domingo, 30 de setembro de 2012

Divórcio em Buda - Sándor Marai

“Quem poderia fotografar, registrar, tatear o instante em que algo se rompe entre duas pessoas? Quando aconteceu? De noite enquanto dormíamos? No almoço, enquanto comíamos? Agora quando vim ao consultório? Ou muito, muito tempo atrás, apenas não percebemos? E continuamos a viver, a falar, a nos beijar, a dormir juntos, a procurar a mão do outro, o olhar do outro, como bonecos animados que continuam a se movimentar ruidosamente por um tempo, meso estando a mola do seu mecanismo quebrada... O cabelo e as unhas do morto continuam a crescer, talvez as células nervosas ainda sobrevivam quando os glóbulos vermelhos já estão mortos.... Nada sabemos. O que podemos fazer agora? Que refletor devo acender para encontrar nessa escuridão, nessa trama, aquele momento único, aquele milésimo de segundo em que algo cessa entre duas pessoas?” "Até agora não sei bem o que é amar...., mas será possível saber? E saber para quê? Amar nada tem a ver com razão. Provavelmente, o amor é mais forte do que o conhecimento. Conhecer é muito pouco. Exite um limite.... Amar talvez seja uma coincidência de tempos. Um acaso maravilhoso, como se no universo existisse dois planetas com a mesma órbita, a mesma atmosfera, feitos da mesma matéria. É o tipo de coincidência imponderável. Talvez nem exista. Se já via algo parecido? Talvez... muito raramente.... e nem nesse caso tive certeza. Coicidência de tempos, na vida e no amor. Gostam da mesma comida, da mesma música, caminham na rua com a mesma pressa ou lentidão,na cama desejam-se com a mesma cadência... talvez seja isso. Como deve ser raro! Um fenômeno... Acho que esses encontros são míticos. Na vida real não se pode contar com essas probabilidades. Acredito que as glândulas do casal filtram e selecionam ao mesmo tempo, os dois pensam a mesma coisa sobre os fatos, com as mesmas palavras.... É o que entendo por coincidência de tempos. E isso não existe. Um é mais rápido, o outro é mais lento, um é mais tímido, o outro é mais audaz, um é quente, o outro é morno. É assim que a vida e os encontros devem ser encarados... É assim que deve ser aceita, dessa forma imperfeita, a felicidade."

4 comentários:

  1. Aeronauta, algo me dizia que ele seria muito do teu gosto. Adorei a vistia. Bjs.

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  2. Talvez porque caminhem na mesma direção.
    Bjos.

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  3. Quitéria, gostei muito dessa tua perspectiva. Bjs.

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Encontrei seres