quinta-feira, 30 de junho de 2011

terça-feira, 28 de junho de 2011

Portas abertas

Não podemos escolher por quem se apaixonar, e o amor quando acontece é soberano, embora não sejamos capturados contra a vontade. A desgraça é que uma vez presos, temos muita dificuldade dele escapar. Só nos restar se esforçar muito, até que as portas se abram, e possamos declamar esse poema com convicção

sábado, 25 de junho de 2011

Damien Rice - The Blower's Daughter - Official Video


And so it's
Just like you said it would be
Life goes easy on me
Most of the time
And so it's
The shorter story
No love, no glory
No hero in her sky

I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes...

And so it's
Just like you said it should be
We'll both forget the breeze
Most of the time
And so it's
The colder water
The blower's daughter
The pupil in denial

I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes...

Did I say that I loathe you?
Did I say that I want to
Leave it all behind?

I can't take my mind off of you
I can't take my mind off of you
I can't take my mind off of you
I can't take my mind off of you
I can't take my mind off of you
I can't take my mind...
My mind... my mind...
'til I find somebody new

A Filha do Vento
E então é isso
como você disse que seria
A vida corre fácil pra mim
A maioria das vezes
E então é isso
A história mais curta
Sem amor, sem glória
Sem herói no céu dela

Não consigo tirar meus olhos de você
Não consigo tirar meus olhos de você
Não consigo tirar meus olhos de Você
Não consigo tirar meus olhos de você
Não consigo tirar meus olhos de você
Não consigo tirar meus olhos...

E então é isso
Como você falou que deveria ser
Nós dois esqueceremos a brisa
A maioria das vezes
E então é isso
A água gelada
A filha do vento
A aluna rejeitada

Não consigo tirar meus olhos de você
Não consigo tirar meus olhos de você
Não consigo tirar meus olhos de você
Não consigo tirar meus olhos de você
Não consigo tirar meus olhos de você
Não consigo tirar meus olhos...

Eu disse que te detesto?
Eu disse que quero deixar
Tudo para trás?

Não consigo parar de pensar em você
Não consigo parar de pensar em você
Não consigo parar de pensar em você
Não consigo parar de pensar em você
Não consigo parar de pensar em você
Não consigo parar de pensar em você
Meus pensamentos...Meus pensamentos...
Até conhecer uma nova pessoa.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Um Bonde Chamado Desejo - Un Tranvía Llamado Deseo

Imperdível a montagem de um Bonde Chamado Desejo (Un Travía Llamado Deseo), em cartaz em Buenos Aires. Essa peça de Tennessee Willians estreou na Broadway, em 1947 sob a direção de Elia Kazan, e foi protagonizada por Marlon Brando e Jessica Tandy. A produção ganhou os prêmios Tony, e o Prêmio Pulitzer em 1948. Em 1951, foi filmada por Elia Kazan, sendo protagonizada por Marlon Brando e Vivien Leigh. O filme ganhou 4 Oscars, três Golden Globes, 1 BAFT e foi premiado no festival de Veneza. Também foi protagonizada por Cate Blanchett, Rachel Weisz, Jessica Lange, Anthony Quinn e Glenn Close entre outros. A atriz que vive Blanche Dubois, na montagem de Buenos Aires, chama-se Erica Rivas, e realmente incorpora a personagem. Ainda vamos ouvir muito falar nela. Talentosíssima é pouco. A naturalidade dos demais atores é algo que também impressiona.

Acho de uma profundidade ímpar a última frase, dita por Blanche Dubois , que surta após ter seus sonhos de reconstruir uma vida melhor destruídos pela maldade do cunhado:
“Eu sempre dependi da bondade de estranhos.”
“I have always depended on the kindness of strangers.”.

Depender da bondade de estranhos é uma das coisas mais tristes que pode haver, demonstra o fracasso total das relações familiares e de amizade ou, então, que a pobre pessoa teve muito azar. Nasceu na família errada, escolheu mal os amigos, ou é insuportável mesmo. Quando penso na bondade das pessoas que me são próximas comigo, me sinto muito feliz.


