quinta-feira, 22 de setembro de 2011

O cometa da mocidade

Eles eram jovens e ingênuos. Ele desajeitado, e ela delicada com dedos finos e ágeis que dedilhavam o violão enquanto cantava. Ele simplesmente ouvia e adorava, sem saber bem o que achar. Apenas sentia e viajava nas ondas da música.

domingo, 18 de setembro de 2011

Les Feuilles Mortes - Oh, je voudrais tant que tu te souviennes


Oh, je voudrais tant que tu te souviennes
Des jours heureux ou nous etions amis
En ce temps-la la vie etait plus belle
Et le soleil plus brulant qu'aujourd'hui

Les feuilles mortes se ramassent a la pelle
Tu vois, je n'ai pas oublie
Les feuilles mortes se ramassent a la pelle
Les souvenirs et les regrets aussi

Et le vent du nord les emporte
Dans la nuit froide de l'oubli
Tu vois, je n'ai pas oublie
La chanson que tu me chantais

C'est une chanson qui nous ressemble
Toi, tu m'aimais et je t'aimais
Et nous vivions tous les deux ensemble
Toi qui m'aimais, moi qui t'aimais

Mais la vie separe ceux qui s'aiment
Tout doucement, sans faire de bruit
Et la mer efface sur le sable
Les pas des amants desunis

Les Feuilles Mortes

Ah, eu queria tanto que tu te lembrasses
Dos dias felizes que éramos amigos
Naquele tempo a vida era mais bela
E o sol mais quente do que hoje

As folhas são recolhidas por uma pá
Tu vês, eu não esqueci
As folhas são recolhidas por uma pá
As memórias e os arrependimentos também

E o vento do norte os leva
Na noite fria do esquecimento
Tu vês, eu não esqueci
A canção que você cantou para mim

É uma canção que se assemelha a nós
Tu, tu me amavas e eu te amava
E todos nós dois vivemos juntos
Tu que me amavas, eu que te amava

Mas a vida separa aqueles que se amam
Tão docemente, sem fazer barulho
E o mar apaga sobre a areia
Os passos dos amantes desunidos.

sábado, 17 de setembro de 2011

Cheek To Cheek


Cheek To Cheek
Fred Astaire
Heaven, I'm in Heaven,
And my heart beats so that I can hardly speak;
And I seem to find the happiness I seek
When we're out together dancing, cheek to cheek.
Heaven, I'm in Heaven,
And the cares that hung around me thro' the week
Seem to vanish like a gambler's lucky streak
When we're out together dancing, cheek to cheek.
Oh! I love to climb a mountain,
And to reach the highest peak,
But it doesn't thrill me half as much
As dancing cheek to cheek.
Oh! I love to go out fishing
In a river or a creek,
But I don't enjoy it half as much
As dancing cheek to cheek.
Dance with me
I want my arm about you;
The charm about you
Will carry me thro' to Heaven
I'm in Heaven,
and my heart beats so that I can hardly speak;
And I seem to find the happiness I seek
When we're out together dancing cheek to cheek.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Tosca

Essa montagem de Tosca no Theatro Municipal do Rio de Janeiro virará história. Poucas vezes um teatro brasileiro recebeu um grupo de solistas tão qualificados em uma única Ópera. Thiago Arancam tem uma voz belíssima, perfeita, e interpreta muito bem, com grande emoção. Acho que dificilmente ouvirei novamente um tenor tão maravilhoso, e ainda por cima em início de carreira, com a voz na sua plenitude. Ele interpretou o principal papel masculino de Tosca (Cavaradossi) na Ópera de Frankfurt, Roma, Filadélfia, Berlim e Las Palmas. Sondra Radvanovsky como Tosca está magnífica. Faz uma Tosca humana, que consegue transmitir todo o seu amor, angústia e sofrimento. Recentemente ela interpretou Tosca com grande sucesso de crítica na Ópera do Colorado, no Metropolitan, no Teatro Real de Madri e no Scala. A reação da plateia aos dois foi tão forte, que tanto a Sondra Radvanovsky quanto o Thiago Arancam premiaram o público com repetições dos seus solos.
O barítono Juan Pons no papel do vilão também esteve muito bem, embora visivelmente tenha dado uma pequena escorregada na letra do "Te Deum", o que de forma alguma diminuiu seu brilho estelar. Carla Camuratti também foi responsável pela Direção Cênica e pelo Cenário que estavam de arrasar. Me senti na Ópera Garnier tamanho o luxo, beleza e a qualidade dos músicos. Um momento divino. Thiago Arancam e a Sondra ainda estarão presentes na récita do dia 18.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Esses amores (Ces amours- là)

Ainda em estado de graça pela beleza do filme "Esses amores". Audrey Dana é extraordinária e merece ter tido o privilégio de filmar com Lelouche. Laurent Couson não apenas é um excelente ator. É também um grande músico e compositor do tema central do filme.

