segunda-feira, 14 de março de 2011

Lenda


Depois do tsunami a casinha foi levada para o mar. Seus moradores tentaram resistir, mas sabiam que não poderiam lutar, por muito tempo, contra as terríveis forças que insistiam em aniquilá-los. Ela pulou pela janela e começou a nadar, sem jamais olhar para trás. Chegou à costa, pegou um avião e agora está muito bem, em terra firme e livre de terremotos. O amor da sua vida, no entanto, não teve como sair. Ficou preso nos escombros, foi arrastado pela correnteza, e morreu de frio, sede, fome e tristeza, dentro da pequena casa que recusou-se a afundar, e que dizem que de vez em quando ainda é vista em alto mar. Enquanto agonizava, ele sentia o balanço do mar e o barulho do vento que parecia cantarolar: “Cadê Tereza?”.

7 comentários:

  1. Que lenda bonita. O amor, mesmo com final infeliz, continua bonito e desejado, o amor claro, o final infeliz a gente esquece, e pensa que dá próxima vez vai dar certo, e às vezes dá, e se ainda não deu, nada de desespero... é apenas uma questão de tentativa e erro, e como o amor não é matemático nem se submete à estatística, às vezes há mais tentativas, às vezes mais erros, mas o balanço final é sempre positivo, ou negativo, às vezes fracionário, quando nos roubam um pedaço do coração...

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  2. Feliz com o teu comentário. Agora vou dormir mais tranquilo. Me sentindo compreendido, o que é muito raro, e amparado. Bjs.

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  3. Linda e romântica, nem sempre amar basta as vezes precisamos de sorte e nem sempre contamos com ela, um beijo.

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  4. Afinal, Terraqueo, como diria Fernando Pessoa, navegar é preciso, amar não é preciso! Beijo.

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  5. Darling, sorte é fundamental. Bjs.

    Renata, adorei teu comentário. Volte sempre. Bjs.

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  6. Linda estória de amor com final infeliz.
    Haverá alguma com final feliz? O bom é viver a estória, enquanto dura. Depois é lamber as feridas até que alguém venha nos curar novamente...

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  7. Moniz, quero acreditar que existam histórias de amor com final feliz, pois caso contrário a vida é muito triste. Se não for possível um final feliz, que pelo menos as feridas sejam curadas. Beijos.

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