Outra frase da Blanche que eu adoro: "But I have been foolish - casting my pearls before swine!"

terça-feira, 21 de junho de 2011

O Homem que não conhecia o amor - A vida como ela é.

Pior do que ser traído, é não ter conhecido o amor. Sensacional esse episódio de "A vida como ela é.".

" E foi ai que ele explodiu em crua sinceridade: - Ela me trai eu sei, me trai mas me trata bem. A minha primeira mulher não me traía, mas era um purgante. Me trai, mas eu sou feliz, entenderam? Sou muito feliz, muito!" Sensacional o final dessa história.

domingo, 19 de junho de 2011

De volta a Buenos Aires

Buenos Aires me remete à minha amada “abuelita” que tinha tanto prazer com a vida, respeito pelas pessoas, que andava pelo mundo sem parar, que me ensinou a comer “mursillas”, a jogar poker, a apostar na roleta, a preparar drinques, que amava Buenos Aires, e que ao acordar colocava cedo um tango na vitrola. Chegar em Buenos Aires é como chegar em sua casa, e quase chego a escutar seus passos junto aos meus.

Midnight in Paris - Woody Allen Alucina

Woody Allen leva seu personagem a uma viagem no tempo em que ele encontra em Paris, toda a intelectualidade dos ano 20 (Gertrude Stein, Scott and Zelda Fitzgerald, Hemingway, Salvador Dali, Picasso, Matisse, etc.). Sensacional. Recomendo também a leitura do livro"A Moveable Feast", traduzido como "Paris é uma Festa", escrito por Ernest Hemingway.

"If you are lucky enough to have lived in Paris as a young man, then wherever you go for the rest of your life, it stays with you, for Paris is a moveable feast" - Ernest Hemingway.

Como mencionei nesse blog em 26 de outubro de 2009, li esse livro há alguns anos atrás, um pouco antes de conhecer Paris. Nele Hemingway narra como era vida em Paris no início de sua carreira, a relação com a primeira mulher e o filho, a convivência com a intelectualidade local, bem como a estranha mudança interna ocorrida em razão dessa experiência. Além de ser uma leitura rápida, leve e com características quase jornalísticas, menciona seus restaurantes preferidos, hábitos e sentimentos, inclusive o de inveja com relação ao Scott Fitzgerald e o de deslumbramento pela riqueza. Conta que ao voltar de uma viagem à Suíça soube que não seria mais o mesmo, e que sua vida simples com a mulher e o filho não seria mais possível. Narra que ao encontrar a esposa, a abraça com um amor imenso, mas sabe que o casamento chegara ao final. Vale a pena ser lido. Em Paris, fiz questão de visitar alguns lugares e cafés mencionados pelo escritor e, mesmo estando já na casa dos 30 quando estive em Paris pela primeira vez, vivi momentos tão especiais que me fazem acreditar que trarei Paris sempre comigo.

Once I loved


Once, I loved
And I gave so much love to this love you were the world to me
Once I cried at the thought I was foolish and proud and let you say goodbye
Then one day from my infinite sadness you came and brought me love again
Now I know that no matter whatever befalls I'll never let you go
I will hold you close
Make you stay
Because love is the saddest thing when it goes away
Love is the saddest thing when it goes away

Uma vez eu amei
Uma vez, eu amei
E eu dei muito amor a este amor , você era o mundo para mim
Uma vez eu chorei pensando que eu era estúpido e orgulhoso ao deixar você dizer adeus
Então um dia da minha infinita tristeza você veio e me trouxe o amor de novo
Agora eu sei que não importa o que aconteça, eu nunca vou deixar você ir
Eu vou segurar você
Fazer você ficar
Porque o amor é a coisa mais triste quando se vai
O amor é a coisa mais triste quando se vai

sábado, 18 de junho de 2011

A vida como ela é.