On dirait qu'il va faire beau malgré les nuages
Rêvons de pays nouveau partons en voyage
(A vous)
Partir sur votre bateau me parait peu sage
Ca me semble un peu trop tôt je crains naufrage
Alors là, je tombe de haut, petite sauvage
Mon amour est sans écho et c'est bien dommage
(Essayons le refrain)
Ces années-là, c'est vrai
On était un cauchemar
Mais maintenant d'un seul sourire, la vie donne un nouveau départ
Ces amours-là c'était comme un jeu de hasard
On a joué gros on a perdu du temps mais on a gagné l'espoir
Cessez votre numéro et passez au large
Car je suis de ces oiseaux qui détestent les cages
Qui a parlé de l'assaut ou de prise d'otage
Moi je n'ai parlé d'un seul mot celui de mariage
(Mariage)
Allez les musiciens, jouez avec moi allez
Alors là je dis banco je pars sans bagages
Oui
Car je sens qu'il va faire beau malgré les nuages
Ces années-là, c'est vrai
On marqué nos mémoires
Mais maintenant d'un seul sourire, la vie donne un nouveau départ
Ces amours-là c'était comme un jeu de hasard
On a joué gros on a perdu du temps mais on a gagné l'espoir
Que tout le monde chante
La la la la...

Parece que vai ser ensolarado, apesar das nuvens
Sonhemos com países novos partamos em viagem
(Para você)
Partir do seu barco parece-me pouco ajuizado
Parece um pouco cedo demais eu temo naufrágio
Enquanto estava lá, eu caí do alto, pequena selvagem
Meu amor é sem eco e isso é uma pena
(Deixe o coro)
Naqueles anos, é verdade
Foi um pesadelo
Mas agora de um único sorriso, a vida dá um novo começo
Esses amores foram como um jogo de azar
Jogamos pesado, perdemos tempo, mas nós ganhamos a esperança
Pare com o seu número e caminhe ao largo
Porque eu sou como esses pássaros que detestam as gaiolas
Que falou sobre o assalto ou tomada de reféns
Eu não falei uma única palavra que é casamento
(Casamento)
Vamos músicos, cantem comigo
Agora eu digo banca e vou embora sem bagagem
Sim
Porque eu sinto que será ensolarado, apesar das nuvens
Naqueles anos, é verdade
Marcamos nossas memórias
Mas agora de um único sorriso, a vida dá um novo começo
Esses amores foram como um jogo de azar
Jogamos pesado, perdemos tempo, mas ganhamos a esperança
Que todo mundo cante
La la la la ...

domingo, 11 de setembro de 2011

Stormy Wheather

Essa música se repete em várias cenas do filme "Esses amores".

Don't know why
There's no sun up in the sky
Stormy weather
Since my man and I ain't together
Keeps raining all of the time
Oh yeah
Life is bad
Gloom and misery everywhere
Stormy weather, stormy weather
And I just can't get my poor self together
Oh I'm weary all of the time
The time, so weary all of the time
When he went away
The blues came in and met me
Oh yeah if he stays away
Old rocking chair's gonna get me
All I do is pray
The Lord will let me
Walk in the sun once more
Oh I can't go on, can't go on, can't go on
Everything I have is gone
Stormy weather, stormy weather
Since my man and I, me and my daddy ain't together
Keeps raining all of the time
Oh, oh, keeps raining all of the time
Oh yeah, yeah, yeah raining all of the time
Stormy, stormy
Stormy weather
Yeah
Don't know why
There's no sun up in the sky
Stormy weather
Since my man and I ain't together
Keeps raining all of the time
Oh yeah
Life is bad
Gloom and misery everywhere
Stormy weather, stormy weather
And I just can't get my poor self together
Oh I'm weary all of the time
The time, so weary all of the time
When he went away
The blues came in and met me
Oh yeah if he stays away
Old rocking chair's gonna get me
All I do is pray
The Lord will let me
Walk in the sun once more
Oh I can't go on, can't go on, can't go on
Everything I have is gone
Stormy weather, stormy weather
Since my man and I, me and my daddy ain't together
Keeps raining all of the time
Oh, oh, keeps raining all of the time
Oh yeah, yeah, yeah raining all of the time
Stormy, stormy
Stormy weather
Yeah

