sábado, 24 de julho de 2010

O que você sabe sobre a sua vida?

Quantos dias foram realmente marcantes em nossas vidas? Será que conseguimos lembrar ainda que vagamente do que fizemos no 24 de julho do ano passado, por exemplo, ou no dia 24 de julho de 2001? Joguei a data para um passado remoto, mas nem tanto e, por incrível que pareça, lembrei que peguei a ponte aérea, fui para São Paulo, que vestia um terno Hugo Boss cinza, uma gravata marinho, que jantei em um restaurante da Oscar Freire, com uma ex-namorada e uma amiga dela de Porto Alegre, cujo pai havia sido psicanalista da Martim avec un “s”, que a minha “ex” me disse que viajaria cedo para Campinas e que, portanto, era melhor que eu ficasse no meu hotel, que puto da vida fui para um Irish Pub, bebi uns chops, sai do bar, voltei, dei uma paquerada, a paquera deu certo, voltei para o Hotel na Vila Mariana sozinho e demorei muito a dormir, mesmo sabendo que tinha que acordar cedo para participar de uma conferência do IBC pela manhã. Uma semana depois, percebi que esse encontro rápido, do dia 24, havia mudado minha vida para sempre e para melhor, espero. Mas quem sabe eu poderia ter encontrado alguém ainda melhor se não tivesse havido aquele momento? Isso é impossível saber. Mesmo assim, tenho consciência da importância do exato instante em que a mudança ocorreu na minha vida e de que por 1 segundo de desencontro, nada daquilo teria acontecido. Teríamos pegado táxis para direções e países opostos, com chances mínimas de reencontro. Mas o que fiz no ano passado, não lembro. Esse dia foi meio que desperdiçado, pois não guardo nada a respeito. Sei que acordei, tomei banho, me vesti, comi e trabalhei, apenas isso. Parece que só conseguimos lembrar com riqueza de detalhes sobre o que ou com quem falamos, o que vestíamos, aonde estávamos, nos dias realmente tristes ou de excepcional felicidade. Os dias normais, em que não ganhamos a mega sena, vemos a Torre Eiffel pela primeira vez, encontramos com alguém muito esperado, ou nos ferramos por inteiro, são rapidamente esquecidos. Sobram apenas lembranças vagas, de uma vida provavelmente confortável, mas rotineira. Todavia, estou com a sensação que vou lembrar do dia de hoje daqui há 9 anos, com certeza. Se eu não lembrar, e o blog ainda estiver no ar, venho checar. Se eu lembrar dessa promessa, é claro.

14 comentários:

  1. Espero que o próximo post conte sobre o dia interessante de hoje!
    Eu não guardo as datas, mas guardo em detalhes os acontecimentos, as palavras, sentimentos.
    Desejo que haja muitos dias inesquecíveis em sua vida, todos felizes.
    Beijos
    Lúcia

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  2. Nosso cérebro é mesmo muito seletivo, Terráqueo. E é bom que o seja, porque senão,
    como poderíamos conviver com o peso de tamanho arquivo? às vezes chego a pensar que ele "seleciona" coisas em demasia e tbém emoções desnecessárias, uma vez que os momentos passados não têm mais chance de voltar.
    Depois volto, pra conversar melhor sobre isso, acho bem interessante. Obrigada pela visita.
    Até bree....

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  3. Lúcia,

    São 19 horas e nada aconteceu. Acho que preciso sair de casa para dar uma chance ao inesperado...

    Cirandeira,

    Vote e comente mais. Achei interessante o esquecimento das emoções desnecessárias porque elas não voltam mais. Não sei se concordo, porque elas voltam, contra nossa vontade, tiram o nosso sono, atrasam a nossa vida, e enriquecem os psicanalistas.
    Beijos,

    Terráqueo

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  4. Terráqueo...
    não sei qual o tamanho da minha memória...
    para datas...eu realmente acredito...ou...
    acreditava...até ler o seu belo e saudoso texto...
    Enfim...eu acreditava que sabia...das datas...do que fiz...com quem estava...mas...
    após ler seu texto...muitas datas ficaram em aberto...não é possível que nada tenha acontecido...no dia 24...de Julho...de 2009...
    Não lembro..
    Mas garanto...para você...e para mim...
    que as datas...marcadas ou não...
    estão aqui no meu inconsciente...
    estão aqui nos meus sonhos...
    estão aqui em mim...