Revendo em DVD os episódios dessa série feita com primor cinematográfico. Nelson Rodrigues era de uma sensibilidade incrível. Vale a pena também ver Maitê Proença, uma das mais belas e sensuais atrizes brasileiras, que interpreta Nelson Rodrigues magistralmente.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Graças a Deus, um problema a menos.

Após dois anos de separação, Dany-Nem recusava-se a sair de casa. Luiz não sabia mais o que fazer para livrar-se dela. Havia inclusive proposto pagar o aluguel de um conjugado em Copa, por um ano, para que a ex-companheira o deixasse respirar. Mas Dany-Nem, outrora conhecida por Waldir, não deixaria caminho livre para que outro pudesse tomar o seu lugar. Persistência era o seu forte, e graças a isso conseguiu tornar-se uma “dançarina” famosa, e até mesmo mudar seus papéis para que neles constassem seu nome artístico que, segundo dizia, estava escrito no “mais íntimo do seu eu interior”. Já o Luiz estava interessado em seguir com sua vida, em conhecer outras pessoas. Aos mais amigos, sempre repetia: “Maldita hora fui me envolver com a Dany-Nem”. Só que a Dany-Nem sabia demais, e o mantinha refém de uma terrível chantagem, cuja versão verdadeira jamais foi realmente esclarecida. Depois do ocorrido, houve boatos que ela conseguira gravar um vídeo de Luiz na cama com um dos mais importantes políticos cariocas, com pretensões presidenciais inclusive, e que ameaçava colocar o vídeo no “Youtube”, caso Luiz a abandonasse. Só que o Luiz não agüentava mais sequer ouvir a sua voz, e como o amor enche os apaixonados de coragem, ele finalmente procurou um advogado para obter uma medida liminar de separação de corpos e expulsar Dany-Nem de casa. E foi em plena aula de “Yoga”, que Dany-Nem foi intimada pelo oficial de justiça para que desocupasse a casa sob pena de prisão. Ao ler a intimação, Dany-Nem ficou histérica. Deu um empurrão no oficial, e saiu em disparada para casa. Ao chegar no edifício, o porteiro mostrou suas malas e disse-lhe que ela não poderia subir. Quando ele tentou detê-la, Dany-Nem deu uma voadora no pobre diabo, que chegou a perder um dente. Descontrolada, ela não esperou pelo elevador, e subiu os oito lances de escada com uma rapidez impressionante. Como a fechadura havia sido trocada, com a ajuda de um extintor de incêndio, ela arrombou a porta, entrou no apartamento, e fechou-se por dentro com a tranca de segurança. Furiosa, Dany-Nem derramou álcool na sala e tacou fogo. Ela iria morrer, mas ele não iria dividir seu sagrado lar com mais ninguém. Ainda com a boca sangrando, o porteiro conseguiu enfiar a mangueira do extintor pelo buraco que ela havia feito na porta e apagar o fogo. Mas ela estava decidida a ficar. Correu para o quarto, e disse que se eles tentassem entrar, iria colocar fogo nas cortinas. A essa altura, já havia uma multidão insandecida no pátio do prédio, esperando que a polícia e os bombeiros conseguissem acalmar e prender a fera. Diante das ameaças da polícia e dos bombeiros de que iriam entrar de qualquer forma, Dany-Nem correu para a sacada e colocou uma perna para fora, ameaçando se matar. Para sua surpresa, a multidão inteira começou a gritar em altos brados: “- Pula! Pula!”. Só lhe faltava essa, não havia qualquer bondade nos seus vizinhos. Bem que ela sempre achara que eles não prestavam mesmo. Estavam preocupados apenas em resguardar seu patrimônio. Exausta e com náuseas, Dany-Nem não sabia mais o que fazer. Decepcionada com a reação da platéia, que passara a lhe chamar de “Lacraia! Bruaca! Cachorra!”, Dany-Nem berrou: “- Agora vocês me pagam. Vou tacar fogo em tudo! Vocês vão ficar todos na miséria!”. A multidão recuou, e começou a berrar “- Divina! Divina! Divina!”. Dany-Nem adorou, sentiu-se poderosa, no controle novamente, e desatou a falar. Disse-lhes que iria contar sua triste história, e por quem fora trocada, assim que a imprensa chegasse. Para distraí-la, um rapazote começou a dizer que gostava dela, que já a havia assistido em um show na "Le Boy", que trabalhava na TV, e que arrumaria inclusive uma participação para ela no próximo Reality Show. Ingênua, Dany-Nem se distraiu, e não percebeu que do alto do edifício desciam dois bombeiros enormes para capturá-la. Ela estava quase nas mãos dos bombeiros, quando olhou para cima, se assustou, e caiu oito andares. O silêncio foi absoluto. Há quem jure que em um derradeiro gesto apaixonado, ela berrou o nome “Luiz” durante a queda. Como a vida continua, Luiz vendeu o imóvel, mudou-se para um elegante condomínio de casas, e vive alegremente com seu novo companheiro que, segundo as pesquisas, será brevemente Senador da República. Dizem as más línguas, que quando ele soube do final de Dany-Nem, exclamou: “Graças a Deus, um problema a menos”.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Reescrevendo

