sábado, 9 de junho de 2012

Tempo desconexo

Ontem a noite cruzei a cidade , sob a chuva que caía torrencialmente, para encontrar com amigos queridos em Ipanema. Enquanto dirigia na imensa “highway”, cruzando viadutos, túneis, elevadas, olhando o mar que se jogava com imensa força sobre o rochedo da Joatinga, vieram tantos pensamentos e memórias reais ou construídas. Lembrei do filme “Um homem e uma mulher”, em que ele atravessa a França em meio a tempestade para encontrá-la, do meu pai que tantas vezes contou-me como fora importante para ele ter feito o meu parto, da significação que é iniciar a vida dessa maneira, da minha mãe querida, da segurança que esse casal me passou. Como tudo é desconexo, saí do passado, e meus pensamentos mudaram para o desejo de um futuro possível, que ainda não tenho coragem de escrever para mim mesmo, mas que espero que um dia faça parte das minhas memórias como algo vivido.

9 comentários:

  1. Lindas cenas. Lindo texto.
    Um abraço, Terráqueo.

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  2. Obrigado Renata. Fiquei tão feliz com tua visita.
    Abs.

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  3. Texto bonito, Marcelo.
    há coragens que precisam ser desenterradas, trazidas à tona, ainda que remexam o solo de cicatrizes, né?
    Hoje, na estrada, enquanto voltava de porto, pensava sobre uma outra postagem tua, e sobre a pergunta "o que ocorre com o amor quando ele acaba?" eu não sei se amor acaba, eu acredito em coisas estranhas... acredito em um amor que seja "o" amor, e... enfim, depois passo lá pra comentar...rs.
    beijo, querido.

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  4. Obrigado Zaclis, estou vivendo um momento intenso mesmo, e interessante como isso apareceu nesse texto. Obrigado pela visita. Bjs.

    Andrea, fiquei muito curioso sobre tua definição do "o" amor.

    Transcrevo um post de 29 de Junho de 2010 sobre isso:

    "Otimista incorrigível arrasado por amigo pessimista
    Um grande amigo ligou de Porto Alegre para falar sobre o texto “Para os corações partidos” logo abaixo, e me acusou de ser um otimista incorrigível. Segundo ele “É um otimismo exacerbado achar que se pode viver mais de um amor. Se você se encontrar diante de um novo amor é porque aquele que passou não era amor de verdade. Você estava apenas se preparando para o amor.”. Para me arrasar por completo, e me tirar qualquer ínfima esperança de ser feliz novamente, tascou:
    “Você ter encontrado o seu amor e ter perdido lhe traz um castigo horrível. Você será condenado a carregá-lo pelo resto da vida sozinho."

    Em 05 de julho e 12 de julho de 2010 houve a resposta do amigo e tréplica. Bjs.

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  5. Marcelo, e não é que lá na postagem de 05 de julho eu comentei? rs... eu bem lembrava de já ter comentado aqui sobre isso...

    eu acredito sim que exista O grande amor. Creio que vivemos diferentes amores, e eim, vivemos também paixões, mas vivemos coisas que vão além da chama, vivemos amores. Alguns vivem muitos, outros poucos, mas temos encontros verdadeiros no decorrer do nosso caminho, afetos que permanecem em nós, que nos modificam. Não acredito em amor que acabe, não acredito em amor que vire ódio, para mim isso nunca foi amor. Amor tem algo de sublime, não acolhe nada de ruim, ainda que às vezes nos magoe, nos deixe com raiva, amor não termina em ódio, nem termina, a paixão sim.

    Mas creio que há um amor que é diferente dos outros, é o amor que nos faz chegar em casa. Não há explicação, não há questionamento, a gente apenas sabe... há um pertencimento de alma que nunca se sentiu antes, e nunca se imaginou existir, não importa qual o destino, se foi um encontro ou uma relação duradoura, este amor faz parte da gente como se estivesse no princípio de nós.
    Sim, podemos ter outros amores, sermos felizes até, é como morarmos em vários lugares lindos, em cada um deles amamos algo diferente e somos felizes. Mas há sempre um lugar que é o nosso lar, e a este lugar não é necessário explicação, não há um porquê, um motivo que nos agrade, é tudo, estamos nele e sabemos que estamos onde deveríamos estar, em casa.
    Este amor não se extingue porque é incondicional, é maior do que o eu e o outro, e quando atinge esta dimensão, torna-se independente do objeto do amor, existe por si só, e tudo o mais é bem querer.
    A gente pode morrer por um amor desses, mas também por ele, aprende sempre a renascer.

    é mais ou menos isso...
    beijo.

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  6. Que linda essa a imagem do amor que é o nosso lugar. Obrigado pelo lindo comentário. Ele me fez um bem enorme. Bjs.

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