sexta-feira, 23 de março de 2012

Amaldiçoada

Que ano difícil, sua separação não fora nada fácil. Depois de tudo, Bel sentiu-se até mesmo amaldiçoada. Embora seu casamento claramente não funcionasse, seu marido recusava-se em aceitar o fim, e a ameaçava com morte cada vez que ela tocava no assunto. Amedrontada, Bel já não sabia mais o que fazer, quando em uma noite, logo após uma discussão, ouviu um estranho barulho, como o de um saco cheio de lama e de pedras que despencasse do alto do 11º andar. O barulho fora horrível, e ela pressentiu que algo terrível acontecera. Sem coragem para sair do quarto, tapou-se com o lençol e esperou o interfone tocar. Quando a campainha tocou, não precisaram lhe explicar o que havia acontecido. Ela entendera imediatamente. O vivente havia se atirado da sacada. Não fosse pelo desaforado bilhete suicida, e pelo seu tamanho diminuto, ainda teria sido acusada de homicídio. Mas como a humanidade é cruel, os vizinhos passaram a chamá-la de Viúva Negra, e a olhá-la com desdém e desprezo. Foi então que ela decidiu mudar-se para um outro bairro e começar uma nova vida. Isso também não foi fácil, pois os pretendentes depois dos 40 são escassos, ou melhor, raros. Para piorar, não era nada bom quando lhe perguntavam o que havia acontecido com seu marido, e ela contava a verdade. É claro que ela omitia que na realidade dera graças a Deus, que ficara é muito aliviada por ele ter se jogado ao invés de jogá-la. Depois de um certo tempo tentando encontrar alguém compatível, percebeu que os homens nessa faixa de idade ou são cafajestes, gays ou casados. Cansada de se decepcionar, e contrariando o aviso de um amigo de que quando uma mulher compra um gato, fica para sempre encruada, Bel acabou por comprar um lindo gatinho, o qual batizou de George Harrison the Second, em homenagem ao seu ídolo de juventude. Preto e amarelo, suas pernas eram longas, e seu rosto expressivo e enigmático. Poder-se-ia dizer que era um descendente direto dos gatos do antigo Egito, daqueles que guardavam os túmulos dos mortos, impedindo-os que voltassem à Terra. Depois de uns meses, ele ficou levado e manhoso. Arranhava os móveis, mijava por tudo, e claramente não a obedecia. Em uma certa noite, ele ficou mais indócil do que nunca e, depois de mijar na sala, entrou no quarto da Bel e destruiu uma almofada. Irritada, ela finalmente reagiu e decidiu se impor. Afinal, era a noite do Oscar, e ninguém iria incomodá-la, nem mesmo o amado George. Insistente, George miou, miou e pulou para a cama da Bel. Determinada a educá-lo, ela lhe passou uma tremenda descompostura, e colocou-o porta afora, de castigo no quarto de hóspedes. Livre de George, Bel pode finalmente relaxar, aproveitar o momento do tapete vermelho, ver a entrada dos artistas e, principalmente, das suas amigas de Hollywood. Suas melhores amigas, imaginárias é claro, eram a Gwyneth Patrol pela classe e bom gosto, e a Jennifer Aniston por ter sido abandonada. De repente, justamente quanto a Gwyneth apareceu, ela lembrou de George e sentiu-se culpada. Abriu a porta, chamou por ele, procurou no quarto, no banheiro, abriu a gaveta em que ele adorava se esconder, e nada. Ao chegar na cozinha, vislumbrou que a janela estava aberta e anteviu de imediato o que havia acontecido. Apavorada, ligou para o porteiro, e perguntou:
- Moço, por acaso um gato caiu do telhado?
- Num brinca... Tem mesmo... Tá “morrido” Dona;
- Meu Deus, meu gato, que horror!!!!
- Dona, às vezes ele não morreu;
- O Sr. Poderia ver para mim? Não tenho coragem de espiar.
- Dona ele pereceu mesmo.

Sem se identificar, Bel desligou o telefone e começou a chorar. Nem mesmo seu gato resistira a sua companhia. Preferiu se jogar do 15º andar e cometer suicídio, a ter que viver com ela. E o que pior, sua história pregressa seria lembrada e os comentários recomeçariam. Como o porteiro era novo no imenso prédio, e ela não se identificara, decidiu silenciar, não mencionar que o gato era seu. Passou uma semana, ela parou de chorar, sua vida retornou ao normal, um amigo lhe deu uma gatinha, a qual foi logo batizada de Cher, e ainda por cima ela começou a sair com veterinário que vacinara sua nova mascote. A virada foi tão grande que ela nem acreditou. Achou até graça quando ao entrar no elevador no sábado, pela manhã, viu um cartaz fixado no espelho com os seguintes dizeres: “Senhores Condômimos, Nessas últimas semanas foram arremessados um gato e uma lata de tinta do alto do edifício. O gato morreu, mas felizmente não causou nenhum dano, a lata quebrou uma telha do salão de festas. Solicitamos aos moradores que tenham mais cuidado e não joguem mais coisas. Favor zelarem pelos seus animais e objetos.".

quinta-feira, 15 de março de 2012

Postagem sentimental

Como em todos o dias da minha vida, quando me acontece uma coisa boa ou triste, ou até mesmo quando simplesmente nada acontece, pensei muito em ti, no teu amor incondicional, na tua vontade de acertar, e em como tua presença me fazia bem. Impossível também não lembrar da tua força, que tanto me ajudou a ser quem sou, e que ainda hoje me segura quando estou prestes a cair. Para mim tu estarás sempre presente. Um feliz aniversário meu anjo.