(Música)

- O roteiro já está pronto... do Pólo Sul para o RJ;

-Algumas coisas funcionam melhor assim, e embora mais frias não são por isso menos belas. Acho que vou escrever uma peça de teatro com nosso diálogos, basta apenas copiar e colar;

- Não sei como será quando você começar a namorar....

- Acho que já estou começando...

- Que bom, reserva meu horário ...

- Vou fazer o possível...

- Tenho antiguidade, tenho privilégios, rsrsrsr;

- As amizades têm mais privilégios do que os amores, duram para sempre;

- Acredito nisso, sinceramente;

- Também;

- Não sei por quê você me emociona, fico pensando nisso direto...

- Acho que porque ..... se não fosse pelo fato de amarmos outras pessoas, poderíamos ter nos amado muito.

- Não!

- Você ama outra pessoa, e eu ainda amo outra também;

- Não é por isso...

- “wrong time”...

- Não concorre com ninguém, espaço único, sem interferir com nada que também ame ou goste. Você ama outra pessoa?

- Acho que................ mas não quero falar sobre isso;

- Ok;

- Prefiro sonhar com a Rosselini, com um lago, o vento...

- Melhor...

- ... o balanço, a música, a pele suave e o olhar meigo...

-Deixa passar;

- Não dá para esquecer...

- Mas dá para reescrever essa historia com as cores que você quiser. Não dá para ser você sem essa dor? Já vi que tá na fase romântica. Vai dançar comigo. Vai? Junto? Rosto colado? Apertado...

- Adoraria...

- Seria muito engraçado;

- Na minha casa;

- Vou cobrar o convite, me avisa o ritmo para treinar, não quero fazer feio;

- Convida você, que eu encherei a casa de velas, de música e de carinhos;

- obaaaaaaaaa, aiaiaiaiaiai...desliga isso, fala;

- Não consigo...

- Consegue!

- Coragem homem!!!!

- Estou me protegendo!

- De que, de quem ?

- De você...

- Por que? Sou do bem querido...

- O que você quer ouvir?

- Quero te ouvir, me entender, entender o que tá acontecendo...

- Entender é tão difícil...

- Preciso de um alguém próximo de mim, fico falando o que sinto para dar forma aos meus sentimentos, um dia descubro o que é, entende, cara pálida? Já vai ele escrever...

- Hoje o texto é teu, vou dividir a autoria;

- Ok, não vou mais para Itália....não aceitaram minhas milhagens....

- Eu queria tanto ir para Veneza contigo...

- Falaram que pedi muito tarde, bem eu não vou agora;

- Ás vezes é tarde demais...

- Fiquei livre...

- Livre?

(Música)

- Golpe baixo, comigo que te trato tão bem...

