quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Mia Couto - A confissão da leoa

Não me sai da cabeça o livro “A confissão da leoa” do Mia Couto, publicado agora em 2012. Esse talentoso escritor Moçambicano, após visitar uma região em que ataques de leões aterrorizavam uma pequena aldeia, resolveu romancear esses incidentes, narrando uma história pelo ponto de vista de uma mulher cuja irmã havia sido comida por uma leoa, e que acreditava ter sido ela que chamara os leões, e do caçador contratado para terminar com os ataques. A história é linda, cheia de aventuras, e as figuras e imagens do Mia Couto são absolutamente poéticas, sem falar que ele mostra todo o misticismo que impera na África que, se por um lado contribui para que muitas coisas não caminhem da melhor forma, cria lendas e histórias belíssimas. O livro prende tanto que, quando fui dormir, sonhei que fazia parte da história, que estava no pequeno vilarejo, que fazia parte da caçada e fiquei triste de acordar. Selecionei apenas algumas passagens para que vocês possam sentir o que é esse gênio da literatura africana, ou melhor, da literatura: “Todos sabemos, por exemplo, que o céu não está acabado. São as mulheres que, desde há milênios, vão tecendo esse infinito véu. Quando os seus ventres se arredondam, uma porção do céu fica acrescentada. Ao inverso, quando perdem um filho, esse pedaço do firmamento volta a definhar. ... Maldita a terra tão sem céu que até as nuvens é preciso desenterrar, ... Quanto mais vazia é a vida, mas ela é habitada por aqueles que já se foram: os exilados, os loucos, os falecidos. ... E de súbito, ela ali está: a leoa! Vem beber naquela suave margem do rio. Contempla-me sem medo nem alvoroço. Como se há muito me esperasse, ergue a cabeça e crava-me fundo o seu inquisitivo olhar. Não há tensão no seu porte. Dir-se-ia que me reconhece. Mais do que isso: a leoa saúda-me, com respeito de irmã. ... Fugir de um amor é o modo mais total de lhe obedecer.”

sábado, 27 de outubro de 2012

Os Impressionistas estão no Rio

A exposição “Impressionismo Paris e a Modernidade”, com 85 obras-primas do Musée d’Orsay, no Centro Cultural do Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, está sensacional. Com um custo de R$ 11 milhões, foi recriado nos salões do CCBB a atmosfera do Orsay. Desde a entrada do prédio, os visitantes são transportados à Paris do final do Século XIX e do início do Século XX, época em que a modernidade eclodiu em contraposição ao antigo regime, em que a liberdade, a igualdade e a democracia foram repensadas, e que no campo das artes originou o Impressionismo. São obras de Renoir, Degas, Latour, Monet, Pissaro, Cézanne, Manet, Monet, Van Gogh, Seurat, e de outros gênios da pintura.
Essa foto foi tirada em frente a uma ampliação do quadro “La Seine et Notre-Dame de Paris”, de 1864, pintado pelo Johan-Barthold Jongkind. Nao deixe para última hora, ela termina em 13 de janeiro de 2013, e as filas tendem a aumentar nos últimos dias.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

O Antinarciso

Comecei a ler o livro de contos “O Antinarciso”, escrito pelo Mario Sabino, redator-chefe da revista Veja, e estou gostando enormemente. Curioso sobre esse autor, encontrei uma entrevista bastante interessante na qual ele menciona que: “O mundo pode ser divertido e proporcionar momentos de alegria genuína, mas o que faz a boa literatura é a infelicidade. Ela, a infelicidade, é a roda do mundo do escritor. Os melhores romances e contos são aqueles em que os protagonistas são movidos por angústia, tormento, sofrimento. A dor de existir enfim.”

domingo, 21 de outubro de 2012

Um copo de cólera

Ao ler esse livro, lembrei que muitas vezes quando temos um grande problema, e não temos coragem de enfrentar diretamente o que põe nosso corpo em cólera, ou quando é o nosso corpo que nos trai, tendemos a ter catarses e a direcionar nossa raiva e frustração, justamente contra as pessoas que mais nos amam e nos são generosas, causando um grande estrago. A história desse livro narra o que acontece quando um homem dirige sua cólera contra sua namorada, porque em um lindo dia de sol, verifica que um bando de formigas saúvas estão a atacar o jardim. Gosto muito da narrativa de Raduam Nassar, que constrói belas imagens para relatar os fatos. “... e estava assim na janela, quando ela veio por trás e se enroscou de novo em mim, passando desenvolta a corda dos braços pelo meu pescoço, mas eu com jeito, usando de leve os cotovelos, amassando um pouco seus firmes seios, acabei dividindo com ela a prisão que estava sujeito, e, lado a lado, entrelaçados, os dois passamos, aos poucos, a trançar os passos, e foi assim que fomos diretamente pro chuveiro.” Recomendo muito. Fiquei com muita vontade de ver o filme (http://www.youtube.com/watch?v=usUc_4ZGZ38).

domingo, 14 de outubro de 2012

Lavoura Arcaica

Sensacional Lavoura Arcaica. Raduan Nassar tem uma forma de escrever personalíssima, em que a maioria dos fatos são deduzidos através dos conflitos psicológicos. Uma leitura reflexiva, pesada, para leitores avançados e com a mente aberta. Amei esse livro. Aviso que ele não trata de amenidades, e talvez por isso quando publicado (em plena época da ditadura), não tenha ainda tido a relevância que merece, embora seja muito conhecido e tenha até sido filmado. “....Fica mais feio o feio que consente o belo... -Continue. _ E fica também mais pobre o pobre que aplaude o rico, menor o pequeno que aplaude o grande, mais baixo o baixo que aplaude o alto, e assim por diante. Imaturo ou não, não reconheço mais os valores que me esmagam, acho um triste faz-de-conta viver na pele de terceiros, e nem entendo como se vê nobreza no arremedo dos desprovidos; a vítima ruidosa que aprova seu opressor se faz duas vezes prisioneira, a menos que faça essa pantomima atirada por seu cinismo. -É muito estranho o que estou ouvindo. -Estranho é o mundo, pai, que só une se desunindo; erguida sobre acidentes, não há ordem que se sustente; não há nada mais espúrio do que o mérito, e nao fui eu que semeei esta semente."

domingo, 7 de outubro de 2012

O olhar impressionista de Ana Terra

E ficou o registro do tempo em que para os três pequenos entrar em um caíque era um perigo, atravessar um riacho de águas rasas uma façanha, pegar barba de pau no mato do açude uma coisa mágica e, em que procurar a toca da tigra, sempre tão bem escondida, era uma aventura e tanto, testemunhada pelo olhar amoroso da mãe, cuja lembrança lhes faria tão bem muitos anos depois.

sábado, 6 de outubro de 2012

Ocupados

Entre o instante em que nascemos e morremos estamos tão ocupados que acabamos por não perceber a beleza da vida.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Encontrei seres