Esses amores (Ces amours -là)

A homenagem que Claude Lelouche faz ao cinema resulta em um dos filmes mais lindos que eu vi nos últimos anos, bem verdade que a exceção dos filmes do Almodóvar e do Woody Allen, e de algumas honrosas exceções (geralmente diretores italianos ou argentinos), não vi nada realmente excepcional desde "Out of Africa", que é de 1985. Voltando ao filme, "Esses amores" é uma obra-prima. Embora fale de emoções o tempo todo, conte a história de várias gerações, o que é a cara do Lelouche, não cai no clichê, e tampouco deprime, ainda que em algumas cenas seja impossível não se emocionar pela sensibilidade dos diálogos, e pela trilha musical e fotografia reunidas em uma interpretação primorosa de todos os atores. Lelouche é um gênio. Sua personagem principal serve-lhe como alterego e é através dela que ele mostra a razão do seu amor pelo cinema, que o levou a realizar obras-primas como "Um Homem e uma mulher" e "Retratos da Vida". Valeu ir ao cinema. Está em cartaz no Rio e nas principais capitais.

‎"O amor é uma longa viagem cuja volta é mais cara que a ida."

sábado, 10 de setembro de 2011

I Get Along Without You Very Well


I Get Along Without You Very Well
I get along without you very well
Of course I do
Except when soft rains fall
And drip from leaves then I recall
The thrill of being sheltered in your arms
Of course I do
But I get along without you very well

I've forgotten you just like I should
Of course I have
Except to hear your name
Or someone's laugh that is the same
But I'v forgotten you like I should

What a guy, what a fool am I
To think my breaking heart could kid the moon
What's in store, should I phone once more
No it's best that I stick to my tune

I get along without you very well
Of course I do
Except perhaps in spring
But I should never think of spring
For that would surely break my heart in two

Eu Me Viro Muito Bem Sem Você
Eu me viro muito bem sem você
Claro que sim
Exceto quando a chuva fina cai
E goteja das folhas, então me lembro
A emoção de estar protegido nos seus braços
Claro que sim
Eu me viro muito bem sem você

Eu esqueci você como deveria
Claro que sim
Exceto quando escuto seu nome
Ou o riso de outra pessoa quando é igual
Mas eu esqueci você como deveria

Que cara! Que tolo eu sou!
De pensar que meu coração quebrado poderia enganar a lua
O que está para acontecer? Deveria ligar mais uma vez?
Não, é melhor me manter na minha melodia

Eu me viro muito bem sem você
Claro que sim
Exceto talvez na primavera
Mas eu não deveria nunca pensar em primavera
Porque isso certamente quebraria meu coração em dois

Hoje é noite de festa

Porque é preciso um pouco de loucura, porque não adianta chegar depois que a festa acabou, porque o tempo não volta, e porque “pode” ser bom demais, apronte-se e festeje essa noite.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Trinta anos esta noite (Le Feu Follet) - Lois Malle

Esse filme existencialista , de 1963, cuja tradução literal seria "Fogo Fátuo" não envelheceu. Narra com maestria os últimos dias que antecedem ao suicídio de um homem que ao sair de uma clínica de alcoolismo, resolve visitar seus amigos. Tem algumas frases maravilhosas:

"O que eu amo nos homens não são suas paixões, mas o que essas paixões produzem."

A melhor delas é a do bilhete de despedida, cujo conteúdo deve ter rendido muitos debates psicanalíticos:

"Eu me mato porque não me amaram, porque não os amei. Eu me mato porque nossos vínculos eram fracos, para fazê-los fortes. Deixo a vocês uma marca indelével."

A fotografia e a trilha sonora são belíssimas.

Dor que lateja

Odeio essa dor que por três anos lateja de forma constante e me impede de correr, percorrer distâncias, nadar, voar, dormir e até de sonhar.