- E eu gosto de você...

- Que babo por você... Vou para NY, passar 10 dias em setembro se tudo der certo;

- Se fosse em novembro....

- Minhas férias já tão marcadas, as próximas...

- Aproveite, vá ao Metropolitan, no intervalo peca uma “champagne”, e lembre de mim;

- Posso lembrar caminhando? Me parece mais você...

- Pode sempre...preciso ir, mas não consigo...

- Vai lá...

- Beijo!

- Boa noite...

domingo, 12 de junho de 2011

A cicatriz do ar - Jorge Fallorca

"Agora as tábuas bramem contra o vento, como porta entre-aberta; escadas e escalas, sons tacteados nos socalcos do musgo e da argila, ácidos como os labirintos da cal fermentada

trespassados por um sopro, grandes fôlegos animam a poalha das sombras, os espantalhos quentes ataviados pela memória e a tradição vilipendiada;

Anseio pelas terras novas, a face do Sol - o trilho do levante que me escancara a alameda das tuas pernas, onde se refugia a tâmara fresca do teu sexo

Ah sim, como eu anseio pelas fogueiras subterrâneas, os ramos de fósforo e salitre nos corredores vazios, como dedicatória muda aberta na cicatriz do ar."

sábado, 11 de junho de 2011

Uma boa noite aos enamorados

Que os enamorados tenham uma "Bella Notte" e acordem juntinhos nesse dia dos namorados.

Eu desisti do amor

Eu desisti do amor, mas ainda gosto de uma boa música romântica e de uma cena de cinema. Assim, selecionei três vídeos sobre o mesmo tema, para o conforto daqueles que irão passar o dia dos namorados sozinhos.



I'm Through With Love
I'm through with love
I'll never fall again
Said adieu to love
Don't ever call again
For I must love you or no one
And so I'm through with love

I've locked my heart
I'll keep my feelings there
I've stocked my heart
with icy,frigid air
And I mean to care for no one
Because I'm through with love

Why did you lead me
To think you could care?
You didn't need me
For you had your share
of slaves around you
To hound you and swear
with deep emotion and devotion to you

Goodbye to spring and all it meant to me
It can never bring the thing that used to be
For I must have you or no one
And so I'm through with love

I'm through with love

Baby I'm through with love

Desisti do Amor
Estou desistindo do amor
Nunca me apaixonarei novamente
Disse adeus ao amor
Nunca mais me ligue
Porque eu preciso ter você ou mais ninguém
E então eu estou desistindo do amor

Eu tranquei meu coração
Manterei meus sentimentos lá
Eu estoquei meu coração
Com ar gélido
E não pretendo me importar com ninguém
Porque eu estou desistindo do amor

Por que você me levou
A pensar que você poderia se importar?
Você não precisou de mim
Você já tinha uma porção suficiente
De escravos ao seu redor
Para paparicá-lo e jurar
Com emoção profunda, devoção por você

Adeus para a primavera e tudo o que ela significava
Ela nunca mais será o que costumava ser
Porque eu preciso ter você ou mais ninguém
E então eu estou desistindo do amor

Eu estou desistindo do amor

Querido, estou desistindo do amor

A exilada

Depois de tantos anos, ela entrou na sala, sentou no sofá e olhou ao redor, em uma tentativa de captar as mudanças e de entender a razão de tudo estar tão diferente. Reparou nas minhas rugas, no meu cabelo branco, com o mesmo olhar amoroso. Reconheceu alguns objetos, achou tudo lindo, disse que gostaria de dar-me alguns presentes, que eles estavam guardados na sua pasta dentro do armário azul, e por fim teve coragem de perguntar o que algumas coisas estavam fazendo ali, o que havia acontecido. Ao fazer a pergunta, começou a entender. Perplexa, olhou-me desesperada e perguntou como eu havia deixado que ela fosse enterrada viva. Se ninguém havia examinado seu corpo. Foi quando eu fui obrigado a contar-lhe, a dizer-lhe que toquei no seu corpo a noite inteira mas que ela estava inerte, que ela não mais existia. Aos prantos, ela desapareceu.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Olhe e sinta

