domingo, 1 de agosto de 2010

Devant deux portraits de ma mère

Maravilhoso esse trecho de uma poesia de Émile Nelligan, poeta francófono Canadense, nascido em Montreal. Seguidor do simbolismo, foi influenciado por Baudelaire, Verlaine, Georges Todenbach, Maurice Rolinat, Octave Crémazie, Louis Fréchette e Edard Allan Poe. Seus primeiros poemas foram publicados quando ele tinha 16 anos, e é considerado um dos mais importante poetas canadenses.
Esses versos são recitados no filme "La face cachée da la lune" (O lado escuro da Lua), produção canadense de 2003, que ganhou uma série de prêmios internacionais.


Ma mère, que je l'aime en ce portrait ancien,
Minha mãe que eu amo em seu retrato antigo
Peint aux jours glorieux qu'elle était jeune fille,
Pintado nos dias gloriosos em que ela era moça
Le front couleur de lys et le regard qui brille
O rosto cor de lys e o olhar que brilha
Comme un éblouissant miroir vénitien!
Como um deslumbrante espelho veneziano
Ma mère que voici n'est plus du tout la même;
Minha mãe que agora não é absolutamente a mesma;
Les rides ont creusé le beau marbre frontal;
As rugas escavaram o belo mármore frontal;
Elle a perdu l'éclat du temps sentimental
Ela perdeu o esplendor dos tempos sentimentais
Où son hymen chanta comme un rose poème.
Onde seu hymen cantava como um poema rosa
Aujourd'hui je compare, et j'en suis triste aussi,
Hoje eu compraro, e eu estou triste também,
Ce front nimbé de joie et ce front de souci,
O rosto resplandecente de alegria e esse rosto de preocupações
Soleil d'or, brouillard dense au couchant des années.
Sol dourado, cerração densa ao decair dos anos

Mais, mystère de coeur qui ne peut s'éclairer!
Mas, mistério do coração que não se pode esclarecer!
Comment puis-je sourire à ces lèvres fanées?
Como posso eu sorrir para seus lábio secos?
Au portrait qui sourit, comment puis-je pleurer?
Ao retrato que sorri, como posso eu chorar?

2 comentários:

  1. Mais, mystère de coeur qui ne peut s'éclairer!
    Mas, mistério do coração que não se pode esclarecer!
    Comment puis-je sourire à ces lèvres fanées?
    Como posso eu sorrir para seus lábio secos?
    Au portrait qui sourit, comment puis-je pleurer?
    Ao retrato que sorri, como posso eu chorar?

    Esses versos são geniais, mas existem coisas piores. Queria tanto ter podido olhar para a boca murcha e seca. Me despedi de um mãe ainda bela, o que é bem mais dolorido. Mas diante dos seus retratos, em que ela sempre sorri, também acho impossível chorar.

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