A fera na selva


Acabei de ler "A fera na selva" e fiquei impressionado com a modernidade de Henry James. A Fera está realmente a espreita, e dá o bote e nos ataca quando menos esperamos. Que triste para o personagem descobrir que havia vivido fora da vida, pois nenhuma paixão o tocara. Também é muito bom esse trecho do prefácio:"... o excesso de amor pelo outro (May) não é proporcional ao excesso de amor por si próprio (Marcher).".
Esse livro me lembrou que, durante muito tempo, temi passar pela vida sem ter realmente vivido uma paixão e do vazio que isso me despertaria.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Nada além de uma ilusão

"Se o amor só nos causa sofrimento e dor, é melhor, bem melhor a ilusão do amor. Eu não quero e não peço para o meu coração nada além de uma linda ilusão"


"A realidade é meramente uma ilusão apesar de ser uma ilusão muito persistente."
Albert Stein

"DO AMOROSO ESQUECIMENTO
Eu, agora - que desfecho!
Já nem penso mais em ti...
Mas será que nunca deixo
De lembrar que te esqueci?"
Mário Quintana

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Dueto


Dueto

Consta nos astros, nos signos, nos búzios
Eu li num anúncio, eu vi no espelho, tá lá no evangelho, garantem os orixás
Serás o meu amor, serás a minha paz
Consta nos autos, nas bulas, nos dogmas
Eu fiz uma tese, eu li num tratado, está computado nos dados oficiais
Serás o meu amor, serás a minha paz
Mas se a ciência provar o contrário, e se o calendário nos contrariar
Mas se o destino insistir em nos separar
Danem-se os astros, os autos, os signos, os dogmas
Os búzios, as bulas, anúncios, tratados, ciganas, projetos
Profetas, sinopses, espelhos, conselhos
Se dane o evangelho e todos os orixás
Serás o meu amor, serás a minha paz
Consta na pauta, no Karma, na carne, passou na novela
Está no seguro, pixaram no muro, mandei fazer um cartaz
Serás o meu amor, serás a minha paz
Mas se a ciência provar o contrário, e se o calendário nos contrariar
Mas se o destino insistir em nos separar
Danem-se os astros, os autos, os signos, os dogmas
Os búzios, as bulas, anúncios, tratados, ciganas, projetos
Profetas, sinopses, espelhos, conselhos
Se dane o evangelho e todos os orixás
Serás o meu amor, serás amor a minha paz
Consta nos mapas, nos lábios, nos lápis
Consta nos Ovnis, no Pravda, na vodca

domingo, 4 de setembro de 2011

A humilhação

Sensacional o livro “A humilhação” de Philip Roth, um dos mais respeitados escritores norte-americanos, vencedor do prêmio “Pullitzer”, recebedor da “Medal of Arts na Casa Branca”, e da “Gold Medal for Ficton da American Academy of Arts and Letters”, dentre diversos outros prêmios. O fato de ser o único escritor norte-americano vivo a ter sua obra completa publicada pela “Library of America” mostra bem a qualidade dos seus textos. O livro conta a história de um famoso ator de teatro que ao envelhecer não consegue mais atuar, e tampouco tolera as perdas e a crítica que o ridiculariza. Com medo de cometer suicídio, interna-se em uma clínica psiquiátrica na qual encontra uma mulher que havia surtado ao perceber que seu terceiro marido estava abusando sexualmente da sua filha, e que lhe pede para ajudá-la a matá-lo. Quando ele consegue melhorar e ter alta, se envolve amorosamente com a filha lésbica de um casal de amigos, que havia sido abandonada pela sua companheira que decidira se transformar em homem. O resto eu não conto, porque não saberia fazer sem reduzir a importância do texto de Philip Roth. A linguagem é moderna, realista, mostra a dificuldade das perdas que inevitavelmente acontecem quando a idade avança. Mas mesmo contando uma história de conflitos e perdas, é tão bem escrita que não pesa. Muito pelo contrário, uma vez começada ela prende o leitor prazerosamente.

sábado, 3 de setembro de 2011

Ilusões

Onde prendemos nossas vidas, sobre que bases elaboramos nossos pensamentos, qual a força dos laços que nos ligam a outros seres, será mesmo possível flutuar após o naufrágio, tudo não passará de uma ilusão espetacular?




"Vejam com atenção este fantástico espectáculo:

1) onde estão presos os sinos?

2) onde estão sentadas as mulheres da orquestra?

3) e, por fim, onde estão presas as mulheres que flutuam,... onde estão os cabos?"

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

"Os Votos" - poema de Sergio Jockymann e não de Victor Hugo

Esse belíssimo poema de Sergio Jockymann, publicado na Folha da Tarde de Porto Alegre, em 30 de Dezembro de 1978, circula pela internet como "Desejo" de Victor Hugo. Ficaria mesmo lindo em francês: "Je te souhaite d'abord que tu aimes, et qu'en aimant, tu sois à ton tour aimée."

