segunda-feira, 5 de julho de 2010

Direito de resposta do amigo pessimista (ele se considera realista)

No dia 30-06-10 transcrevi um diálogo havido com um grande amigo, que afirmou que o amor de verdade "o grande amor" acontece uma única vez na vida. O resto são pequenos amores sem grande relevância. Houve diversos comentários em sentido contrário, e o meu amigo enviou o e-mail, abaixo transcrito, em resposta. Vale a pena ler:

"Meu Amigo Terráqueo,

Aceito a convocação. É preciso, mais do que nunca, defender e sustentar a Tese.
Derrubarei as ilusões daqueles que, em solidariedade, correram a te "socorrer".
Depois de ler os comentários de teus seguidores, fiquei mais convencido ainda de que a humanidade é incorrigívelmente otimista, e que só Darwin pode nos explicar como chegamos a sete bilhões de seres humanos no planeta.
Começarei por invocar partes de seu texto inicial Para os Corações Partidos, quando Você dizia:

"Nem o tempo consegue neutralizar de forma definitiva a dor da perda de um grande amor. Sempre ficam, com maior ou menor intensidade, um buraco no estômago, as lembranças inconvenientes e os pesadelos que lhe roubam o sono."

Daí que, eu lhe ponderava que:
1º- Com sorte, só se vive, no máximo Um Grande Amor na vida, razão pela qual os poetas há muito se referem a ele como sendo O Grande Amor e não como Um Grande Amor. Mais usam, realmente, o artigo indefinido para se referirem a mais um amor.
2º- A dor da perda Do Grande Amor, dilacera o peito e não o estômago. E mais, com o tempo ela, a dor, apenas adormece, mas não passa. Fica lá, como uma ferida que não cicatriza, latente, para se manifestar a qualquer provocação, por mais barata que seja.

Você ainda nos dava conta de sua crença na correção das palavras de nossa querida amiga, sua Tia, quando dizia:

"...que o único remédio eficaz para curar essa dor é um novo amor..."

O que me fez lhe dizer que:
3º- Um Novo Amor não tem o poder de curar a Saudade Do Grande Amor. Porque, Saudade, é a vontade de ver e não poder. E que seria um otimismo exacerbado achar que se pode viver mais de um grande amor. E que se você, se encontrar diante de um novo grande amor, é porque aquele que passou não era O Grande Amor de verdade. Que vivendo uns amores, se estava apenas se preparando para O Grande Amor.
E dizia mais ainda:
4º- Encontrado O Grande Amor, caso o perca, serás vitíma de um castigo terrível. Qual seja, o de ser condenado a carregá-lo pelo resto da vida, sozinho, mesmo que vivendo mais um, dois, três, n... amores.

Chico Buarque de Hollanda com sua música (letra) Anos Dourados nos ensina que os anos vividos com O Grande Amor, são os Anos Dourados de nossas existências. Permita-me transcrever a letra da canção:

Anos dourados
Chico Buarque de Hollanda
Parece que dizes
Te amo, Maria
Na fotografia
Estamos felizes
Te ligo afobada
E deixo confissões
No gravador
Vai ser engraçado
Se tens um novo amor
Me vejo a teu lado
Te amo?
Não lembro
Parece dezembro
De um ano dourado
Parece bolero
Te quero, te quero
Dizer que não quero
Teus beijos nunca mais
Teus beijos nunca mais

Não sei se eu ainda
Te esqueço de fato
No nosso retrato
Pareço tão linda
Te ligo ofegante
E digo confusões no gravador
É desconcertante
Rever o grande amor
Meus olhos molhados
Insanos, dezembros
Mas quando me lembro
São anos dourados
Ainda te quero
Bolero, nossos versos são banais
Mas como eu espero
Teus beijos nunca mais
Teus beijos nunca mais.

Abaixo um link, YouTube, para uma impecável, nos detalhes, apresentação do Poeta, com o Tom Jobim para esta belissíma música:

http://www.youtube.com/watch?v=2_SVeFdurEs&feature=related

Meu Grande Amigo Terráqueo e seus Seguidores,

É preciso concordar com o Poeta. Definitivamente, "é desconcertante rever O Grande Amor". E se não for, é porque não é o Grande Amor, foi só um amor.

