sábado, 11 de junho de 2011

A exilada

Depois de tantos anos, ela entrou na sala, sentou no sofá e olhou ao redor, em uma tentativa de captar as mudanças e de entender a razão de tudo estar tão diferente. Reparou nas minhas rugas, no meu cabelo branco, com o mesmo olhar amoroso. Reconheceu alguns objetos, achou tudo lindo, disse que gostaria de dar-me alguns presentes, que eles estavam guardados na sua pasta dentro do armário azul, e por fim teve coragem de perguntar o que algumas coisas estavam fazendo ali, o que havia acontecido. Ao fazer a pergunta, começou a entender. Perplexa, olhou-me desesperada e perguntou como eu havia deixado que ela fosse enterrada viva. Se ninguém havia examinado seu corpo. Foi quando eu fui obrigado a contar-lhe, a dizer-lhe que toquei no seu corpo a noite inteira mas que ela estava inerte, que ela não mais existia. Aos prantos, ela desapareceu.

2 comentários:

  1. É uma das músicas mais tristes que eu conheço: "a saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu...", não consigo pensar em nada mais doído, mais dilacerante. A saudade, a ausência, é como se um pedaço de nós estivesse perdido para sempre.

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  2. Esse é o sentimento mais triste que existe, e somente um gênio como o Chico para conseguir traduzir tão lindamente essa dor.

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Encontrei seres