sábado, 14 de julho de 2012

Bem Amadas

No cinema havia na sua maioria senhoras e senhores na faixa dos sessenta, provavelmente o mais jovem era eu, que já sou quase um cinqüentão, e os comentários eram péssimos. O casal ao lado não entendia que a história se começava nos anos 60 e que vinha até 2007 e que, portanto, a personagem quando jovem não poderia ser interpretada pela Deneuve, e as duas senhoras do meu outro lado estavam indignadas porque a Deneuve não era a atriz principal, e também não entendiam nada, demoraram inclusive uns 10 minutos para perceber que o filme era francês. O fato é que é um filme com alguns números musicais, que de algum modo remeteram-me a "Os Guarda-Chuvas de Amor", e que entra firme em questões psicológicas como o que é o amor, a perversão, o casamento, a liberdade, a obsessão, a indiferença e até o suicídio. Mostra com maestria e realismo tudo o que a sofrida humanidade se submete por amor e por neurose, de uma forma terna, comovente, e até engraçada. Deneuve é uma grande atriz, e sua filha na vida real e no filme, Chiara Mastroianni, está espetacular. Interessante ver essa grande dama fazer o papel de uma ex-prostituta, adultera, e sua filha apaixonada por um gay, provavelmente aidético, tendo uma relação sexual a três com o namorado dele, etc. Isso chocou um pouco a platéia, e o comentário das duas senhoras ao meu lado foi de que os franceses adoram a três. Não entenderam nada as pobrezinhas. Embora não tenha decorado as frases, algumas ou parte delas ficaram na minha cabeça: “- Eu posso viver sem você, você diz, o único problema meu amor é que eu não consigo é deixar de te amar.” “- Coragem e prudência são as duas qualidades mais essenciais na vida.” O filme acaba sendo um soco no estomago, mas eu amei.

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