E, lhes digo, Um Amor pode terminar, se exaurir. O Grande Amor não. As vezes acontece de se perde-lo. E quando não é por morte de um dos amantes, é porque ele se perdeu nos labirintos do dia a dia da existência. O cotidiano é um labirinto, que cobra atos heróicos.

Em verdade, no Soneto de Fidelidade, Vinícius de Moraes sustenta exatamente esta Tese, quando diz que:

"... E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama..."

E arremata, no singular:

"...Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure."

Terráqueo, os melhores dias de nossas vidas, estão por vir. Obrigado pelo espaço, atenção e paciência de Todos.

Aproveito, por fim, para desejar um feliz aniversário aos aniversariantes da semana.

RCBL, sem ilusões."


Meu caro RCBL, embora você tenha se socorrido de Vinicius, Chico Buarque e Tom Jobim, para sustentar sua tese, não quero estar convencido que seus argumentos sejam corretos, pois se você estiver certo estarei condenado ao sofrimento eterno. De qualquer forma , por favor, faça um "blog" imediatamente. Você escreve muito bem.

Obrigado pelos cumprimento.

Abraço,

Terráqueo

17 comentários:

  1. RCBL, que bela defesa de tese. Estou tão impressionada que precisarei de tempo para ponderar cada argumento. Eu volto!
    Enquanto isso, RCBL, vá abrindo uma conta no google e começando "o blog", porque agora, com ou sem "o" grande amor, você tem é de escrever.
    Obrigada pelos cumprimentos.
    Bj.
    B.F.

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  2. Bom, não sei se felizmente ou infelizmente, eu assino embaixo do que diz o RCBL. Felizmente porque quem já encontrou sabe exatamente a sensação que nos traz O Grande Amor. Nada se iguala, nada o descreve, é uma chegada ao lar. Infelizmente, porque quando não se cumpre, mesmo quando se separam, o amor não vai embora.Não vai embora nunca mesmo, não diminui, não deixa com raiva,sequer nos faz desejar esquecer. Se entranha tanto em cáda célula do corpo que passamos a ser outro - agora somos nós, habitados pelo grande amor.
    É claro que se pode ser feliz, amar outros amores, sorrir, se entregar...mas aquela plenitude, aquele lar...este só se alcança com O Grande Amor.
    Mas vou dizer que, quem nunca encontrou geralmente não acredita que existe. Difícil acreditar no que não se conhece. Eu mesma só acreditei quando vivi na pele e na alma. Era cética...rs
    Não existe nada melhor, nem coisa que machuque tanto. Mas eu sou muito feliz de tê-lo encontrado.

    beijos

    Ah, Terráqueo, Parabéns! Que você tenha imensas alegrias, e uma vida bem vivida!
    grande abraço

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  3. Publico o comentário de Andrea de Godoy que por algum problema técnico não foi moderado:

    "Andrea de Godoy Neto deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Direito de resposta do amigo pessimista (ele se co...":

    Bom, não sei se felizmente ou infelizmente, eu assino embaixo do que diz o RCBL. Felizmente porque quem já encontrou sabe exatamente a sensação que nos traz O Grande Amor. Nada se iguala, nada o descreve, é uma chegada ao lar. Infelizmente, porque quando não se cumpre, mesmo quando se separam, o amor não vai embora.Não vai embora nunca mesmo, não diminui, não deixa com raiva,sequer nos faz desejar esquecer. Se entranha tanto em cáda célula do corpo que passamos a ser outro - agora somos nós, habitados pelo grande amor.
    É claro que se pode ser feliz, amar outros amores, sorrir, se entregar...mas aquela plenitude, aquele lar...este só se alcança com O Grande Amor.
    Mas vou dizer que, quem nunca encontrou geralmente não acredita que existe. Difícil acreditar no que não se conhece. Eu mesma só acreditei quando vivi na pele e na alma. Era cética...rs
    Não existe nada melhor, nem coisa que machuque tanto. Mas eu sou muito feliz de tê-lo encontrado.

    beijos

    Ah, Terráqueo, Parabéns! Que você tenha imensas alegrias, e uma vida bem vivida!
    grande abraço "


    Andrea,

    Muito obrigado pela sua interessante mensagem e pelos cumprimentos.
    Abraço,

    Terráqueo

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  4. Feliz Aniversárioooooooooooooooooooooooo!
    Todas muitas as melhores alegrias do mundo!
    Muitoooss beijosssssssssssssssss.
    Você é querido querido querido.
    I love you!

