quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

A Palavra Ausente

Adorando esse livro de contos. Marcelo Moutinho foge um pouco do realismo tão em voga na literatura brasileira e norte-americana e, sob uma ótica impressionista, narra cenas do cotidiano. Recomendo muito. Esse autor ainda será muito estudado, podem acreditar.

Segue abaixo um pequeno trecho do conto "Cavalos Marinhos":
"As caixas tomam todo o apartamento: minhas coisas.
Me ocorre agora que não houve tempo para adeus, nenhum rito capaz de dramatizar em gestos a partida. As cigarras não anunciaram a chuva.
É possível que em alguns anos fique apenas a imagem dele, a voz de quem se vai sempre desaparece mesmo. Talvez as piadas privadas, os fracassos forjados na cumplicidade, o inventário dos afetos trocados sem noção de urgência.
Nesse hiato entre o que foi e o que virá, despeço-me das caixas - não é a derradeira despedida, espero -..."

4 comentários:

  1. Às vezes o silêncio grita.
    Adorei, vou procurar para comprar.
    Gosto tanto de você!
    Beijos!
    Mel

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  2. Mel, você me passa tanta ternura, carinho, caráter. Eu te adoro. Quero ser teu amigo até ficarmos bem velhinhos. Bjs.

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  3. Nome sugestivo, a palavra ausente é a única que fica, afinal.

    Já estou seguindo seu blog. Adorei.

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  4. Obrigado pela visita Andressa. Volte sempre.

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