Olhe nos meus olhos, pegue na minha mão e sinta. Se ainda tiveres dúvida, vá, dobre a esquina, e saia para sempre dos meus sonhos.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Aviso de ventania

O aviso da uma ventania e de um temporal que poderiam carregá-lo para longe veio direto do Pólo Sul, para a pequena tela do computador. Ele não se importou, e embora não gostasse de vento, resolveu sair de casa assim mesmo, pois não tinha medo de vento ou de chuva, e muito menos de se deixar levar e voar, para onde quer que fosse.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Cena de entardecer

O entardecer chegara, e a rua estava fria e deserta para os padrões cariocas. Ele caminhava para casa, quando inesperadamente deu de cara com ela parada em uma esquina. Cautelosos, caminharam algumas quadras lado a lado em completo silêncio, sentido uma sensação de “déjà vu” e de aperto no coração. Ele queria que ela ficasse ou pelo menos dissesse alguma coisa, mas não sabendo o que dizer, olhou para ela e disse-lhe apenas “obrigado”. Ela respondeu “de nada”, mencionou que precisava correr para o aeroporto e partiu.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

O sedutor

Embora tivesse um gosto extremamente refinado para artes, uma formação cultural rara, e fosse um desbravador dos sete mares, ele era famoso pelo pão-durismo. Quando seus amigos zombavam, ele logo respondia que jamais alimentaria a inflação pagando preços exorbitantes, que achava um absurdo gastar uma fortuna com um terno ou com um carro que iriam se desmanchar com o tempo. Sem qualquer pejo, falava que só não era econômico com duas coisas: sua coleção de CDs e com sexo, nessa ordem, que fique bem claro. A coleção de CDs era imensa, pois não havia semana em que não comprasse vários títulos, os quais eram guardados em numerosas estantes fechadas com vidro. Mas contrariando a teoria de que quem é econômico com coisas é também pão-duro com amor, ele era capaz de qualquer loucura quando apaixonado, era até generoso. E foi em busca de mais uma estante, que ele conheceu Lucilene, morena de lábios carnudos, olhos grandes, cabelos escuros e cacheados, e dona de um par de coxas largas e de seios fartos que não saíram mais da sua cabeça. Ele tentou disfarçar, perguntou o seu nome, enrolou um pouco, mas a moça não deu muito papo. Estava trabalhando e era extremamente profissional. Sabia como era difícil arrumar um emprego, e que seu salário faria falta na casa em que vivia com a mãe e com os dois irmãos menores no Grajaú. A loja era boa, com filiais em 18 cidades, e Lucilene acreditava que com o tempo haveria por certo a chance de se tornar supervisora de vendas, e com isso pagar a tão sonhada faculdade de administração. Era importante então manter o foco, pois na empresa havia uma política de metas rígidas, e quem não realizasse o número de vendas esperados por três meses consecutivos, ou fosse visto de bate-papo, seria sumariamente despedido. Como era persistente, Carlos orquestrou um plano para seduzi-la. Iria sistematicamente a loja efetuar pequenas compras, até que ela finalmente cedesse aos seus encantos. E foi assim que Carlos pela primeira vez comprou um aparelho de ar condicionado, comprou uma televisão com tela plana, trocou sua cama por um modelo “colonial”, equipou sua cozinha com uma torradeira, e adquiriu até mesmo um aspirador de pó. Astuto, deu um jeito de ser atendido por ela, todas as vezes, que por mais gentil que fosse, fingia não estar entendendo as intenções do moço. Ele resolveu então mudar a abordagem, convidá-la diretamente para sair, jantar fora, ir ao cinema, dar-lhe parabéns pela beleza e inteligência, mas isso não adiantou. Ela gostava do Wladimir, um jovem mecânico, frequentador da mesma igreja, cuja