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  5. Olá Terráqueo

    Verdade seja dita: usar Chico e Vinícius para sustentar argumentos é apelação!

    Não posso dizer que sou uma pessoa resolvida neste assunto, mas creio que podemos viver mais de um grande amor.

    Minha verdade: todo amor é o grande amor em quanto é amor!!


    Forte abraço

    ##

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  6. Querido Terráqueo,

    muitos parabéns. DEsejo-te felicidade e que encontres o AMOR, o tal que te eleve e sublime todas as lágrimas de ontem, o tal que seja a prova que converta o teu amigo que esgrime tão bem os argumentos.

    Beijo

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  7. Quando cambaleares sob o peso da dor
    quando já não tiveres lágrimas,
    pensa na verdura dos campos,
    cintilante depois da chuva


    Quando o esplendor da luz te exasperar,
    quando desejares que uma noite definitiva
    se abata sobre o mundo,
    pensa no despertar de uma criança.

    Omar Khayyam
    Seja feliz.... Sempre!
    com amor e carinho,
    Sílvia

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  8. Estou com Diego, pois se assim não for terei de admitir que ainda não vivi O Grande Amor e, em admitindo não te-lo vivido, como deveria chamar o que vivi? Não posso concordar com RCBL nem com Andrea, pois sou a prova viva de que se pode viver mais de um grande amor, assim acredito. Se estiver errada, ou morrerei sem viver O Grande Amor ou ele me matará quando acontecer... Além disso não acho que se possa classificar o amor em grande, médio ou pequeno, se é amor, é grande e pronto, "cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é ...".

    FELIZ ANIVERSÁRIO Terráqueo. Que você encontre o seu amor!

    Beijos

    Lúcia

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  9. Cada um defende seu ponto de vista, mas a discussão é animadora e o assunto é vital!
    Ainda estou chegando de volta aos poucos. Obrigada pela visita. Tentei linkar voce no meu blog e não consegui, mas estou mudando algumas coisas por lá e agora certamente conseguirei.
    Um abraço de feliz aniversário.

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  10. RCBL,
    Por falta de tempo, não posso me concentrar nessa dissecação como gostaria, então, agirei tal qual Jack, the stripper, ou seja, cortarei os pedaçinhos conforme for possível.
    Hoje, o ponto é: se temos de concordar com o poeta, teriam eles de entrar em acordo antes, não teriam? Então, se você vem de Tom e Vinicios, eu venho de Pessoa, que admite o quanto um poeta é um fingidor.

    "O poeta é um fingidor.
    Finge tão completamente
    Que chega a fingir que é dor
    A dor que deveras sente.

    E os que lêem o que escreve,
    Na dor lida sentem bem,
    Não as duas que ele teve,
    Mas só a que eles não têm.

    E assim nas calhas de roda
    Gira, a entreter a razão,
    Esse comboio de corda
    Que se chama coração.

    Até a próxima. Beijo. BF

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  11. Diego,
    Acho que RCBL apelou um pouco sim ao utilizar nossos poetas e músicos mais expressivos para apoiar o seu sofisma. Obrigado pelo abraço.

    Silvia,

    Que linda poesia. Muito obrigado.

    Apple,

    Obrigado pelos votos de um grande amor. O prazer seria duplo, pois alem do lado amoroso bem resolvido seria a prova viva de que meu amigo se equivocou.

    Ivone, muito obrigado pelos cumprimentos. Me visite com mais frequencia por favor.

    Lucia,

    Muito obrigado por ter tornado meus 43 anos bem mais alegres.

    Bípede, te amo muito.

    Um grande abraço para todos.

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  12. Como me escreveste no teu carinhoso cartão, tem sido muito bom termos andado juntos nesses 44 anos, sermos gêmeos é uma grande alegria, te amo muito. Um feliz aniversário sempre.

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  13. Caro Terráqueo e seu pessimista amigo,

    Não resisto a refutar, uma vez mais, a tese que me parece demasiado derrotista e que não aceito.