    Beijos
    Adorei te ler...
    Beijos
    Leca

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  5. Esqueci de salientar...
    a importância...
    que um simples dia representa em nossas vidas...
    adoro...
    a voz de...
    Dinah Washington...
    beijos...
    outros...
    Leca

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  6. A sua simples visita representa uma grande alegria na minha vida.

    Beijos

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  7. eu concordo com a cirandeira. E se essas emoções voltam, é porque não são desnecessárias, porque ainda não estão embrulhadas com o papel adequado, ainda não estão guardadas no lugar que lhes cabe...e muitas vezes demoramos um longo tempo embrulhando e reembrulhando, até acertar a mão...e o lugar.

    beijos pra ti

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  8. Que imagem linda essa de embrulhar e reembulhar até acertar a mão e o lugar. Por isso que é bom bloguear. Beijos.

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  9. Eu não guardo datas.

    Confesso que guardo algumas (raras).

    Mas guardo as lembranças, momentos de algumas passagens na minha vida, onde te juro, que posso até sentir o cheiro daquele momento.

    Enfins...

    Um abraço meu!

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  10. Voltei...!
    Disseste que as emoções voltam. É verdade, mas isso não significa extamente que elas sejam necessárias. Talvez não tenhamos conseguido eleborá-las devidamente; elas vão e voltam, e se vão novamente, mas a cada volta que fazem vão se transformando, já não são como da primeira vez, e dessa forma, vamos aprendendo a
    controlá-las, a superá-las. Temos que saber empregar as "ferramentas" que o psicanalista nos mostra, sob pena de ficarmos anos a fio deitados num divã. Ainda estamos muito
    "entregues" ao domínio das emoções, essa é que é a verdade, agimos muito sob impulsos,de forma
    irracional e até, por que não dizer?, masoquisticamente. Parece que "gostamos de sofrer", de uma "dor de cotovelo". Acredito que
    existe também um forte componente cultural, herdado de nossa cultura judaico-cristã. Uma culpa que nos é entregue logo que nascemos. Não sei, mas acho que tem muito isso também, uma coisa atávica, e que é reforçada através da educação que recebemos em casa, na escola, no círculo de amigos, e por aí vai, como num círculo vicioso, num jogo de dominó.
    Outra coisa que observo também é que costumamos
    nos lembrar muito mais do acontecimentos desagradáveis do que dos que nos dão prazer.Por
    quê será? Minha memória não é lá muito boa pra
    lugares onde já estive há muito tempo atrás e também para lembrar-me de situações vividas com algumas pessoas. Parece que o meu cérebro, simplesmente apaga, não tem jeito. Mas se for
    um acontecimento marcante, que mobilizou fortemente minhas emoções, aí não tem jeito:me lembro durante um longo tempo. Mesmo assim, aos
    poucos vai esmaecendo, vai perdendo toda aquela nitidez. É apenas uma questão de TEMPO.
    E ele acaba sendo o timoneiro, se encarregando de tudo. Quando conseguimos ter um pouco de controle sobre o nosso emocional, o TEMPO flui melhor, os ventos sopram mais a nosso favor...!

    Um beijo e uma boa semana pra ti

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  11. Adorei seu post, tenho mania de tentar me lembrar o que vestia, o que falei, tentar recompor a cena, mas minha memória está pra lá de seletiva, me angustia ter fragmentos de memória.

    Mas uma coisa não vou esquecer, estava que nem maluca procurando essa música da Dinah Washington para colocar na minha lista de músicas e não conseguia me lembrar, entro aqui e ei-la!

    Boa noite de domingo!

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  12. Este comentário foi removido pelo autor.

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  13. Sil,

    Muitas vezes seguramos nossas vidas, justificamos nossas escolhas, em cima de lembranças de instantes especiais, que não representam a realidade, pois foram momentos fugazes, que não representam o restante dos fatos.

    Cirandeira,

    Obrigado por ter voltado. Tua análise foi minuciosa. Você dissecou o assunto. Adorei.

    Patricia,

    Embora eu esteja longe de estar senil, cada vez menos lembro das coisas, e o que é pior até das pessoas. Estou cada vez mais seletivo. Mas não tenho certeza de que as memórias tristes durem mais, pois uma vez superados os traumas perdem a importância, mas as memórias de real afeto e amor, essa acho que levamos para sempre, até que o Dr. Alzheimer nos encontre. Que bom que vc gosta dessa música, ela tem letra, ritmo e melodia incríveis. Infelizmente as novas gerações praticamente não conhecem essa cantora maravilhosa.

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Encontrei seres