segunda-feira, 26 de julho de 2010

A caneca

Não se sabe como, ele foi parar naquele lugar. Ele ouve alguns sons e antevê um quarto com uma cama enorme e piso de madeira, no qual um computador espera ansioso por uma mensagem que não poderá ler. A banheira agora é redonda e maior. A água ainda é morna, mas há algo estranho. O ralo está fechado, não há nenhum vazamento e, no entanto, ela desaparece pouco a pouco. Ele procura pela caneca e não a encontra. Antes que o tempo expire, ele abre os olhos em um local distante.

5 comentários:

  1. Adorei! Super miniconto. No estilo que mais aprecio. Poucas palavras e muito conteúdo.

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  2. Depois de sair da banheira, escrevi os dois antes de ir trabalhar.

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  3. Gosto muito desses textos que escapam da gente feito fugitivos. O resultado costuma ser surpreendente.

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  4. Sonho ou pesadelo? Encontro ou separação? A água da banheira escorre como areia numa ampulheta, em ambas não a vazamento, apenas refletem a inexorável passagem do tempo, escorrendo por entre os dedos, irrecuperável, perdido para sempre num passado às vezes vivo na memória, às vezes enterrado na escuridão de um sono sem sonhos.

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  5. Lúcia,

    Que interpretação psicanalítica profunda. A água é o tempo que escorre entre os dedos. Perfeito. Muito obrigado. Um grande abraço,
    Terráqueo

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Encontrei seres