    Primeiro, quanto a Darwin: eu diria que se não fosse o optimismo, a confiança de que é melhor do outro lado da colina, o sonho, a esperança, não haveria hoje realmente 7 biliões de seres humanos – não haveria nem um!

    Depois, em relação aos pontos de suposta defesa da tese, eu considero que o uso do artigo definido em “o amor”, grande ou não, não significa “a pessoa”, mas sim “o sentimento”. Como tal, o sentimento pode ser repetido, pode viver-se com mais do que uma pessoa. Algum se destacará, claro, e lembraremos sempre o mais forte do passado como “o grande amor”, mas isso não significa que não tenhamos outro maior ainda para viver pela frente. Quem tem a escala, a bitola, para podermos dizer que atingimos o máximo, o limite, e que por isso não pode ser mais e melhor nunca mais?... E que dizer de outro poema do próprio Vinícius, intitulado “Para viver UM Grande Amor”?... Ou este outro de Carlos Drummond de Andrade, que admite que se pode sarar da ferida do amor:

    Amor é bicho instruído
    Olha: o amor pulou o muro
    o amor subiu na árvore
    em tempo de se estrepar.
    Pronto, o amor se estrepou.
    Daqui estou vendo o sangue
    que escorre do corpo andrógino.
    Essa ferida, meu bem
    às vezes não sara nunca
    às vezes sara amanhã.

    E ainda, me perdoe a extensão, de um outro de Vinícius:

    "Mais um adeus
    Uma separação
    Outra vez, solidão
    Outra vez, sofrimento
    Mais um adeus
    Que não pode esperar

    O amor é uma agonia
    Vem de noite, vai de dia
    É uma alegria
    E de repente
    Uma vontade de chorar "

    Deste, no meu entendimento, já escrevi assim: “a lembrar que dói, sim, que vem mas vai. Mas que se é amor de cada vez, antes de cada separação, e os “adeus” se vão somando, pagos com os dias de sofrimento entretanto, é porque também se repete, uma e outra vez. Amor não é necessariamente para sentir e ter apenas uma vez na vida. Também vai e... vem. Eventualmente, talvez depois das lágrimas secas na solidão. Talvez também num repente. E, de cada vez, espera-se que dure a eternidade, embora se costume evaporar, em menos tempo do que levam as lágrimas a secar.”

    No Soneto da Fidelidade, o poeta fala “do amor (que tive)”, não diz quantas vezes e com quantas mulheres, apenas conclui que não é imortal, e por isso que ao menos seja “infinito enquanto dure”.

    Perder um amor, e mais ainda um grande amor, doi sim. E dilacera mais do que o peito, dilacera-nos as entranhas (que o diga o meu estomago). Pode deixar uma cicatriz para a vida, deixa quase sempre, e mais funda quanto mais intenso foi. Outros que se sigam podem não apagar a cicatriz, é verdade, mas perder um grande amor só é castigo quando se resolve achar que esse é que atingiu o topo da escala, e se recusa pensar que talvez não se saiba onde termina a escala, diminuindo tudo o resto por essa, talvez até pequena, bitola...

    PS: Parabéns Terráqueo! Desejo-lhe muita felicidade e, lógico, um novo grande amor. :)

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  14. Estrela,

    Você arrasou. Amei sua defesa, os poemas, um delicado trabalho de dissecação. Muito obrigado pelo seu carinho.

    Terráqueo

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  15. Darling, obrigado pela mensagem. Também te amo muito.

    Terráqueo

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  16. Meu querido amigo...

    Eu já penso que o amor é um sentimento que não se explica, que não se limita e muito menos finda.
    Temos sim, amores inesquecíveis e que estarão para sempre dentro da gente...mas existe o espaço para o novo sempre...
    O que fica do amor que foi é saudade que acaricia a gente.
    Linda a postagem e os comentários.
    Um beijo

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  17. Meu amigo RCBL, autor da postagem acima, me ligou hoje pela manhã e disse: "Se você puder fazer a gentileza de transmitir aos seus seguidores os meus agradecimentos às considerações a cerca do texto, destacando que a Bípede Falante capturou a essência da questao, ou seja, estamos todos fingindo."

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