terça-feira, 12 de junho de 2012

O Abate

Com seu “piercing” no nariz, longos cabelos loiros alisados pela chapinha, seios fartos, que tentavam em vão fugir da apertada blusa de malha tigrada, e um enorme quadril que esbanjava carne e calor, foi impossível ficar indiferente quando, no meio da noite, ela entrou no elevador do hotel em que ele estava, e apertou o botão do 20º andar. Ele a olhou e viu naquela enfeitada moça do interior, a oportunidade perfeita para acabar a noite com um pouquinho de diversão. Sabia que bastaria um sorrisinho, e puxar um papo para lá de furado para que ela topasse tomar um “drink” no seu quarto. Ela tinha toda a pinta de separada infeliz, de uma moça solitária, reprimida pela família, precisando tirar o atraso, e ele adorava uma gordinha. Como não havia tempo para muito bate-papo, ele iniciou os trabalhos mencionando que achava o imenso vão no meio do hotel e o elevador panorâmico fantásticos. Ela olhou para ele, respondeu um “É...”, e começou um monologo silencioso, audível apenas em sua mente: Que vontade de jogar alguém nesse vão, poderia até ser esse babaca. Bom mesmo, seria apunhalá-lo no estômago, ver sua vida acabar lentamente. Pena essa câmera no elevador. Melhor jogá-lo pelo vão do hotel. Faz tanto tempo que não empurro alguém de uma grande altura. É tão bom o instante da queda. Seria lindo se ele caísse de barriga para cima. Estou precisando matar alguém. Para isso até que ele serve. Poderia convidá-lo para tomar um “drink” no meu quarto, seduzi-lo, dar-lhe um porre, drogá-lo e depois de pronto, empurrá-lo pelo vão central, e apreciar do melhor angulo possível sua queda pelos vinte andares. Só tenho que tomar o cuidado de empurrá-lo em um local que não esteja ao alcance da câmera de vigilância. No entanto, seus pensamentos foram interrompidos pela voz grave dele que, sem qualquer constrangimento, perguntou-lhe se ela conhecia algum lugar para jantar naquela hora, pois havia acabado de chegar na cidade e não sabia para onde ir. Ela de pronto respondeu: - Conheço sim, no meu quarto. Podemos tomar uma Champagne e experimentar umas bolinhas que são uma delícia. Trouxe de Paris, dão o maior barato, são libertadoras, fazem a gente voar. Ele imediatamente aceitou, e ao entrar no quarto pensou: Pobre otária, mais uma vitima a ser abatida.

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