quinta-feira, 8 de julho de 2010

Metamorfose

A borboleta flutuante voou, voou, beijou uma flor, beijou outra, fugiu de um bem-te-vi, escapou de uma teia de aranha e de um enxame de abelhas, até que finalmente suas asas foram presas por uma rede quase imperceptível, feita por tramas invisíveis, imensamente poderosas. O seu último olhar foi para a pinça que, com muita delicadeza, esmagou seu coração. Como tudo se transforma e ela amava o Rio, hoje faz parte da Bahia de Guanabara e recebe estranhas pessoas. Debaixo da xícara quente de cafezinho, ninguém suspeita que ela era também uma fada.

5 comentários:

  1. Que triste fim...Terráqueo...

    "...Quem nos deu asas para andar de rastos?
    Quem nos deu olhos para ver os astros
    Sem nos dar braços para os alcançar?!..."
    Lindo né...é Florbela Espanca...
    Que flutua no meu blog...
    E espera por você...
    Beijos...
    Leca...

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  2. Darling, achei muito lindo e comovente, é incrível como a vida pode ser fugaz um grande beijo.

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  3. Prosa poética de primeiríssima linha. Um absurdo de bem escrita, com um subtexto provocante. Coisa de escritor!

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  4. Concordo plenamente com a Bípede. Maravilha!

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  5. Leca,
    Nem sempre a vida oferece um final feliz.....

    Darling,
    Tudo pode passar em um minuto mesmo.

    Bípede e Ivone,
    Muito obrigado pelo incentivo.

    Abraços para todas.

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