"Os Votos

“Pois desejo primeiro que você ame e que amando, seja também amado.

E que se não o for, seja breve em esquecer e esquecendo não guarde mágoa.

Desejo depois que não seja só, mas que se for, saiba ser sem desesperar.

Desejo também que tenha amigos e que mesmo maus e inconseqüentes sejam corajosos e fiéis.

E que em pelo menos um deles você possa confiar e que confiando não duvide de sua confiança.

E porque a vida é assim, desejo ainda que você tenha inimigos, nem muitos nem poucos, mas na medida exata para que algumas vezes você interprele a respeito de suas próprias certezas.

E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo para que você não se sinta demasiadamente seguro.

Desejo depois que você seja útil, não insubstituívelmente útil mas razoavelmente útil.

E que nos maus momentos, quando não restar mais nada, essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.

Desejo ainda que você seja tolerante, não com que os que erram pouco, porque isso é fácil, mas com aqueles que erram muito e irremediavelmente.

E que essa tolerância nem se transforme em aplauso nem em permissividade, para que assim fazendo um bom uso dela, você dê também um exemplo para os outros.

Desejo que você sendo jovem não amadureça depressa demais,
e que sendo maduro não insista em rejuvenescer,
e que sendo velho não se dedique a desesperar.

Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e é preciso deixar que eles escorram dentro de nós.

Desejo por sinal que você seja triste, não o ano todo, nem um mês e muito menos uma semana,
mas um dia.

Mas que nesse dia de tristeza, você descubra que o riso diário é bom, o riso habitual é insosso e o riso constante é insano.

Desejo que você descubra com o máximo de urgência, acima e a despeito de tudo, talvez agora mesmo, mas se for impossível amanhã de manhã, que existem oprimidos, injustiçados e infelizes.

E que estão estão à sua volta, porque seu pai aceitou conviver com eles.

E que eles continuarão à volta de seus filhos, se você achar a convivência inevitável.

Desejo ainda que você afague um gato, que alimente um cão e ouça pelo menos um João-de-barro erguer triunfante seu canto matinal.

Porque assim você se sentirá bom por nada.

Desejo também que você plante uma semente por mais ridículo que seja e acompanhe seu crescimento dia a dia, para que você saiba de quantas muitas vidas é feita uma árvore.

Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro porque é preciso ser prático. E que pelo menos uma vez por ano você ponha uma porção dele na sua frente e diga: Isto é meu.

Só para que fique claro quem é o dono de quem.

Desejo ainda que você seja frugal, não inteiramente frugal, não obcecadamente frugal, mas apenas usualmente frugal.

Mas que essa frugalidade não impeça você de abusar quando o abuso se impor*.

Desejo também que nenhum de seus afetos morra, por ele e por você. Mas que se morrer, você possa chorar sem se culpar e sofrer sem se lamentar.

Desejo por fim que,
sendo mulher, você tenha um bom homem
e que sendo homem tenha uma boa mulher.

E que se amem hoje, amanhã, depois, no dia seguinte, mais uma vez e novamente de agora até o próximo ano acabar.

E que quando estiverem exaustos e sorridentes, ainda tenham amor pra recomeçar.

E se isso só acontecer, não tenho mais nada para desejar”

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

O Lago dos Cisnes - Balé do Teatro Mariinsky (Kirov) arrasou no Theatro Municipal do Rio de Janeiro

O Balé do Teatro Mariinsky, fundado por Catarina II, em São Petersburgo, no lugar do Teatro Bolshoi (grande), voltou a usar seu nome original, que por ordem de Stalin havia sido modificado para Kirov, em homenagem ao revolucionário homônimo. A apresentação da estréia superou em muito as minhas expectativas. Anastácia Matvienko e Denis Matvienko, casados na vida real, deram um show de técnica e emoção nos papéis de Odette/Odile e Siefgried, respectivamente. Konstantin Azverev, no papel de Rothbart, estava tão bem que quase roubou a cena. A produção está impecável, os cenários são majestosos e o figurino é riquíssimo (iguais aos do vídeo abaixo). A Orquestra Sinfônica de Barra Mansa também estava muito bem, pois é dificílimo conseguir a sincronia do andamento da música com a coreografia. Sensacional é a palavra adequada.

Encontrei seres