visão dos braços fortes e morenos a enchiam de desejo. Depois de diversas investidas, Carlos foi ficando enlouquecido, não conseguia mais segurar seus ímpetos, a obsessão por Lucilene invadiu seus pensamentos e sonhos. Ela teria que ser sua, ainda que por uma única noite, custasse o que custasse. E foi assim que ele decidiu dar sua derradeira cartada. Às 7 horas da noite esperou a moça na parada de ônibus e, quando ela se aproximou, caminhou ao seu encontro, puxou do bolso um maço de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), e colocou a dinheirama toda na mão da moça. Disse-lhe que para receber essa quantia, precisaria apenas visitar-lhe uma vez. Aturdida e envergonhada, a moça não sabia o que fazer. Olhou para o lado, e percebeu o risinho de canto de olho de um transeunte e o olhar de reprovação de uma senhora. Mas isso era muito dinheiro. Ela jamais havia tocado em um bolo de notas de R$100,00 tão grande em sua vida. O diabo e a tentação tomaram sua mente. Embora seu corpo e lábios dissessem que não, o olhar da moça revelou sua ganância. Carlos percebeu o conflito e, ousado, partiu para o ataque. Antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, tacou-lhe um beijo, o qual foi respondido, de forma automática, com um retumbante tabefe que chamou a atenção dos passantes. Humilhado pelo tabefe e pela sequência de xingamentos, Carlos pegou o dinheiro de volta e partiu com ódio. Para esquecer o ocorrido, evitou o centro comercial em que Lucilene trabalhava por quase um ano, até que em um final de tarde foi obrigado a pisar no local, para comemorar o aniversário de um velho amigo. Tentando evitar Lucilene, passou rapidamente pelos dois primeiros andares, dirigindo-se, sem olhar para os lados, para a choperia marcada. Depois de muitos chopes, ele resolveu partir. Quando estava quase em frente a escada rolante deu de cara com Lucilene, que explodira para os lados e para frente. Incrédulo, ele percebeu que seus lindos seios fartos haviam crescido demais, suas coxas se avantajado, e que seus cabelos cacheados estavam alisados por muito henê, um total desastre. Mesmo assim, como obsessão é obsessão, a velha tara voltou a bater. Impulsivo, ele se aproximou da moça e sem qualquer receio falou: - Lucilene, você tem que ser minha. Eu te dou R$ 1.000,00 por essa noite. Indignada, ela disse com cara de ódio: - Mas no ano passado você me ofereceu R$ 5.000,00. Foi quando o lado geminiano de Carlos berrou, e ele respondeu: - Quem mandou você barangar. O final dessa história ficou tão feio, que eu achei melhor terminar por aqui.

domingo, 5 de junho de 2011

Jalousie - Ciúmes

O ciúmes destrói sentimentos tão puros e sinceros, condena as pessoas injustamente, e as joga no inferno. Bonito, somente em tango. Esse, por ironia, sempre foi um os meus favoritos.

"O ciúme é o pior dos monstros criados pela imaginação."
(Calderón de la Barca)

"De todas as enfermidades que acometem o espírito, o ciúme é aquela a qual tudo serve de alimento e nada serve de remédio." (Michel de Montaigne)

"O ciúme é uma das enfermidades psicológicas mais congênitas. Quando se nasce com ela, a cura é difícil. Ela envenena as alegrias mais gratas da vida, derrama fel em cada gota de água, em cada bocado de pão."
(Paolo Mantegazza)

"Os ciumentos não precisam de motivo para ter ciúme. São ciumentos porque são. O ciúme é um monstro que a si mesmo se gera e de si mesmo nasce." (William Shakespeare)

"Os ciumentos sempre olham para tudo com óculos de aumento, os quais engrandecem as coisas pequenas, agigantam os anões e fazem com que as suspeitas pareçam verdades." (Miguel de Cervantes)

"O ciúme é o maior de todos os males e o que menos compaixão desperta nas pessoas que o causam." (François de La Rochefoucauld)