domingo, 11 de março de 2012

Quinho, um novo cantor que desponta

O show do Quinho no Studio Rio Arpoador foi maravilhoso. Ele tem uma voz muito afinada, um repertório sofisticado, e as participações de Martinália e Maíra Freitas foram sensacionais.
Martinália dispensa comentários, pois é reconhecidamente um dos grandes nomes da MPB. Mas eu fiquei enlouquecido foi pela Maíra Freitas (irmã da Martinália). Há muitos anos não ouvia uma voz tão linda. Ainda por cima, ela é uma simpatia. Conversamos um pouco depois do show, e ela é super comunicativa, simples e agradável. Além de cantora, ela compõe e é uma pianista erudita muito talentosa, acostumada a se apresentar com orquestras e em recitais. O Quinho chegou para ficar, e vem com um respaldo incrível. Tomara que a Maíra e o Quinho decolem.



sexta-feira, 9 de março de 2012

E a vida passa

E a vida passa em disparada, como um carro sem freio a cruzar montanhas, vales e rios que nem sempre chegam ao mar.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Aceitação

E então você desapareceu para sempre,
depois de uma dolorosa saída;
E eu que te amava tanto me desconheci,
e fiquei até aliviado, pois
sabia que já não aguentavas mais,
e que mesmo querendo ficar,
não dependia mais de ti ou de mim,
que a vida é assim, tudo começa e termina.

domingo, 4 de março de 2012

Verão de 42 - Elis Regina e Michel Legrand

Ainda sinto saudades do verão do meu primeiro amor.


C’était l’été 42
Era o verão de 42
On hésitait
Nos hesitávamos
Encore un peu
Ainda um pouco
Entre l’amour et l’amitié
Entre o amor e amizade
Et puis un jour
E então um dia
Tout simplement tu t’es offerte
Tão simplesmente tu te ofereceste

C’était l’été 42
Era o verão de 42
J’avais quinze ans
Eu tinha quinze anos
Tu étais belle
Tu eras bela
Autour de nous c’était la guerre
Em torno de nós havia a guerra
Et moi dans tes bras
E eu dentro de teus braços
Je criais : je t’aime!
Eu gritei: eu te amo
Dans mes bras
Nos meus braços
Tu pleurais : je t’aime
Tu choraste: eu te amo
On avait peur
Nós tinhamos medo
On était heureux
Nos estávamos felizes

{x2:}
C’était l’été 42
Era o verão de 42
J’avais quinze ans
Eu tinha quinze anos
Tu étais belle
Tu eras bela
C’était l’été de mon premier amour
Foi o verão do meu primeiro amor

Carlos Drummond de Verdade - Últimas Apresentações

Excelente o monólogo “Carlos Drummond de Verdade”. Sergio Mota deu um show de domínio cênico, mantendo a platéia atenta enquanto interpretava poesias e textos de Carlos Drummond de Andrade. Parecia que o próprio escritor estava pensando alto, ou a expor seus sentimentos para um velho amigo. As palavras saiam sentidas da boca do interprete, com uma entonação perfeita, que permitia à platéia pensar, sem no entanto ficar desatenta. A seleção dos textos foi primorosa, transparecendo de forma inteligente e sensível os diversos momentos da vida e obra de Drummond. Recomendo muito. As informações da peça estão na publicação abaixo.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Sergio Mota promete encerrar sua carreira após as 4 últimas apresentações de "Carlos Drummond de Verdade"

Estou ansioso para ver esse espetáculo, que está sempre lotado e com grande lista de espera. Na primeira vez que tentei, fui duas vezes ao Midrash Centro Cultural no Leblon, mas havia 191 pessoas na minha frente na lista. Nesse domingo vou conferir.
Copiei de um link a seguinte matéria:
"Não é fita nem estratégia de marketing. Após as últimas 4 apresentações de "Carlos Drummond de Verdade" (sucesso de público, a crítica não foi), nos dias 3 e 4, 10 e 11 de março, sábados e domingos, 21h e 20h, respectivamente, no Midrash Centro Cultural, a carreira de ator de Sergio Mota será apenas uma vaga lembrança. Quem quer guardar essa memória ou ver mais uma vez, já pode reservar seu ingresso pelo telefone 2239-1800/2222. Na apresentação que aconteceu no ano passado, eram 80 lugares, que foram aumentados para 104. 180 reservas foram feitas e 40 espectadores voltaram da porta. Dessa vez, serão apenas 50 lugares por sessão. Depois não digam que não avisei. As reservas já estão abertas!
Serviço

CARLOS DRUMMOND DE VERDADE
3 e 4, 10 e 11 de março
Sábados, 21h, e domingos, 20h.

Direção: Joice Niskier

Com: Sergio Mota e Pedro Carneiro Silva (músico)

Preço: 30,00 e 15,00 (meia)

Duração: 50 minutos

Reservas: 2239-1800/2222

Midrash Centro Cultural
Rua General Venâncio Flores, 184 - Leblon"

Francamente, estou achando que o Sergio Mota não vai cumprir a promessa de abandonar os palcos, e assim como a Barbra Streisand e a Cher, que adoram uma despedida, acabará por voltar aos palcos. Pelos comentários que ouvi, ele é muito talentoso e Drummond dispensa comentários.

Encontrei seres