sexta-feira, 20 de maio de 2011

Distantes

Em um grande salão de embarque te vejo a distância. Tento atravessar o caminho, mas não consigo, pois pessoas embarreram-se entre nós, obstruindo a passagem. Olhas na minha direção, mas não me vês. Penso se posso te chamar, se tu me reconhecerás, mas falta-me a coragem. Tenho medo por mim e por ti. Penso que a realidade pode ser tão diferente do sonho, e nada faço. Imobilizado, te vejo partir, pegar o avião, e voar para muito longe. Minutos depois, pego meu paletó cinza amassado, minha maleta surrada, e sigo para o embarque, a pensar se algum dia teremos a chance de nos encontrar novamente, ou se agora já é tarde demais.

3 comentários:

  1. Adoro esta música. E o clip é bem bonitinho. Mas o engraçado é que no final de semana passado eu fui para São Paulo e chegando no aeroporto tive uma sensação em muito parecida com a que descreves no mini conto.
    Do lado da pessoa vista.
    Eu estava chegando e não partindo.
    Eu faço esta viajem uma vez por mês desde fevereiro do ano passado e foi a primeira vez que tive essa sensação.
    Peguei minha mala verde limão da esteira e fui pegar um táxi. Pensando em Baudelaire.

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  2. Eu gosto de pensar que nunca é tarde, às vezes custa me convencer, às vezes quase sem esperança me entrego, desanimo, mas... sigo! Talvez, antes que o mundo se acabe...

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  3. Marie,
    As experiências, dores e angústias são muito parecidas. Só mudam de endereço. Beijos.

    Lucia, queria pensar como você, mas às vezes é tarde. O tempo não volta. Beijos.

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Encontrei seres