Um Violinista no Telhado

Não percam a superprodução de "Um Violinista no Telhado" no Rio. A qualidade técnica desse musical equipara–se a dos musicais de West End ou da Broadway. José Mayer está sensacional . Eu que achava ele um canastrão em razão dos papéis de galã que interpreta na televisão, tive a grata surpresa de descobrir que ele é um grande ator. Além de uma bela voz, dá um show de interpretação. Talvez esse tenha sido o melhor musical que eu vi, e olha que eu vi quase todos os mais famosos que, nos últimos anos, estiveram em cartaz no Brasil, em Londres e na Broadway.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Palocci e Luisa Marilac

Ao assistir a entrevista do Palocci, lembrei da Luisa Marilac, que também não revela o nome dos seus clientes. Graças a Deus, ficou esclarecido que ele nunca trabalhou com órgãos públicos e nem praticou tráfico de influência, apesar de, segundo a Folha, ter faturado R$ 20.000.000,00 depois da eleição da Dilma, sendo R$ 10.000.000, somente nesses dois últimos meses. Ele só faltou dizer na entrevista: “E teve boatos que eu ainda estava na pior, se isso é tá na pior, p#hãn, que quer dizer tá bem, né?”.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Volver

Estrella-Morente emprestou sua voz para Penélope Cruz no filme "Volver" de Almodóvar. Essa gravação de um tango de Gardel em ritmo de flamenco é uma obra-prima.


“Volver

yo adivino el parpadeo
de las luces que a lo lejos
van marcando mi retorno
son las mismas que alumbraron
con sus pálidos reflejos
hondas horas de dolor

y aunque no quise el regreso
siempre se vuelve al primer amor
la vieja calle donde el eco dijo
tuya es su vida, tuyo es su querer,
bajo el burlón mirar de las estrellas
que con indiferencia
hoy me ven volver

Volver...
con la frente marchita
las nieves del tiempo
platearon mi sien
sentir...
que es un soplo la vida
que veinte años no es nada
que febril la mirada
errante en la sombra
te busca y te nombra
vivir...
con el alma aferrada
a un dulce recuerdo
que lloro otra vez


Tengo miedo del encuentro
con el pasado que vuelve
a enfrentarse con mi vida...
Tengo miedo de la noche
que pobladas de recuerdos
encadenan mi soñar...

Pero el viajero que huye
tarde o temprano detiene su andar...
Y aunque el olvido, que todo destruye,
haya matado mi vieja ilusión,
guardo escondida una esperanza humilde
que es toda la fortuna de mi corazón.”

"Voltar

Eu pressinto as piscadas
das luzes que ao longe
vão marcando minha volta.
São as mesmas que alumiaram
com seus pálidos reflexos
fundas horas de dor.

E ainda que não queira o regresso
sempre se volta ao primeiro amor.
A velha rua onde o eco disse
"Tua é sua vida, teu é seu querer",
sob o olhar zombador das estrelas
que com indiferença
hoje me vêem voltar.

Voltar...
com a testa vagando,
as neves do tempo
pratearam minha têmpora
Sentir...
que é um sopro a vida,
que vinte anos não são nada,
que febril a olhada
errante na sombra
te procura e te nomeia.
Viver...
com a alma aferrada
a uma doce recordação
que choro outra vez

Tenho medo do encontro
com o passado que volta
a enfrentar-se com minha vida...
Tenho medo das noites
que povoadas de recordações
encadeiam meu sonhar...

Mas o viajante que foge
tarde ou cedo detém seu andar...
E ainda que o esquecimento, que tudo destrói,
tenha matado minha velha ilusão,
guardo escondida uma esperança humilde
que é toda a fortuna de meu coração.

Voltar..."

Caminhos cruzados

De volta ao Rio, com essa música na mente, caminho em direção ao cruzamento, sem saber o que poderá acontecer. O que importa é a esperança de encontrar novamente um bem estar que há muito partiu.

Encontrei seres