sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Retrospectiva 2012 - Feliz 2013

Difícil fazer essa retrospectiva. A primeira metade do ano foi tão boa que não dá para contar, pois poderia despertar a inveja dos deuses. Na segunda metade, no entanto, aconteceu algo tão triste que também não dá para contar, pois iria expor pessoas queridas e chatear meus leitores e amigos. Mas por que fazer a retrospectiva então? Por que se expor tanto na internet? Deve ser pelo hábito de me expor aos leitores do blog e do Face Book, ou isso seria uma forma de terapia moderna, via internet, coisa do século XXI em que quase tudo é superficial, público e eletrônico, e busca aprovação do grande público? Se o ano valeu? Valeu sim. Cheguei ao fim e bem, com menos dor em um dos joelhos (no outro continua), morando em um lugar paradisíaco, fiz novos amigos e pude estar bem mais com as pessoas que amo e gosto. Passei alguns bons momentos sem dúvida. Além disso, como a grande maioria das pessoas, tenho novas expectativas para o ano novo que espero se realizem. Sei que isso é um velho clichê, mas o ano novo serve para isso, para renovar as esperanças, que quando somem nos levam à depressão e à tristeza. Mas é justamente por isso que estou triste, porque sei que para várias pessoas não há essa perspectiva, e não há nada a ser feito. Dói ver impotência e a fragilidade do ser humano, ainda que comigo vá tudo bem obrigado. Isso torna difícil querer que o tempo avance. Que bom seria poder fazer com que o tempo das pessoas funcionasse de forma diferente, que nos momentos felizes o tempo demorasse mais a passar. Que as pessoas que amamos tivessem mais tempo, e as que não amamos também. Mas em nome do hábito vão os melhores momentos: Uma semana de férias em Torres na companhia e na casa da minha irmã Lelena e de sua família (para os blogueiros ela é a Bípede Falante), arrumar minhas malas para Punta sob a orientação da Barbarella (demos muitas risadas), um pôr-do-sol e uma balada em Punta, novos amigos que conheci em 19 de Janeiro (tenho boa memória para datas) e que se tornaram bons companheiros, uma grande noite em Maputo, mudar para a casa nova na Macumba, um certo jantar em BH, a visita de amigos queridos na minha casa nova, ir para o trabalho cruzando a reserva todas as manhãs olhando o reflexo do Sol e os pássaros chegando na praia, a esperança do bebê que quase veio (acabou não vindo), passar meu aniversário com a minha gêmea depois de tantos anos passando em lugares diferentes, o show da Maria Rita, o casamento do meu primo Vítor, a montagem da Viúva Alegre, o jantar de Natal oferecido pela Ana Paula e pelo Paulo, e o almoço preparado pela Márcia e o meu cunhado no dia 25. Desejo a todos, um feliz 2013 e que esse novo tempo seja bom para vocês todos.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Natal 2012

Houve uma época em que quando dezembro chegava, eu contava os dias para o Natal. Minha avó Jurema e minha mãe preparavam essa data com meses de antecedência. Um filhote de peru era escolhido a dedo e engordado especialmente para o ocasião. Mas elas eram piedosas, antes que o infeliz tivesse seu pescoço decepado pelo golpe certeiro da tia Sú, ele era embebedado com cachaça para que não ficasse com medo e contraísse os músculos. Ele deveria ser o mais macio possível, e merecia um final comemorativo também. Depois disso, a Dona Maria assava e recheava ele com um serrabulho de lamber os beiços. Naquela época não se ganhava tantos brinquedos como hoje, eram poucas as ocasiões, basicamente aniversários, Natais, e ou em acontecimentos raros, como consolo de um machucado por exemplo. Mas não era isso o que me seduzia, mas sim saber que toda a família da minha mãe estaria reunida, e que até a mãe do meu pai, Vó Margarida, viria nos visitar (ela morava longe). Os motivos religiosos também nunca me convenceram, ainda que a Vó Jurema fizesse questão de cantar Noite Feliz, de ler uma mensagem católica, e que a Vó Margarida, espírita convicta, reclamasse da nossa falta de religiosidade (uma falha que como boa sogra ela sutilmente imputava à minha mãe para o meu deleite). Eu tinha vontade de gargalhar, mas respeitosamente me continha. Teve até um ano em que fizemos um auto de natal, e eu fui o menino Jesus. No final da peça ele nascia e eu erguia uma estrela vermelha de papel laminado, muito mais para a estrela da China do que a de Belém. Era o início dos anos 70, época da ditadura, e duas pessoas se refugiavam na nossa casa, uma residência tipicamente burguesa, acima de qualquer suspeita. Ele era uma pessoa querida, ela jamais havíamos visto antes ou a vimos depois. Espero que tenha sobrevivido. Foi um Natal inesquecível e que depois, quando entendi o mundo, fez-me admirar ainda mais meus pais. Uma delicia também ver alguns familiares que não tinham sorte para ganhar presente. Ninguém acertava com eles. Devia ser castigo divino por não se importarem com o carinho de quem oferecia o regalo. Mas o tempo passou, as duas protagonistas principais saíram de cena, e eu nunca mais passei o Natal no Sul. O Natal ficou muito doloroso para mim, e por alguns anos passei no Rio, depois tive alguns “Happy X-mas” na terra do Santa Claus, ou na casa de primas queridas. No último ano, embora tenha recebido uma série de convites, fiquei em casa olhando para as minha muletas, pois havia feito uma cirúrgia que me impedia de caminhar, e preferi me restabelecer. Esse ano, vou passar novamente o Natal em Porto Alegre, na casa da minha prima, versão aprimorada da Vó Jú, que está trabalhando duro para isso. Seu marido, inclusive já fez uma árvore linda para ao ocasião. Vamos todos nos reunir novamente, motivados por uma razão muito importante, valorizar o afeto e a companhia dos que amamos. Aproveitar esse tempo precioso, lembrar como essas relações são fundamentais, dar e receber amor. Isso é o que importa. Desejo que todos, nesse dezembro, possam encontrar os que amam e aproveitar esses momentos, pois 2012 não voltará mais.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Tonny Bennett

Na noite de 29 de novembro assisti ao show de Tony Bennett no Vivo Rio. Aos 86 anos, ele ainda tem um vozeirão, um charme, um carisma, e uma vitalidade impressionante. Talvez seja o último de uma geração de músicos cujo o principal talento era a voz e a afinação, que não precisavam de potentes computadores para ajudarem suas limitadas vozes desafinadas ou de uma imensa equipe de “backing vocals” e de efeitos pirotécnicos para enganar a plateia. O show mexeu comigo, transportando-me imediatamente para minha infância, para Torres, mais precisamente, para a casa de um amigo do meu pai onde conheci pela primeira vez o talento de Tony Bennet, em um LP memorável. Trouxe-me também doces memórias de São Francisco quando ele cantou "I left my heart in San Francisco", e me fez voar para um tempo muito bom quando unplugged cantou no final do show “Fly me to the Moon".

Encontrei seres