpo atlético e bronzeado. Se tratava de um jovem com no máximo 20 anos, pois ainda não era muito encorpado, bem ao seu gosto. Se aproximou falando “Vem cá garoto que eu vou te levar pro céu”. Foi quando ele ouviu: “Pai?”.

Encontrei seres