sábado, 23 de outubro de 2010

Dúvida

Será que acertei ao partir? Sei que a vida muda tudo. Separa as pessoas que se amam quer queiram ou não. Depois de um certo tempo, ainda que estejam vivas, não é possível mais regressar, e se olharmos para trás será ainda mais difícil seguir. Se pudéssemos voltar para as casas que já não existem, para as pessoas que ficaram e que talvez já tenham nos esquecido, e para as que partiram também , como seria mais fácil. Mas como abandonar os novos afetos, cujos laços também já serão grandes e, ao mesmo tempo, como abrir mão das novas mudanças, das emoções das novas chegadas, das novas pessoas que iremos conhecer? Mesmo tendo a certeza de que a partir de um dado momento, teremos mais perdas do que ganhos, lutamos para seguir, mas como viver quando a esperança acabar? Que esse dia demore muito. Só quero uma coisa da vida, que as pessoas que eu mais amo, me sobrevivam.

9 comentários:

  1. Que lindo post. Eu quero que elas sobrevivam comigo :)beijos.

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  2. Não é a toa que somos gêmeos, compartilho do teu egoísmo quero ir antes, te adoro, um beijo.

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  3. Hoje, quando estava cuidando das plantas na varanda, cujos vasos são maiores que a própria varanda, pensei sobre mudar para um apartamento maior, aí me veio a dor do apego. Por um instante me lembrei de tempos lá atrás, quando sai de Minas, e todas as pessoas e casas que deixei. O exercício do desapego é necessário. Passou o instante e fui lutar com um vaso pesado e com arbustos que me arranharam o braço.

    Teve uma época que pensava em ir antes por não suportar pensar na dor de sobreviver a alguém, agora depois de saber dessa dor, é algo que não desejo mais.

    beijos

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  4. Que bom que você conseguiu esse entendimento. Ja perdi algumas pessoas muito queridas e aceitei, mas existem algumas pessoas que eu prefiro ir antes do fundo do coração. São poucas é verdade, e andam por esse blog de vez em quando. Beijos.

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  5. Para mim existem perdas realmente irreparáveis, pelas quais eu desejaria morrer antes de ter que passar por elas. Não gosto nem de pensar nisso, como se o pensamento pudesse atrair a fatalidade. Mesmo sabendo da possibilidade, desejamos com todas as nossas forças ser poupados, sentimento egoísta, rezamos: "por favor, comigo não, eu não suportaria...". Ainda assim temos que aprender a viver com essa perspectiva e, quando ocorre aquilo que nos aterroriza, devemos saber seguir em frente. A que custo!

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  6. E que bom que apesar de tudo, conseguimos ir em frente. Um grande beijo.

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  7. Finalmente estás de volta à terrinha, não é,
    Terráqueo. Bom voltar a ler teus textos fluentes, gostosos de ler e que sempre nos remetem a uma reflexão!

    Um bom retorno pra ti!

    Beijo

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  8. Cirandeira, que coisa boa ler essa tua mensagem. Muito obrigado, um grande beijo.

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Encontrei seres